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Apostila Verbas

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inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto 
(art. 61, caput, CLT). 
 
 
6.3.2.3.1. Força maior 
 
A Consolidação Trabalhista conceitua força maior como todo acontecimento inevitável, 
em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou 
indiretamente. A imprevidência do empregador exclui a razão de força maior (art. 501, caput e § 1º, 
CLT). 
Na ocorrência de fatos tidos como força maior, independentemente de acordo ou 
contrato coletivo o trabalho poderá ser exigido, cabendo ao empregador comunicar a autoridade 
competente no prazo de dez dias ou, antes desse prazo, justificando no momento da fiscalização (art. 
61, § 1º, CLT). O trabalho em dia de repouso semanal é permitido, devendo a empresa justificar a 
ocorrência perante o delegado regional do trabalho no prazo de quinze dias (art. 8º, a, Dec. n. 
27.048/49). 
Não há limite para a jornada no caso de ocorrência de força maior. A remuneração da 
hora trabalhada não poderá ser inferior à da hora normal (art. 61, § 2º, CLT). 
A remuneração mínima de 50% para a hora extraordinária instituída pela CF de 1988 
deve ser aplicada à realização de serviços inadiáveis e não aos de força maior; respeita-se, assim, o 
critério diferenciador, quanto às duas espécies, do legislador ordinário, atualizando seu valor naquele 
que se considera competente.69 
O menor de dezoito anos poderá ter sua jornada prorrogada até doze horas na 
ocorrência de força maior. Fará jus ao recebimento do adicional de horas extras (art. 413, CLT). 
 
6.3.2.3.2. Serviços inadiáveis 
 
Inadiável é o que não se pode deixar para outro dia. Por exemplo: a manipulação de 
produtos perecíveis que, uma vez não guardados em condições térmicas adequadas, perecerão. 
Nestes casos a jornada será paga como horas extras com o adicional de 50%, não havendo 
necessidade de autorização ou acordo neste sentido, sendo que no máximo o trabalho diário é 
permitido até doze horas (art. 61, § 2º, CLT). 
A jornada do trabalhador menor de idade não poderá ser prorrogada para atender à 
realização ou conclusão de serviços inadiáveis (art. 413, CLT). 
 
 
 
69
 CARRION, Valentin. Op. cit., 23ª edição, p. 110. 
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6.3.2.4. Recuperação de horas 
 
Pode a empresa ficar paralisada por causas acidentais ou de força maior. Ex: 
interdição da área onde está o prédio do escritório para obras públicas. Nesse caso os empregados, 
evidentemente, porque continuam à disposição do empregador, terão direito ao salário, nos termos do 
artigo 4º da CLT. A questão que surge consiste em saber se essas horas são, por lei, exigíveis para 
fins de reposição. Há a autorização do art. 61, § 3º da CLT. Porém, o número total de horas em 
recuperação será de 90 (noventa) por ano, ou seja, duas por dia, no máximo 45 dias por ano. Há 
necessidade de uma formalidade. Essas horas serão pagas? A lei não explícita. Entendemos que sim. 
Trata-se de horas trabalhadas. São pagas porque o serviço é prestado. As horas paradas foram 
remuneradas com base em outra causa, porque o empregado esteve à disposição do empregador, 
não se podendo, assim, falar em dupla remuneração. Porém, como não está previsto nenhum 
adicional, a remuneração será simples, no valor da hora normal.70 
A matéria não é pacífica em relação à obrigação do empregador pagar ou não o 
adicional de horas extras nas horas trabalhadas por motivo de interrupção. 
 
6.3.3. O percentual do adicional da hora extra e a base de cálculo 
 
O adicional mínimo para todas as horas extras é de 50% (art. 7º, XVI, CF). Pode 
ocorrer que, em determinadas categorias ou atividades, se adotem outros adicionais, geralmente, 
majorados em função de convenções ou acordos coletivos de trabalho bem como sentenças 
normativas. 
Quanto à base de cálculo da hora extra: A remuneração do serviço suplementar é 
composta do valor da hora normal, integrado por parcelas de natureza salarial e acrescido do 
adicional previsto em lei, contrato, acordo, convenção coletiva ou sentença normativa (Súmula n. 264, 
TST). 
O empregado, sujeito a controle de horário, remunerado à base de comissões, tem 
direito ao adicional de, no mínimo, 50% pelo trabalho em horas extras, calculado sobre o valor-hora 
das comissões recebidas no mês, considerando-se como divisor o número de horas efetivamente 
trabalhadas (Súm. 340, TST). 
O empregado que recebe remuneração mista (uma parte fixa e outra variável) tem 
direito a horas extras pelo trabalho em sobrejornada. Em relação à parte fixa, são devidas as horas 
simples acrescidas do adicional de horas extras. Em relação à parte variável, é devido somente o 
adicional de horas extras, aplicando-se à hipótese o disposto na Súmula 340 do TST (OJ 397, SDI-I). 
 
6.4. Intervalos para descanso. 
 
6.4.1. Intervalos para descanso 
 
Para se atender à necessidade de descanso do empregado, durante o desenrolar da 
relação de emprego, há os intervalos, os quais são analisados considerando-se a duração diária, 
 
70
 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Op. cit., 8a edição, p. 147. 
 
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semanal e anual do trabalho. 
Pela duração diária, temos os intervalos: intrajornada e interjornada. Ante a jornada 
semanal, tem-se a concessão do repouso semanal remunerado. E, por fim, o labor anual implica no 
direito às férias remuneradas. 
Em linhas gerais, os intervalos possuem os seguintes objetivos: 
a) recuperação da energia gasta na jornada diária, como de forma de evitar os 
problemas decorrentes da fadiga mental e física; 
b) propiciar ao trabalhador o contato com os seus familiares e com a sua 
comunidade; 
c) a manutenção da capacidade de produção do trabalhador. 
Para Sergio Pinto Martins71 intervalos para descanso “são períodos na jornada de 
trabalho, ou entre uma e outra, em que o empregado não presta serviços, seja para se alimentar ou 
para descansar.” 
 
6.4.1.1 Intervalo intrajornada 
 
Intervalo intrajornada é o descanso concedido dentro da própria jornada de trabalho. 
Dentro de cada jornada laboral, o ordenamento determina a concessão do intervalo para repouso ou 
alimentação. Esse repouso destina-se à recomposição física do trabalhador, por intermédio da 
alimentação, dentro da jornada diária de trabalho. Citados descansos deverão obedecer ao critério 
estabelecido no art. 71, CLT, ou seja, a duração do trabalho. 
Na jornada de trabalho com até 4 horas não existe obrigatoriedade para a concessão 
de intervalo, salvo disposição específica de lei ou norma coletiva de trabalho. Duração de trabalho 
superior a 4 horas e inferior a 6, o intervalo será de 15 minutos. Por fim, quando o trabalho for 
prestado por mais de 6 horas contínuas, o intervalo para refeição e descanso será de 1 hora, podendo 
estender-se até 2 horas. 
Ultrapassada habitualmente a jornada de seis horas de trabalho, é devido o gozo do 
intervalo intrajornada mínimo de uma hora, obrigando o empregador a remunerar o período para 
descanso e alimentação não usufruído como extra, acrescido do respectivo adicional, na forma 
prevista