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Adm Pública - A Corrupcao no Brasil

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mister, precisa-se de habilidade para não ferir melindres. O assunto deve ser enfocado de acordo com a
peculiaridade de cada caso.
 
 Muitos agenciadores de negócios e receptadores de subornos, que exploram o tráfico de
influências, tratam desta matéria com tato psicológico, disfarçando inteligentemente suas verdadeiras
intenções, para atingirem o calcanhar de Aquiles com precisão. Eles são envolventes e talentosos
trapaceiros. É difícil escapar de suas armadilhas.
 
 O mimo poderá consistir numa simples gravata até num luxuoso apartamento ou numa jóia de
apreciável valor.
 
 Estamos exagerando? Não. Apenas tratando do tema dentro de sua dimensão exata, ou seja, não
escolhendo palavras para tecer comentários sobre coisas de clareza tão meridiana, nem sempre
noticiadas.
 
 O gesto de oferecer sem nenhum interesse, o que é bastante raro, tem algo de sublime. A pessoa
que atingir este ponto de desprendimento pode considerar-se intrinsecamente boa. É feliz e irradia
vibração pura, capaz de contagiar qualquer ambiente. Como é agradável conviver com esses espíritos
CORRUPÇÃO NO BRASIL
superiores! Naturalmente, sem prejuízo de compreender os menos evoluídos para não contrariar as leis
do equilíbrio.
 
 Convém lembrar que nem todos aqueles que gostariam de oferecer têm condições econômicas
para tanto. Neste caso, bastaria a intenção.
 
 Por mais selvagem, inculta ou insensível que seja, uma pessoa poderá ser abrandada com
oferendas. Conhecemos diversos resultados obtidos por esses meios, até para atrair silvícolas. Este
procedimento, de natureza psicológica, não constitui nenhuma novidade, pois a troca de gentilezas, na
maioria das vezes, reflete interesse, isto é, recebemos o que podemos dar ou damos na esperança de
recebermos o que pretendemos. Até a filantropia, muitas vezes, é praticada por interesse, nem sempre
identificável. Mas em tudo isso, se observarmos com atenção, notaremos o toque sábio da natureza.
Porquanto, não nos devemos impressionar; apenas procurar ver a coisa como ela é, não como
gostaríamos que fosse ou como muitos imaginam ser.
 
 Em se tratando de comportamento que tem, como base principal, o interesse, o egoísmo, o
costume, não devemos projetar muitas emoções afetivas nesses momentos antes de, tranqüilamente,
indagarmos da intenção dessas atitudes.
 
 Há ainda a troca convencional de presentes, em nível de Estado, entre chefes de governo de
países, o que é normal ou protocolar.
 
 No passado, no Reino de Portugal, a Casa da Suplicação (o mais alto Tribunal de Justiça de
Portugal e do Brasil colônia), instituía o presente ou propina, por decreto do seu Regedor. Tal propina
não tinha sentido pejorativo e se destinava aos Desembargadores, sendo que o Regedor e o Chanceler do
Tribunal percebiam o dobro da propina destinada a eles.
 
 Recentemente, o milionário francês Edouard Sarousi, teria presenteado milhares de dólares a
Ezer Weizman, atual presidente de Israel. Conduta semelhante teria adotado o magnata Beghyet Pacolli,
presenteando o ex-presidente Boris Yeltsin e sua família, com cartões de crédito do Banco de Gotardo.
 
 Seja como for, na maioria dos casos, é um disfarce para obter vantagem, particularmente na
política. Daí ocorrer por vias transversais, mascarando a verdadeira intenção. Seria isso que aconteceu
com os juízes que foram à Nova York participar de eventos jurídicos? Em tese, não, pois as passagens e
hospedagens, a rigor, teriam sido custeadas pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), à qual,
se cabíveis, devem ser endereçadas as críticas.
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 
 
 
INFLAÇÃO: UM
FATOR DE PROGRESSO
E CORRUPÇÃO?
 
 
 
 Em princípio, sim. Entre seus principais efeitos, sobressai o rebaixamento do nível de vida, a
degradação de padrões morais e cívicos, diminuindo o valor real dos ativos públicos, em virtude da
queda do poder aquisitivo do papel-moeda, desconceituando o comportamento sociopolítico da
comunidade.
 
 As elites especuladoras procuram tirar o maior proveito dessa situação e, conseqüentemente, são
as principais responsáveis pelo agravamento dos problemas oriundos de implicações inflacionárias.
 
 Os entendidos em Economia e os estudiosos do assunto conhecem bem as suas ramificações e
apontam, com argumentos objetivos, a efemeridade do progresso que dela provém e quão nocivo o é,
quando o país atingido não adota providências no sentido de ajustar os soldos e reparar outras distorções
decorrentes do índice inflacionário.
 
 Na proporção em que esse processo se agiganta, deteriora-se o poder aquisitivo, provocando
defasagem na infra-estrutura socioeconômica, com reflexos negativos na superestrutura política e jurídica
do Estado. Em razão das quais, e à medida que as possibilidades de lucros e de novos negócios
aumentam, os compromissos contratuais sofrem impactos e, muitas vezes deixam de ser cumpridos,
estimulando a espiral ascendente dos preços.
 
 O valor dos bens imóveis, sobretudo nos países capitalistas, multiplica-se e a moeda
desvaloriza-se a ponto de, em alguns casos, o governo ter de emitir lastro para compensar a sua
desvalorização, a despeito de essas medidas apenas remediarem o problema. Isto é, corrigem efeitos sem
eliminar a causa. Estes e outros aspectos inflacionários são bastante conhecidos e os países atingidos
lutam para estancá-los.
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 Este fator de corrupção e progresso pouco cuidado tem merecido. Só alguns sociólogos,
economistas e estadistas mais sensíveis estudam e denunciam este ponto, pois, por ser um fato social,
deve ser testemunhado perante a sociedade. É no social que devemos procurar identificar as causas do
social e da corrupção.
 
 Apesar de seu aspecto negativo, a inflação não deixa de ser comum em muitas nações,
principalmente nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Precisamos de prudência, portanto,
ao tratarmos desta matéria, para não chegarmos a conclusões apressadas, que não correspondam às
causas, controle, avaliação positiva e reparo dos efeitos inflacionários. Mas, apesar do enunciado de que
a inflação e a democracia são incompatíveis, é nos regimes democráticos, de modo mais acentuado
naqueles de instabilidades políticas, que os desequilíbrios socioeconômicos são mais graves, porque a
especulação é menos controlada pelo Estado. Daí, ser a inflação menos comum em governos comunistas
e nos países industrializados ou do Primeiro Mundo.
 
 Eis alguns índices de inflação registrados em 1999: Brasil 5,1%, EUA l,4%; Indonésia 32%;
Chile 6%; México 10,6%; Peru 5%; Bolívia 3,85%; Paraguai 5,45%; Uruguai 15,1%; Venezuela 38,25%;
Colômbia 17,95%;Argentina 1,0%; China 1,0%; Japão 1,5%; Alemanha 1,1%; Áustria 1,0%; Bélgica
1,3%; França 1,0%; Espanha 1,0%; Finlândia 1,1%; Holanda 1,1%; Irlanda 1,4%; Itália 2,0%;
Luxemburgo 1,3%; Portugal 2,2%; Cingapura 0,2%.
 
 O que é o Produto Interno Bruto (PIB)? É a soma de toda riqueza produzida num país durante um
ano. O seu crescimento indica progresso econômico do respectivo país.
 
 No Brasil, a estimativa de inflação para o ano 2.000 é de 6%. Em relação ao PIB espera-se um
crescimento anual de 4% e 6,5% em 2001. No ano de 1.999 a carga tributária brasileira chegou a 30,32%
do PIB. Os contribuintes brasileiros pagaram R$ 306,26 bilhões, entre tributos federais, estaduais e
municipais.
 
 Deter a escalada inflacionária, incrementando sob todos os aspectos os fatores de produção, bem
como controlar os custos e incentivar a luta contra a corrupção, é importante. Por outro lado, na medida
do possível, impedir operações mercantis exploradoras de cartéis internacionais e nacionais,