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Manual de Licitações e Contratos do TCU - 4 Edição - 2011

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não sana 
a irregularidade apontada, pois exige-se que efetivamente, no mínimo, 
três participem da licitação, o que não ocorreu no presente caso. Das cinco 
empresas que apresentaram documentação, três foram inabilitadas na etapa 
relativa à qualificação técnica e documentos complementares, e a quarta 
empresa foi inabilitada na apresentação da proposta comercial. Logo, somente 
uma empresa apresentou proposta válida.
Diante disso, caberia aos responsáveis repetir o convite e caso não lograssem 
êxito na obtenção de três propostas válidas, poder-se-ia, aí sim, considerar 
atendidos os requisitos da Lei. É claro que essas circunstâncias deveriam ser 
devidamente justificadas no processo, conforme prescreve o § 7º do art. 22, 
o que não aconteceu no presente caso. Esse é o verdadeiro sentido do art. 
22, § 7º, da Lei nº 8.666/1993, ou seja, de justificar a licitação deserta ou sem 
competição, e não como alegam os recorrentes de dar “conhecimento prévio” 
do interesse da contratação do serviço.
A razão de ser dessa exigência do Tribunal, no sentido de que o convite tenha, 
no mínimo, três propostas válidas, é resguardar a obediência aos princípios da 
licitação (art. 3º da Lei nº 8.666/1993). Em sendo o convite dos participantes 
um ato discricionário da Administração, evita-se o direcionamento da licitação 
a determinadas empresas, de modo a se dificultar eventuais burlas à licitação. 
Nesse sentido, bem pontuou Jorge Ulisses Jacoby Fernandes (in Contratação 
Direta sem Licitação, 4a. ed., 1999, Ed. Brasília Jurídica):
“Como no convite há parcela de discricionariedade, não se pode pretender 
que seja o certame considerado regular quando menos de três licitantes 
se apresentam. Ora, quem convida é a Administração, e esta não pode 
pretender valer-se de um convite mal formulado para validar uma 
escolha. (...)
Assim, num mercado de 500 ou 50 papelarias, se um órgão convida 5 
ou 10 empresas não se pode, com segurança, afirmar que há manifesto 
desinteresse dos convidados, como também afastar de plano que a 
Administração tenha dirigido mal o convite. Parece, por exemplo, que 
certamente estará caracterizado o manifesto desinteresse se, convidado 
número razoável, os mesmos declinarem alegando dificuldades de 
contratar com órgão público” (grifos nossos)
Quanto à alegação de que a jurisprudência deste Tribunal não seria uníssona 
sobre o tema, a mesma não procede. Os precedentes a que fazem alusão os 
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Licitações e Contratos - Orientações e Jurisprudência do TCU
recorrentes “Decisões ns. 425 e 234, ambas de 1993”, na verdade constituem 
os entendimentos lançados pelo Tribunal no processo TC 425.234/1991-6. A 
respeito, bem se manifestou a Unidade Técnica no sentido de que: “Na verdade 
as orientações contidas são complementares, pois realçam a necessidade do 
número mínimo de três propostas realmente válidas, sendo que somente 
em casos circunstanciais, como a limitação de mercado ou o manifesto 
desinteresse, deve-se justificar o fato no processo.”
Por fim, neste ponto, quanto à alegação de que a invalidação do convite 
implicaria violação ao princípio do interesse público, dada a urgência de 
sua realização, a mesma não socorre aos recorrentes. É que não pode o 
administrador, a pretexto da defesa do interesse público, violar regra também 
de interesse público, qual seja: todas as aquisições de produtos/serviços devem 
ser procedidas de licitação, somente em casos excepcionais (que não é o que 
se apresenta nos autos) pode ser afastada.
Acórdão 1730/2005 Segunda Câmara (Relatório do Ministro Relator)
Faça constar dos processos administrativos os comprovantes de entrega da 
carta-convite a no mínimo três fornecedores com atuação na área do objeto 
licitado e, em caso de inexistência de três propostas válidas, promova a 
realização de novo certame.
Acórdão 4067/2009 Segunda Câmara (Relação)
Consulte também as Decisões: Plenário: 955/2002, 472/1999, 197/1997, 202/1996; 
os Acórdãos: Plenário: 2076/2006, 1623/2006, 301/2005, 1355/2004, 642/2004, 
93/2004, 1781/2003, 1467/2003; Primeira Câmara: 3564/2006, 2136/2006, 1710/2006, 
483/2005, 2602/2003, 2528/2003; Segunda Câmara: 3845/2005, 628/2005, 595/2001, 
406/1996.
Pregão
Modalidade realizada entre interessados do ramo de que trata o objeto da 
licitação que comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos 
no edital, em que a disputa pelo fornecimento de bens ou serviços comuns é feita 
em sessão pública. Pode ser presencial ou eletrônico.
Pregão destina-se exclusivamente à contratação de bens e serviços comuns, 
independentemente do valor estimado da contratação. Nessa modalidade, os 
licitantes apresentam propostas de preço por escrito e por lances, que podem ser 
verbais ou na forma eletrônica.
Tribunal de Contas da União
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Foi instituído pela Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002. No âmbito federal, 
o presencial é regulamentado pelo Decreto nº 3.555, de 8 de agosto de 2000; o 
eletrônico, pelo Decreto nº 5.450, de 31 de maio de 2005.
Na Administração Federal, o uso do pregão é obrigatório na contratação de 
bens e serviços comuns. A decisão pela inviabilidade de utilização do pregão deve 
ser justificada pelo dirigente ou autoridade competente, de forma motivada e 
circunstanciada.
Não se aplica a modalidade pregão à contratação 
de obras de engenharia, locações imobiliárias 
e alienações. Esse é o comando legal.
Nas contratações para aquisição de bens e serviços comuns para entes públicos 
ou privados, realizadas com recursos públicos da União, repassados por meio de 
celebração de convênios ou instrumentos congêneres ou consórcios públicos 
será obrigatório o emprego da modalidade pregão, preferencialmente na forma 
eletrônica, conforme estabelece o art. 4º, § 1º, do Decreto no 5.504, de 5 de agosto 
de 2005.
órgãos e entidades privadas sem fins lucrativos, convenentes ou consorciados 
com a União, podem utilizar-se de sistemas de pregão eletrônico próprios ou 
de terceiros.
Pregão é modalidade de licitação em que a disputa 
pelo fornecimento de bens ou serviços comuns é feita 
em sessão pública, ainda que virtual. Os licitantes após 
apresentação das propostas com os preços escritos 
têm a faculdade de reduzi-los mediante lances verbais 
ou via internet. 
 
Ao contrário do que ocorre nas demais modalidades, 
em pregão a escolha da proposta é feita antes 
da análise da documentação, razão maior da 
celeridade que envolve o procedimento.
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Licitações e Contratos - Orientações e Jurisprudência do TCU
DELIBERAÇÕES DO TCU
Em atenção ao art. 4º do Decreto 5.450/2005, deve ser adotada a forma 
eletrônica nos pregões, salvo nos casos de comprovada inviabilidade, a ser 
justificada pela autoridade competente, observando o disposto no item 9.2.1 
do Acórdão nº 2471/2008 Plenário.
Acórdão 2340/2009 Plenário (Sumário)
A realização de licitação na modalidade pregão não se configura instrumento 
hábil à aquisição de bens e serviços incomuns.
Acórdão 1168/2009 Plenário (Sumário)
A utilização da modalidade pregão é possível, nos termos da Lei nº 10.520/2002, 
sempre que o objeto da contratação for padronizável e disponível no mercado, 
independentemente de sua complexidade.
Acórdão 2172/2008 Plenário (Sumário)
Para habilitação de licitantes em pregão eletrônico, deve ser exigida, 
exclusivamente, a documentação disposta no art. 14 do Decreto nº 5.450/2005. 
Dessa forma, indiscutível é a falta de amparo legal para exigência de declaração 
de compromisso de solidariedade do fabricante do produto como condição 
para habilitação, o que conduz à anulação do processo licitatório.
Acórdão 1729/2008 Plenário (Sumário)
A licitação na modalidade pregão não se configura instrumento hábil à 
aquisição de bens e serviços