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Adm Pública - A Corrupcao no Brasil

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Bichat João Bosco
Leopoldino
 Conselheiro do Cade
 
 Em princípio, sim. As exceções são muito raras, considerando que o homem é por natureza
corrupto e violento dependendo do interesse, circunstâncias, forma ou técnica para corrompê-lo.
 
 O dito popular “ cada homem tem seu preço” é, também, produto de uma descrença generalizada,
oriunda do baixo conceito de nossas elites socioculturais, econômicas e político-militares. Por outro lado,
sendo o homem ganancioso, geralmente se deixa atrair por interesses escusos, às vezes, aparentemente
lícitos, ou admissíveis segundo os costumes.
 
 Observando atentamente tudo o que dissemos sobre o assunto, o leitor concluirá que o espaço
para situar o homem de bem, incorruptível, é mínimo e pouco “oxigenado”, onde ele poderá perecer se
não for audacioso, rompendo resistências e possuir uma formação bem estruturada e romper resistências.
Daí a dificuldade que há para encontrar pessoas que não se vendam: por uma importância em dinheiro,
um documento representativo de valor, um presente, um emprego, uma reunião de alcova ou um outro
meio qualquer de compensação, ainda que num processo sutil e disfarçado.
 
 Assim, a rigor, para acabar com a corrupção ou com o homem que se vende, teríamos de
extinguir toda a humanidade, o que seria um absurdo, mas não impossível de acontecer no caso de uma
guerra nuclear entre os países possuidores de arsenais atômicos.
 
 Seguramente, a ONU, o instinto de conservação, a ciência, a filosofia e o medo, preservarão o
homem, e o Estado o aperfeiçoará. Não há como admitir a extinção ou autodestruição de uma espécie tão
fenomenal e tão criativa. Ao longo da História, dinastias, impérios, civilizações, tribos, etnias, etc., foram
extintos, tendo como causa principal a corrupção e a violência. No entanto, a espécie humana sobreviveu
e está em expansão.
 
 Em outros planetas, desta ou de outras galáxias, que categoria de desenvolvimento cívico,
intelectual, filosófico, moral e espiritual teria o “homem”? Ou lá não existem seres racionais? A
existência de seres inteligentes em outros sistemas planetários reveste-se de uma clareza meridiana.
Apenas, não dispomos de elementos que nos permitam ter, pelo menos, uma idéia de seus aspectos
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físicos. Quanto ao nível cívico, intelectual, moral e espiritual, acreditamos que essas civilizações
extraterrenas, talvez por serem bem mais antigas, sejam mais evoluídas. Não nos parece utópico pensar
que lá o homem, ou algo semelhante a ele, disponha de uma elevada estrutura sociopolítico-econômica,
integrada por seres insubornáveis, ainda que esta questão, em muitos de seus aspectos e em certas
circunstâncias, dependa do posicionamento do observador. Se o leitor parar para pensar, concordará
conosco. A esta conclusão chegamos partindo de princípios lógicos. Não se
trata de ficção. Mas, o leitor poderá indagar sobre a objetividade de se ir tão longe, ainda que em
pensamento, em busca de respostas que podem ser encontradas entre nós, pois, ao que tudo indica, os
princípios cósmicos são os mesmos em todas as galáxias.
 
 Voltemos à Terra e empreguemos o melhor de nossos esforços augurando melhores dias. Afinal,
a Terra é tão fértil! Portanto, desde que bem explorada, poderá nos proporcionar excelentes colheitas;
continuando, contudo, em sintonia com o posto emissor ou essência, se bem que, reiterando o que
dissemos antes, de alguma maneira, somos reflexo dessa essência. Seríamos, então, eternos? A essência,
sim. Nós, não. E a reencarnação? Não existe. E a alma? Também não existe. E o espírito? Igualmente
não existe. O que resta afinal, quando morremos? A essência, de onde, ao que parece, defluem todas as
coisas. Dentro desta ordem de importância, o problema da reencarnação, ainda que num sentido
evolutivo, não deixaria de ser uma coisa estática, portanto, ilógica, já que tudo no Universo é dinâmico?
Até certo ponto, sim. Este conceito relacionar-se-ia com a conclusão a que chegou Lavoisier, de que na
vida nada se perde, nada se cria, tudo se transforma? Ao nosso ver, sim.
 
 O retorno de alguém que já morreu, nos termos em que o assunto vem sendo observado, não
convence e não condiz com o dinamismo da natureza. Deste modo, em se tratando de avaliações que não
corresponda a realidade, constituem uma forma de corrupção. Devem, portanto, ser revisadas, inclusive 
em relação à ressurreição de quem morreu, exceto se por meio de clonagem.
 
 A origem da vida e dos seus mistérios, estão continuamente se distanciando de nossos minguados
conhecimentos, bloqueados por charlatães que se dizem mensageiros de Deus! Mas, o seu inimigo
mortal, a ciência, vem avançando extraordinariamente, demolindo os seus falsos conceitos.
 
 A abrangência do significado que podemos atribuir à palavra essência satisfaz mais a nossa
imaginação na observação das origens e fins. As características atribuídas ao espírito que reencarna num
sentido evolutivo ou não, à alma ou algo semelhante, amparam-se em hipóteses que não satisfazem às
indagações sobre este vastíssimo campo de estudos, ora bloqueando, ora limitando nossa sintonia com a
essência e unidade dos objetos. Precisamos deixar de andar na contramão, abastecendo-nos em sacolões
de crendices.
 
 Quanto à origem dessa essência, ainda que queiramos considerar o que houver de melhor a
respeito, nada sabemos seguramente. Ao que parece, é pacífica a sua eternidade, uma vez que não
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poderia ter vertido do nada ou vácuo. São leis cósmicas inteligentes que não conhecemos bem, apesar de
sermos partículas, ainda que insignificantes, delas.
 
 Nosso pensamento acerca dessa essência fundante não é pretensioso. Nem poderia sê-lo com
referência a matéria tão imensurável e discutível, cuja valoração dependerá do resultado de futuras
pesquisas, que poderão até concluir que essa essência também é mortal. Os homens sempre foram
mortais, porém, a humanidade e outros objetos, em razão de tal essência, seriam imortais. No momento,
estamos jogando no escuro, a exemplo do que fazem os astrônomos que ora pesquisam os chamados
“buracos negros” e estrelas de nêutrons (que seriam constituídas das matérias mais densas do Universo),
de onde estariam captando ondas de rádio que estariam sendo emitidas de uma distância de 13 bilhões de
anos luz ou mais. Mas, os vôos espaciais e a astrofísica poderão nos levar a novas concepções do
Universo e da origem da vida! Até lá, é mais inteligente duvidar, ao invés de afirmar. A dúvida é mais
dinâmica do que a afirmação.
 
 Como se vê, nesta análise superficial, o estudo da relação homem-natureza deveria fazer parte da
bagagem de qualquer leitor culto. Ela abrange a nossa visão do Universo e evidencia as nossas limitações
a respeito da duração, do começo e do fim.
 
 Como é óbvio, a vida e a morte andam sempre de mãos dadas. Portanto, nascer e morrer, comer
ou ser comido, também são manifestações sábias dessa essência.
 
 A questão é ampla e complexa, devendo ser observada em seus diversos aspectos e significados
que atribuímos à palavra preço: o preço da glória! O preço da virtude! O preço da coragem! O preço do
sacrifício de Jesus! etc.
 
 
 
 
 
 
 
A PROPÓSITO DE PREÇO E CARÁTER,
TRANSCREVEMOS O SEGUINTE POEMA:
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 
 
 
 
 Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
 Se caráter custa caro
 Pago o preço.
 
 
 Pago embora