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Apostila Verbas

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somente apenas sobre os 
salários, exatamente a parcela mais intangível que a literatura jurídica reconhece; o entendimento 
contrário é ilógico, mesmo que baseado em alteração do texto originário (assim: Russomano, Curso, e 
Catharino, Compêndio). 
É certo que só é permitida a compensação e não a ação do empregador para cobrar o 
empregado; nesta parte a letra da lei é coerente com o que repete no título processual, afirmando que 
a compensação ou retenção só poderão ser arguidas como matéria de defesa (art. 767), mas de 
duvidosa constitucionalidade (a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça 
de direito, CF de 1988, art. 5º, XXXV).” 
 
5.5.4.2.1. Empregado e a Lei 12.506/11 
 
A visão contemporânea do aviso prévio implica em dizer que a dilação do seu prazo é 
uma limitação do empregador ao seu poder potestativo quanto ao término unilateral dos contratos de 
trabalho. 
O art. 7º, caput, da Constituição Federal assegura direitos aos trabalhadores. O aviso 
prévio proporcional ao tempo de trabalho é um dos direitos do trabalhador, portanto, o próprio 
elastecimento não pode ser exigido do trabalhador. 
Quando for o caso de aviso prévio devido pelo empregado ao empregador, o prazo do 
aviso prévio é de 30 dias. 
Se o aviso prévio não for cumprido pelo empregado, o empregador terá direito tão 
somente a retenção de 30 dias (art. 487, § 1º, CLT). 
 
5.5.4.3. Aviso prévio e a anotação na CTPS 
 
A data de saída a ser anotada na CTPS deve ser correspondente à do término do 
prazo do aviso prévio, ainda que indenizado (OJ. n. 82, SDI –I, TST). 
 
50
 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Atlas, 13ª edição, 2001, p. 352. 
51
 CARRION, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. São Paulo: Saraiva, 25ª edição2000, p. 376. 
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Apostila de verbas trabalhistas v. 01.2014 
A proporcionalidade de 3 dias por cada ano de tempo de serviço deve ser computada 
para fins da anotação na CTPS. 
 
5.5.4.4. Aviso prévio e o reajuste salarial coletivo 
 
O reajustamento salarial coletivo determinado no curso do aviso prévio beneficia o 
empregado pré-avisado da despedida, mesmo que tenha recebido antecipadamente os salários 
correspondentes ao período do aviso, que integra seu tempo de serviço para todos os efeitos legais 
(art. 487, § 6º, CLT). 
A proporcionalidade de 3 dias por cada ano de tempo de serviço deve ser computada 
para fins do reajuste salarial coletivo. 
 
5.5.4.5. Aviso prévio e a indenização adicional 
 
O empregado dispensado sem justa causa no período de trinta dias que antecede a 
data de sua correção salarial fará jus ao recebimento de um salário mensal (art. 9º, Lei n. 7.238/84). 
Não importa se trabalhado ou indenizado (Súmulas n. 182 e 314, TST). 
A proporcionalidade de 3 dias por cada ano de tempo de serviço deve ser computada 
para fins da indenização adicional. 
 
5.5.4.6. Aviso prévio e a reconsideração 
 
A rescisão contratual opera-se apenas após o aviso prévio. Porém, durante o aviso, 
se a parte notificante reconsiderar o ato, é facultado à outra parte a aceitação ou não (art. 489, CLT). 
Caso seja aceita a reconsideração ou continuando a prestação depois de expirado o 
prazo, o contrato continuará a vigorar, como se o aviso não tivesse sido dado (art. 489, parágrafo 
único, CLT). 
 
5.5.4.7. Aviso prévio e a justa causa 
 
O empregador que der causa a rescisão indireta do contrato durante os trinta dias de 
aviso, se sujeita ao pagamento da remuneração correspondente ao prazo do referido aviso, sem 
prejuízo da indenização que for devida (art. 490, CLT). 
O empregado que, durante o prazo do aviso prévio, cometer qualquer das faltas 
consideradas pela lei como justas para a rescisão, perde direito ao restante do aviso prévio (art. 491, 
CLT). 
Diante da interpretação literal do art. 491 da CLT, em tese, qualquer falta grave 
praticada pelo empregado, durante o curso do aviso prévio, não irá prejudicá-lo quanto ao pagamento 
das verbas rescisórias, já que o mesmo somente perderia os dias não laborados. 
O empregado agride, no curso do aviso prévio, de forma injustificada, um outro colega 
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de trabalho, terá direito à percepção das verbas rescisórias? 
De acordo com a jurisprudência dominante do Tribunal Superior do Trabalho, a 
ocorrência de justa causa, salvo a de abandono de emprego, no decurso do prazo de aviso prévio 
dado pelo empregador, retira do empregado qualquer direito às verbas rescisórias de natureza 
indenizatória (Súmula n. 73, TST). 
Após a concessão do aviso prévio pelo empregador, o empregado não é obrigado a 
trabalhar durante o pré-aviso. Se quiser, de acordo com o teor da Súmula n. 73 do TST, poderá faltar 
ao serviço, perdendo o direito à percepção do resto do pré-aviso. 
Porém, se vier a praticar qualquer outra justa causa, além dos dias não laborados, 
também perderá o direito ao pagamento das verbas rescisórias. 
 
5.5.4.8. Aviso prévio e estabilidade 
 
O aviso prévio representa a denúncia do contrato por prazo indeterminado, tendo 
como escopo a fixação do seu termo final. Em outras palavras, denota a fixação do que era 
indeterminado em determinado. Dado o aviso prévio, indenizado ou não, tem-se a fixação da data 
para a rescisão do contrato. 
Por sua vez, a estabilidade representa o direito de permanecer no emprego, mesmo 
contra a vontade do empregador. Se à parte, no curso da indeterminação do contrato, concede o 
aviso prévio, está denunciando o seu término, fixando-se, de forma prévia, a data quanto ao seu 
término. 
Como é que se pode justificar a manutenção do contrato, quando se concede o aviso 
prévio, indenizado ou não? 
Torna-se incongruente falar que o contrato estará em plena vigência se houver a 
aquisição da estabilidade durante o curso do aviso prévio. O que justifica essa afirmação é a própria 
disposição legal inserida no artigo 489 da CLT: “Dado o aviso prévio, a rescisão torna-se efetiva 
depois de expirado o respectivo prazo...” 
 
 
O Tribunal Superior do Trabalho entende que não há estabilidade no curso do 
 
aviso prévio: 
 
 
“A projeção do contrato de trabalho para o futuro, pela concessão do aviso prévio 
indenizado, tem efeitos limitados às vantagens econômicas obtidas no período do pré -
aviso, ou seja, salários, reflexos e verbas rescisórias. No caso de concessão de auxílio-
doença no curso do aviso prévio, todavia, só se concretizam os efeitos da dispensa depois 
de expirado o benefício previdenciário” (Súm. nº 371, TST). 
 
Para o dirigente sindical, o registro da candidatura no curso do aviso prévio não gera o 
direito à estabilidade provisória (Súm. nº 369, V, TST). 
Por outro lado, não se pode pretender a compensação do aviso prévio no curso da 
estabilidade: “É inválida a concessão do aviso prévio na fluência da garantia de emprego, ante a 
incompatibilidade dos dois institutos” (Súm. nº 348, TST). 
 
 
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