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Apostila Verbas

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proporção. Fundamento: desde 28 de abril de 
1997, o TST, pela OJ 84, da SDI-I, entendeu que a proporcionalidade do aviso prévio, com base no 
tempo de serviço, depende da legislação regulamentadora, posto que o art. 7º, XXI, da Constituição 
Federal de 1988 não é autoaplicável. 
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Apostila de verbas trabalhistas v. 01.2014 
Temos, então, de pensar no mandado de injunção. 
O mandado de injunção será concedido sempre que a falta de norma 
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das 
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LVXXI, CF). 
Trata-se de um instrumento de implementação do ideal contido no art. 5º, § 1º, CF, ou 
seja, de normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 
Poderá ser impetrado por qualquer pessoa cujo exercício de um direito, liberdade ou 
prerrogativa constitucional esteja sendo inviabilizado em virtude da falta de norma regulamentadora 
da Constituição. 
Além do individual, o STF já admitiu o mandando de injunção de natureza coletiva. 
No polo passivo, somente o Poder Público poderá figurar, já que possui a 
incumbência de emanar provimentos normativos que permitam a aplicabilidade da Constituição. 
Em 2011, estavam em pauta junto ao Supremo Tribunal Federal, quatro mandados de 
injunção a respeito da proporcionalidade do aviso prévio (art. 7º, XXI, CF) (MI 943. 1.010, 1.074 e 
1.090). 
O STF suspendeu o julgamento por entender que deveria atribuir a cada impetrante o 
direito pleiteado, visto que não mais seria recomendável apenas reconhecer a omissão do legislador. 
Entendemos que a melhor forma de se obter uma decisão para tais trabalhadores 
seria o mandando de injunção coletivo. 
 
5.5.3. Cabimento 
 
O aviso prévio, como regra, é aplicável nos contratos por prazo indeterminado (art. 
487, caput, CLT). 
Como instituto, o aviso prévio denota o direito recíproco do empregado e do 
empregador em comunicar à parte contrária o não -desejo de continuar com o contrato individual de 
trabalho, logo, é cabível no pedido de demissão e na dispensa imotivada. 
Porém, há outras situações nas quais o aviso prévio é cabível: 
a) na extinção da empresa sem força maior (Súmula n. 44, TST); 
b) da dispensa indireta (art. 487, § 4º, CLT); 
c) falência (art. 449, CLT). 
O aviso prévio é cabível no caso da culpa recíproca pela metade (art. 484, CLT; 
Súmula n. 14, TST). 
Por exceção, o aviso prévio é aplicável nos contratos por prazo determinado, quando 
nele houver a cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antes de expirado o termo 
ajustado, caso seja exercido tal direito por qualquer das partes (art. 481, CLT). 
O Tribunal Superior do Trabalho, por intermédio da Súmula n. 163 entende que cabe 
aviso prévio nas rescisões antecipadas dos contratos de experiência, de acordo com o art. 481 da 
CLT. 
No contrato de trabalho temporário (Lei n. 6.019/74), o aviso prévio não é cabível, já 
que as partes têm conhecimento antecipado do termo final do contrato, o qual não pode ser superior a 
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três meses. 
O direito aos salários do período de férias escolares assegurado aos professores (art. 322, 
caput e § 3º, da CLT) não exclui o direito ao aviso prévio, na hipótese de dispensa sem justa causa ao 
término do ano letivo ou no curso das férias escolares. (Súmula n. 10, TST). 
 
5.5.4. Os efeitos do aviso prévio 
 
5.5.4.1. O aviso prévio do empregador 
 
Nas rescisões por iniciativa do empregador, o aviso prévio pode ser trabalhado ou 
indenizado. 
De qualquer forma, integra o período no seu tempo de serviço ( art. 487, § 1º, CLT), 
inclusive para pagamento das férias e do décimo terceiro salário – 1/12 e dos depósitos fundiários 
(Súmula n. 305, TST). 
Quando o aviso prévio é laborado, a jornada de trabalho será reduzida em duas horas 
ou ocorrerá à dispensa por sete dias corridos, sem prejuízo dos salários (art. 488, CLT). 
Quando a jornada normal praticada pelo empregado é inferior a oito horas, em uma 
interpretação sistemática, haverá a redução proporcional da sua jornada durante o período do aviso 
prévio. Como sabemos, a carga horária normal geral é de oito horas diárias (art. 7º, XIII, CF), sendo 
que a redução é de duas horas (25% da jornada diária). Se de fato, o empregado labora quatro horas 
diárias, haverá uma redução da sua jornada diária, durante o aviso prévio, de uma hora, o que 
equivalerá a 25% da sua jornada contratual normal. 
A não observância da redução diária ou semanal da jornada frustra a finalidade 
do instituto, ocasionando a ineficácia da comunicação dada, devendo ser pago outro aviso 
prévio. 
Pondere-se, que é ilegal substituir o período que se reduz da jornada de trabalho, no 
aviso prévio, pelo pagamento das horas correspondentes (Súmula n. 230, TST). 
O empregado rural tem direito a um dia por semana para procurar um novo emprego 
(art. 15, Lei n. 5.889/73). 
 
5.5.4.1.1. O Empregador e a proporcionalidade do aviso prévio 
 
O aviso prévio e o seu elastecimento é uma limitação ao poder potestativo do 
empregador em proceder à dispensa unilateral dos seus empregados. 
Por lei, de forma inicial, cabe ao empregador escolher como será o aviso prévio: 
indenizado ou laborado (art. 488, caput, CLT). 
Se for indenizado, o aviso prévio deverá observar a limitação temporal de 30 dias 
somado ao lapso de 3 dias por cada ano de trabalho para o empregador. 
Se for trabalhado, o empregador não pode exigir que o empregado seja obrigado a 
cumprir a totalidade do número de dias de aviso prévio. Vale dizer, o empregado será obrigado a 
cumprir no máximo 30 dias, tendo o empregado o direito a optar pela redução diária de duas horas 
ou uma semana por inteiro (art. 488, parágrafo único). 
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5.5.4.2. Aviso prévio do empregado 
 
O não cumprimento do aviso por parte do empregado dá ao empregador o direito aos 
salários correspondentes ao período (art. 487, § 2º, CLT). Em função dessa faculdade, o empregador 
terá direito ao desconto ao saldo de salário ou a qualquer crédito. 
Sergio Pinto Martins50 entende que “o empregador só poderá descontar do 
empregado os salários do período mencionado e não outro tipo de verba, como férias, por exemplo. 
Se o empregado não presta serviços durante o aviso prévio, por sua própria decisão, perde o direito 
ao restante do aviso prévio.” 
Valentin Carrion51 pondera que a “ruptura súbita pelo empregado dá ao empregador 
direito de descontar a importância de um salário mensal (Barreto Prado, Tratados; Maranhão, Direito 
do Trabalho); apesar de opiniões em contrário, a compensação pode ser realizada com qualquer 
crédito que o empregado tiver e não apenas com o saldo salarial, se este já foi pago; a expressão 
legal quis fixar o montante e não que a compensação seja autorizada