A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
141 pág.
Apostila Verbas

Pré-visualização | Página 4 de 50

Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas ---- Dr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge Neto 
Apostila de verbas trabalhistas v. 01.2014 
1. A ONEROSIDADE NO CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO 
 
Não interessa ao objetivo deste curso maiores polêmicas quanto à temática da 
onerosidade no contrato individual de trabalho, contudo, é importante frisar que o conceito de salário 
não é o mesmo que remuneração. 
Tais elementos são necessários para se ter uma noção exata das bases que devem 
ser utilizadas e quais seus elementos para fins de cálculo de outros títulos, tais como: adicional 
noturno; hora extra; adicional de insalubridade ou periculosidade etc. 
 
1.1. Noção de onerosidade 
 
Não há contrato de trabalho a título gratuito, ou seja, sem encargos e vantagens 
recíprocas. O contrato de trabalho, em sua essência, é bilateral e oneroso. O empregado presta os 
serviços. Portanto tem direito ao salário. 
Não há o contrato de trabalho quando o esforço se dá por simples caridade, religião, 
amizade, solidariedade humana etc. 
Para Mauricio Godinho Delgado1, a relação empregatícia é “uma relação de essencial 
fundo econômico. Através dessa relação sócio-jurídica é que o moderno sistema econômico consegue 
garantir a modalidade principal de conexão do trabalhador ao processo produtivo, dando origem ao 
largo universo de bens econômicos característicos do mercado atual. Desse modo, ao valor 
econômico da força de trabalho colocada à disposição do empregador deve corresponder uma 
contrapartida econômica em benefício obreiro, consubstanciada no conjunto salarial, isto é, o 
complexo de verbas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em virtude da relação 
jurídica pactuada”. 
O contrato de trabalho é, desse modo, um contrato bilateral, sinalagmático e oneroso, 
por envolver um conjunto diferenciado de prestações e contraprestações entre as partes, 
economicamente mensuráveis.” 
A onerosidade é um componente fático-jurídico do contrato individual de trabalho, e 
cuja análise abrange duas dimensões: 
• a objetiva, em que a onerosidade representa o pagamento efetuado pelo 
empregador ao empregado, por intermédio das parcelas remuneratórias em virtude do pactuado; 
• a subjetiva, na qual a onerosidade denota a intenção do empregado e 
empregador − na fixação de um quantum em função da prestação dos serviços. A intenção das partes 
na fixação de uma contraprestação em relação aos serviços prestados é importante na caracterização 
do contrato individual de trabalho. 
O contrato individual de trabalho é um vínculo de natureza complexa, possuindo 
vários direitos, deveres e obrigações. Dentre essas obrigações, destaca-se a prestação 
remuneratória, a qual revela o conteúdo econômico do contrato individual de trabalho e cuja 
responsabilidade pertence ao empregador. 
A prestação remuneratória tem como objeto uma obrigação de dar, cujo conteúdo 
envolve valores pecuniários e, excepcionalmente, utilidades. 
 
1
 DELGADO, Mauricio Godinho. Introdução ao Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2ª edição, 1999, p. 256. 
_________________________________________________________________________________ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas ---- Dr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge Neto 
Apostila de verbas trabalhistas v. 01.2014 
1.2. Denominação 
 
Várias expressões são empregadas para a denominação da prestação econômica do 
contrato individual de trabalho. 
Ao abordar a temática da denominação, Sergio Pinto Martins2 afirma: “Usa-se a 
palavra vencimentos para denominar a remuneração dos professores, magistrados e funcionários 
públicos; ultimamente, tem sido empregada a palavra subsídios para designar a remuneração dos 
magistrados (art. 95, III, da Constituição); honorários em relação aos profissionais liberais; soldo, 
para os militares; ordenado, quando prepondera o esforço intelectual do trabalhador em relação aos 
esforços físicos; salário , para os trabalhadores que não desenvolvem esforço intelectual, mas 
apenas físico. Proventos é a palavra empregada para estabelecer o recebimento dos aposentados ou 
de funcionários públicos aposentados. Algumas leis salariais se utilizaram da expressão estipêndio, 
que é derivada do latim stipendium (soldo, paga). Antigamente, era o pagamento feito à pessoa 
incorporada do Exército, tendo significado equivalente ao de soldo. Mais tarde, veio a se generalizar, 
no sentido de que seria qualquer espécie de salário ou retribuição por serviços prestados.” 
Para José Martins Catharino3, “a prestação fundamental do empregador recebe, de 
um modo geral, três denominações sinônimas: remuneração, retribuição e salário. (...) A palavra 
salário deriva do latim ‘salarium’, e este de ‘sal’, ‘salis’; ‘hals’, em grego, porque costumavam os 
romanos pagar aos seus servidores domésticos em quantidades de sal (Alfonso Madrid), como 
denominava-se ‘sal’ o que os legionários recebiam para comprar comida (J. C. Santos). Entre nós, 
salário goza de preferência para designar o que percebem os industriários, e mesmo, em geral, os 
empregados preponderantemente manuais (operários). 
Remuneração e retribuição, também, de origem latina, são absolutamente sinônimas. 
Têm vantagem intrínseca: ‘re’ dá idéia de reciprocidade, como recompensa, apesar do seu significado 
técnico-jurídico excluir obrigatoriedade civil, exigível, salvo o caso de ‘promessa de recompensa’ (CC, 
arts. 854 a 860), oriunda de declaração unilateral de vontade. 
‘Muneror’, verbo derivado de ‘munus, muneris’ (Alárcon Y Horcas), sendo que Ihering 
sustentou que a palavra ‘remuneratio’ foi usada pelos romanos em contraposição a ‘merces’, 
retribuição ao trabalho exclusivamente manual (sobre isso: Remo Martini, ‘Mercennarius’, Milão, 
1958).” 
Octavio Bueno Magano4 aduz que “entre as múltiplas denominações arroladas, a que 
melhor caracteriza o conteúdo da prestação obrigacional devida pelo empregador ao empregado é, 
sem dúvida, salário. Contudo, considerando-se que a correlatividade das obrigações entre os dois 
referidos sujeitos não se entende hoje em termos absolutos, admitindo-se, ao contrário, que a 
retribuição do último se constitui de todas as vantagens obtidas em virtude da existência do vínculo 
empregatício, inclusive os pagamentos auferidos de terceiro, conclui-se ser a palavra remuneração a 
que melhor exprime o apontado sentido, o qual, não sendo irrelevante para o Direito do Trabalho, 
indica que o termo em causa, num estudo abrangente da matéria, deve prevalecer sobre salário. Tal 
entendimento coaduna-se, aliás, com o teor de nossa legislação, estatuindo o art. 457, da CLT, que, 
no conceito de remuneração, compreende-se, além do salário devido e pago diretamente pelo 
empregador, como contraprestação de serviços, às gorjetas que o empregado receber.” 
 
 
2
 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Atlas, 13ª edição, 2001, p. 193. 
3 CATHARINO, José Martins. Compêndio Universitário de Direito do Trabalho - vol. II. São Paulo: Jurídica e Universitária, 1972, 
p. 437. 
4
 MAGANO, Octavio Bueno. Manual de Direito do Trabalho - Direito Individual do Trabalho. São Paulo: LTr, 4ª edição, 1993, p. 
218. 
_________________________________________________________________________________ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas _____ Verbas Trabalhistas ---- Dr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge NetoDr. Francisco Ferreira Jorge Neto 
Apostila