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Manual de Licitações e Contratos do TCU - 4 Edição - 2011

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Os critérios de pontuação da proposta técnica devem ser compatíveis 
e proporcionais ao objeto a ser executado, evidenciando os seus itens 
mais relevantes. A inobservância de tais pressupostos pode caracterizar 
direcionamento do certame.
Acórdão 3556/2008 Segunda Câmara (Voto do Ministro Relator)
Consulte também as Decisões: Plenário: 351/2002, 584/1999; os Acórdãos: 
Plenário: 1791/2009, 1672/2006, 304/2006, 117/2006, 2095/2005, 479/2004, 1454/2003, 
1292/2003; Primeira Câmara: 1861/2008, 3659/2007, 3149/2007; Segunda Câmara: 
1183/2009 (Sumário), 4614/2008, 3556/2008, 2231/2006, 1939/2006, 577/2006, 
511/2006.
Observações importantes quanto ao uso dos 
tipos melhor técnica e técnica e preço
Tipos de licitação melhor técnica e técnica e preço, conforme visto, serão utilizados 
exclusivamente na contratação de serviços de natureza predominantemente 
intelectual, em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão, 
gerenciamento e de engenharia consultiva em geral, e em particular, para a 
elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos.
Os tipos melhor técnica e técnica e preço podem, em caráter excepcional, 
ser adotados para compra de bens, execução de obras ou prestação de serviços 
de grande vulto, mediante autorização expressa e justificativa circunstanciada 
da maior autoridade da Administração promotora da licitação assinalada no ato 
convocatório. Aplica-se aos casos em que o objeto pretendido admite soluções 
Tribunal de Contas da União
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alternativas e variações de execução, com repercussões significativas sobre 
qualidade, produtividade, rendimento e durabilidade concretamente mensuráveis, 
e puderem ser adotadas à livre escolha dos licitantes, em conformidade com os 
critérios objetivamente fixados no ato convocatório.
Nesse caso, o objeto deve ser de grande vulto e depender majoritariamente de 
tecnologia nitidamente sofisticada e de domínio restrito, atestada por autoridades 
técnicas de reconhecida qualificação.
Tipo técnica e preço será utilizado obrigatoriamente 
em licitações nas modalidades tomada de preços e 
concorrência para contratação de bens e serviços de 
informática. 
 
Não é obrigatória a utilização do tipo de licitação 
“técnica e preço” na modalidade convite.
DELIBERAÇÕES DO TCU
A jurisprudência deste Tribunal é pacífica no sentido de que quaisquer critérios 
de pontuação e valoração dos quesitos das propostas técnicas dos licitantes 
devem ser compatíveis com o objeto licitado.
Nos certames licitatórios do tipo “melhor técnica” ou “técnica e preço”, atente, 
quando do estabelecimento de critérios de pontuação e valoração dos 
quesitos da proposta técnica dos licitantes, para fins de obtenção dos índices 
técnicos, para:
a adequação e compatibilidade das comprovações requeridas com o •	
objeto licitado, de modo a atribuir pontuação proporcional à relevância 
e à contribuição individual e conjunta de cada quesito para a execução 
contratual, observando-se, ainda, a pertinência deles em relação à 
técnica a ser valorada, de modo a não prejudicar a competitividade do 
certame pelo estabelecimento de pontuação desarrazoada, limitadora da 
competitividade da disputa ou, ainda, sem relação de pertinência com os 
requisitos técnicos indispensáveis à boa execução dos serviços;
a necessidade de se sopesar os critérios de pontuação e valoração dos •	
quesitos de forma a não favorecer nenhum dos licitantes, em especial 
aqueles que prestam ou prestaram serviços (...).
Acórdão 2681/2008 Plenário
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Licitações e Contratos - Orientações e Jurisprudência do TCU
Ressalto, a propósito, que os serviços de caráter predominantemente 
intelectual devem ser licitados com a adoção dos tipos de licitação melhor 
técnica ou técnica e preço. E quando se tratar de serviços de informática com 
essa característica, com a utilização do tipo técnica e preço. Tal conclusão 
decorre dos preceitos contidos nos arts. 45, § 4º, e 46 da Lei nº 8.666/1993.
Entendo como serviços de natureza intelectual aqueles em que a arte e a 
racionalidade humana sejam essenciais para a sua satisfatória execução. Não se 
trata, pois, de tarefas que possam ser executadas mecanicamente ou segundo 
protocolos, métodos e técnicas pré-estabelecidos e conhecidos.
Acórdão 2172/2008 Plenário (Declaração de Voto)
Para tanto, devem ser examinadas as disposições da Lei nº 8.666/1993, para a 
fixação de critérios de pontuação técnica das propostas. Assim, nos termos do 
art. 46, inciso I, da referida Lei, que trata de procedimento específico para as 
modalidades melhor técnica e técnica e preço, resta definido que os critérios 
relativos à verificação da técnica devem ser pertinentes e adequados ao objeto 
licitado e “definidos com clareza e objetividade no instrumento convocatório 
e que considerem a capacitação e a experiência do proponente, a qualidade 
técnica da proposta, compreendendo metodologia, organização, tecnologias 
e recursos materiais a serem utilizados nos trabalhos, e a qualificação das 
equipes técnicas a serem mobilizadas para a sua execução”.
Acórdão 1993/2008 Plenário (Voto do Ministro Relator)
FAses dA liCitAção
Atos de licitação devem desenvolver-se em sequência lógica, após identificação 
de determinada necessidade a ser atendida até assinatura do respectivo contrato 
ou emissão de documento equivalente. A prática, não a lei, separou a licitação em 
duas fases: interna e externa. Existe sigilo somente quanto ao conteúdo da proposta, 
que se estende até a respectiva abertura dos envelopes.
Fase interna ou preparatória•	
Nesse momento, verificam-se procedimentos prévios à contratação: identificação 
de necessidade do objeto, elaboração do projeto básico (ou termo de referência), 
estimativa da contratação, estabelecimento de todas as condições do ato 
convocatório etc.
Tribunal de Contas da União
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Fase externa ou executória•	
Inicia-se com a publicação do edital ou com a entrega do convite e termina 
com a contratação do fornecimento do bem, da execução da obra ou da prestação 
do serviço.
É facultada aos responsáveis pela licitação ou 
autoridade superior, em qualquer momento, a 
promoção de diligências destinadas a esclarecer ou 
a complementar a instrução do processo de licitação, 
vedada inclusão posterior de documento ou informação 
que deveria constar originariamente da proposta.
DELIBERAÇÕES DO TCU
Em suma, considerando que os interesses maiores da Administração são 
delineados na instância gerencial da autoridade superior, não caberia à 
comissão de licitação, em virtude dos atos específicos de que se encarrega (fase 
externa), decidir sobre matéria que afete, mesmo indiretamente, a gerência 
das atividades da instituição (fase interna).
Em tais hipóteses de vícios relevantes, entendemos que a incumbência da 
comissão de licitação se esgotaria por declarar a incidência dos atos nulos 
ou anuláveis, bem como de suas repercussões no caso concreto, submetendo 
a partir daí a matéria, a título de proposta de decisão, à autoridade superior 
para que delibere por refazer fases do certame ou, então, por anular toda 
a licitação e instaurar novo processo administrativo. Noutras palavras, a 
comissão de licitação pode declarar a nulidade dos próprios atos, mas cabe 
à autoridade superior decidir entre a continuidade do certame ou a abertura 
de outro. Corrobora essa linha de raciocínio a disciplina estabelecida no art. 
43, § 3º, da Lei n.º 8.666/93 para controle dos atos da licitação também pela 
autoridade superior em qualquer fase da licitação, vale dizer, a qualquer tempo, 
independentemente da existência de impugnações e recursos ou antes mesmo 
da fase de homologação e adjudicação.
Ainda a propósito do mesmo entendimento, Marçal