A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
153 pág.
DIREITO DO TRABALHO I - Márcio Túlio Viana - 70 Anos de CLT - 2013

Pré-visualização | Página 12 de 36

nº 1.641, de 7 de Janeiro de 1907) 
Providencia sobre a expulsão de estrangeiros do territorio nacional.
O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil:
Faço saber que o Congresso Nacional decretou e eu sancciono a seguinte resolução:
Art. 1º O estrangeiro que, por qualquer motivo, comprometter a segurança nacional 
ou a tranquillidade publica, póde ser expulso de parte ou de todo o territorio nacional.
Art. 2º São tambem causas bastantes para a expulsão: 1ª, a condemnação ou 
processo pelos tribunaes estrangeiros por crimes ou delictos de natureza commum; 2ª, 
duas condemnações, pelo menos, pelos tribunaes brazileiros, por crimes ou delictos de 
natureza commum; 3ª, a vagabundagem, a mendicidade e o lenocinio competentemente 
YHULÀFDGRV�
Art. 3º Não póde ser expulso o estrangeiro que residir no territorio da Republica por 
dous annos continuos, ou por menos tempo, quando:
a) casado com brazileira;
E��YLXYR�FRP�ÀOKR�EUD]LOHLUR�
Art. 4º O Poder Executivo póde impedir a entrada no territorio da Republica a todo 
estrangeiro cujos antecedentes autorizem incluil-o entre aquelles a que se referem os arts. 
1º e 2º.
Paragrapho unico. A entrada não póde ser vedada ao estrangeiro nas condições do 
art. 3º, si tiver se retirado da Republica temporariamente.
Art. 5º A expulsão será individual e em fórma de acto, que será expedido pelo 
Ministro da Justiça e Negocios Interiores.
Art. 6º O Poder Executivo dará annualmente conta ao Congresso da execução da 
presente lei, remettendo-lhe os nomes de cada um dos expulsos, com a indicação de sua 
nacionalidade, e relatando igualmente os casos em que deixou de attender á requisição 
das autoridades estadoaes e os motivos da recusa.
$UW���ž�2�3RGHU�([HFXWLYR�IDUi�QRWLÀFDU�HP�QRWD�RIÀFLDO�DR�HVWUDQJHLUR�TXH�UHVROYHU�
expulsar, os motivos da deliberação, concedendo-lhe o prazo de tres a trinta dias para 
se retirar, e podendo, como medida de segurança publica, ordenar a sua detenção até o 
momento da partida.
Art. 8º Dentro do prazo que fôr concedido, póde o estrangeiro recorrer para o proprio 
Poder que ordenou a expulsão, si ella se fundou na disposição do art. 1º, ou para o Poder 
Judiciario Federal, quando proceder do disposto no art. 2º. Sómente neste ultimo caso o 
recurso terá effeito suspensivo.
3DUDJUDSKR�XQLFR��2�UHFXUVR�DR�3RGHU�-XGLFLDULR�)HGHUDO�FRQVLVWLUi�QD�MXVWLÀFDomR�
da falsidade do motivo allegado, feita perante o juizo seccional, com audiencia do 
ministerio publico.
Art. 9º O estrangeiro que regressar ao territorio de onde tiver sido expulso será 
punido com a pena de um a tres annos de prisão, em processo preparado e julgado pelo 
juiz seccional e, depois de cumprida a pena, novamente expulso.
Art. 10. O Poder Executivo póde revogar a expulsão, si cessarem as causas que a 
determinaram.
Art. 11. Revogam-se as disposições em contrario.
Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1907, 19º da Republica.
AFFONSO AUGUSTO MOREIRA PENNA. Augusto Tavares de Lyra.
119 Em 1919, o Governo deportou grandes líderes, como Everardo Dias. Apesar de 
conseguir algumas vitórias em greves, foram “vitórias no varejo e derrotas no atacado” 
(Gomes, Ângela de Castro. Obra citada, p. 131 e 133)
Márcio Túlio Viana
57
Muitos tiveram de voltar mesmo. Nas prisões e nos navios, violências e 
PLVpULDV��8P�GRV�H[SXOVRV�GR�3DtV�IRL�R�MRUQDOLVWD�2UHVWL�5LVWRUL��HGLWRU�GH�XP�
MRUQDO�DQDUTXLVWD��
 
 
 120
O anarquismo passa a ser visto como crime. Os discursos em favor dos 
imigrantes são virados pelo avesso.��� Ser patriota, então, passa a ser também 
valorizar o nosso trabalhador.��� Em alguns discursos, nos anos de guerra, 
*HW~OLR�R�FRPSDUDYD�D�XP�VROGDGR��
Pouco a pouco ia crescendo a propaganda antianarquista. Ela se 
espalhava pelos jornais, rádios, comícios, revistas, conversas, livros e 
igrejas. Esse quadro piorou com a guerra, pois as pessoas se sentiam mais 
nacionalistas. Para os anarquistas, tudo se tornou mais difícil. 
(UD�SUHFLVR�²�H�HOHV�EHP�TXH�WHQWDUDP�²�FRQYHQFHU�DV�SHVVRDV�GH�TXH�´ QmR�
eram covardes, ignorantes, inimigos da Pátria”, nem violentos e ameaçadores 
e que seus interesses eram os do Brasil.��� Na verdade, nem mesmo tinham 
D�IRUoD�TXH�SDUHFLDP�WHU��HUDP�´IUHTXHQWHPHQWH�GHVUHVSHLWDGRV�H�QmR�HUDP�
sequer ouvidos, mas sim perseguidos, presos e violentados”.���
120 Oresti Ristori, conhecido jornalista anarquista, diretor responsável pelo jornal 
“La Bataglia”. Participou ativamente do movimento operário brasileiro no início do séc. 
XX, era militante de tendência ideológica anarquista e foi expulso do País durante o 
Estado Novo. 
121 GOMES, Ângela de Castro. Obra citada, p. 134-135
122 Em 1930 se iniciou uma política de proteção ao trabalhador nacional, exigindo, 
por exemplo, que pelo menos 2/3 dos trabalhadores nas empresas fossem brasileiros.
123 GOMES, Ângela de Castro. Obra citada, p. 104-105
124 GOMES, Ângela de Castro. Obra citada, p. 106
 anos de CLT Uma história de trabalhadores 
58
7DPEpP�RV�FRPXQLVWDV�²�DOLDGRV�GH�*HW~OLR�QXP�SULPHLUR�PRPHQWR�²�
FRPHoDUDP�D�VHU�FDoDGRV��$�HVWUDWpJLD�HUD�LVROi�ORV�H��DR�PHVPR�WHPSR��DWUDLU�
RV�WUDEDOKDGRUHV�FRP�´XP�GLVFXUVR�VRFLDO�WUDEDOKLVWDµ����
Mas não houve uma separação completa entre o modelo de trabalhador 
construído pelos anarquistas ou comunistas e o modelo que Vargas começou a 
construir. Muita coisa de um passou para o outro. O novo modelo de trabalhador 
trazia coisas de passado – como a memória das lutas, das tradições. E elas se 
misturaram com o presente.��� 
(P�DOJXQV�SRQWRV��RV�GRLV�PRGHORV�²�R�QRYR��GH�*HW~OLR��H�R�DQDUTXLVWD�RX�
comunista – até coincidiam. O homem-trabalhador seria honesto, sério, sem vícios. 
(�VHULD�SDUWH�GH�XP�JUXSR��$OpP�GLVVR��R�WUDEDOKR�RFXSDULD�R�FHQWUR�GH�VXD�YLGD��
Nos comícios e nas ondas do rádio,�&DUORV�*DOKDUGR�FDQWDYD�D�P~VLFD�GH�
$UL�.HUQHU�TXH�R�*RYHUQR�WLQKD�HVFROKLGR�FRPR�D�´&DQomR�GR�7UDEDOKDGRUµ�
Somos a voz do progresso 
E do Brasil a esperança. 
Os nossos braços de ferro 
Dão-lhe grandeza e pujança.
Mas se havia coincidências, o novo discurso sobre o trabalhador destoava 
HP�YiULRV�SRQWRV�GR�DQWLJR��$ÀQDO��HUD�IHLWR�para ele, mas não por ele. Esse 
novo homem que se estava projetando não iria sonhar com a revolução. 
$R�FRQWUiULR��WHULD�GH�DSRLDU�XPD�UHEHOLmR�Mi�IHLWD��XP�JROSH�GH�(VWDGR�²�R�
´(VWDGR�1RYRµ�
$OpP� GLVVR�� HOH� VH� HQTXDGUDULD�� GH� XPD� YH]� SRU� WRGDV�� QR� VLVWHPD�
FDSLWDOLVWD��6HULD�XP�SDWULRWD��3RU�LVVR��&DUORV�*DOKDUGR�WDPEpP�FDQWDYD�
Seja na terra fecunda, 
Seja no céu ou no mar. 
Sempre estaremos presentes, 
Tendo na Pátria o altar.127
125 NEVES, Lucilia de Almeida. PTB – do getulismo ao reformismo – 1945-1964. S 
Paulo: Marco Zero, 1989, p. 45-46 e 51.
126 A lição é de Ângela de Castro Gomes. Obra citada, p. 27
127 Bilhão, Isabel. “Trabalhadores do Brasil!”: as comemorações do Primeiro de 
Maio em tempos de Estado Novo varguista”. P. 80-81. In: http://www.scielo.br/pdf/rbh/
v31n62/a06v31n62.pdf
Márcio Túlio Viana
59
0DV�FRPR�FRQYHQFHU�R�WUDEDOKDGRU�GH�TXH�HOH�HUD��RX�GHYLD�VHU��WXGR�LVVR��
e também apenas isso?
e�QHVVH�SRQWR�TXH�HQWUD�HP�FHQD�R�FKDPDGR�´PLWR�GD�RXWRUJDµ��(P�JHUDO�
se diz que houve uma espécie de troca, ou mesmo um pacto, quase como o que 
tinha acontecido nos países centrais. Os trabalhadores aderiram ao projeto do 
*RYHUQR�HP�WURFD�GD�OHL�TXH�RV�SURWHJLD��
'H�DFRUGR�FRP�HVVD�H[SOLFDomR��*HW~OLR�IRL�FRQYHQFHQGR�RV�WUDEDOKDGRUHV�
– com muita propaganda��� – de que todos os direitos que tinham surgido, 
e que iriam surgir ainda, eram uma espécie de doação.��� Ora, quem recebe 
alguma coisa sente obrigação de retribuir. Como�UHWULEXLU"�4XDQGR�ID]HPRV�
XP� FRQWUDWR�� HP�JHUDO� WURFDPRV�XPD� FRLVD�SHOD� RXWUD�� WDQWR�SRU� WDQWR�� -i�
QDV� UHODo}HV� GH� IDPtOLD�� QmR� VHJXLPRV� HVVD� OHL� GR� PHUFDGR�� QmR� Ki� HVVD�
matemática.130 $VVLP��DOJXpP�SRGH�ÀFDU�GHYHQGR��VHP�QXQFD�SDJDU��(�LVVR�