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Apostila Verbas

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surge da exigibilidade do crédito, 
ou seja, do momento em que a obrigação contratual trabalhista não é adimplida. 
O art. 39 da Lei n. 8.177/91 determina que os débitos trabalhistas de qualquer 
natureza, quando não satisfeitos pelo empregador, serão atualizados nas épocas próprias definidas 
em lei, acordo ou convenção coletiva, sentença normativa ou cláusula contratual. 
A época própria legal: “Quando o pagamento houver sido estipulado por mês, deverá 
ser efetuado, o mais tardar, até o quinto dia útil subsequente ao vencido” (art. 459, parágrafo único, 
CLT). 
Para José Severino da Silva Pitas11, a época própria legal “coincide com o interesse 
de agir, e configura-se com a data em que, legitimamente, pode ser exigido o cumprimento da 
obrigação. Não é, portanto, necessariamente, o término da prestação de serviços no final de cada mês 
que constitui a época própria para atualização dos salários mensais, conceito leigo, mas, 
necessariamente, o fato jurídico, previsto no art. 2º do Decreto-Lei n. 75/66 e posteriormente no art. 39 
da Lei n. 8.177/91, que definirá a época própria para correção monetária. Na falta de estipulação 
contratual, mais benéfica, escrita ou tácita, a época própria será o quinto dia útil após o mês 
trabalhado, na forma do que dispõe o parágrafo único do art. 459 da CLT. A expressão utilizada pela 
lei, ‘o mais tardar’, fixa o quinto dia útil como data de exigibilidade da obrigação e, 
desnecessariamente, uma faculdade ao empregador para antecipação do pagamento. Não é, 
juridicamente, possível exigir-se do empregador o pagamento, nesta hipótese, antes do quinto dia útil.” 
Valentin Carrion entende que a época própria legal, para o cômputo da correção 
monetária, é a partir do 1º dia do mês seguinte ao vencido para aqueles que recebem salário por 
mês. Justifica essa posição ao citar o art. 1º, § 1º, da Lei n. 6.899/81, o qual salienta que, nas 
execuções de títulos de dívida líquida e certa, a correção será calculada a contar do respectivo 
vencimento. 
 
11
 PITAS, José Severino da Silva. “Correção Monetária dos Débitos Trabalhistas – Evolução Legislativa e Definição Legal”. In 
Revista Trabalho e Processo, São Paulo, Saraiva, dezembro/94, p. 117. 
 
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Apostila de verbas trabalhistas v. 01.2014 
Assevera ainda que “o favor legal do pagamento até o 5º dia útil, previsto no art. 459, 
parágrafo único, é aplicável para os casos de regular adimplemento da obrigação pelo devedor; a 
norma, de proteção ao salário, não prevê a liberalidade quando o empregador já está em mora no 
pagamento.”12 
Para outros autores, a exata interpretação do art. 459, da CLT, é de que o prazo (até o 
quinto dia útil do mês subsequente) é uma faculdade legal dada ao empregador, não se constituindo 
no momento exato para a correção monetária, a qual deveria ter como época própria o mês da 
prestação dos serviços. 
Nesse sentido, Francisco Antonio de Oliveira13 ensina: “A faculdade que tem o 
empregador de pagar os salários até o quinto dia útil do mês subsequente ao trabalhado somente se 
aplica àquelas empresas que cumpram suas obrigações nas épocas próprias, não àquelas 
inadimplentes. Adotar -se entendimento contrário, no sentido de que a atualização somente deve ser 
considerada a partir da exigibilidade prevista em lei, representaria um prêmio ao mau pagador. Desta 
maneira, não há porque aplicar-se os índices de atualização do mês subsequente.” 
Portanto, há três posições configuradoras da época própria legal: 
a) o mês da prestação dos serviços; 
b) a partir do quinto dia útil do mês subsequente ao vencido; 
c) a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencido. 
A jurisprudência atual do TST agasalhou a terceira posição14: “O pagamento dos 
salários até o quinto dia útil subsequente ao vencido não está sujeito à correção monetária. Se essa 
data limite for ultrapassada, incidirá o índice da correção monetária do mês subsequente ao da 
prestação dos serviços, a partir do dia 1º.” (Súmula n. 381, TST). 
Essas três posições são discutíveis quando se faz a apuração mês a mês, observando 
a evolução salarial. 
 
4.1.3. Outras épocas próprias legais: 
 
• verbas rescisórias − o 1º dia útil ou o décimo dia após o término do contrato de 
trabalho (art. 477, § 6º, CLT); 
• 13º salário (na vigência do contrato) − 1ª parcela (30 de novembro ou a data em 
que a empresa costuma pagá-la ao empregado; 2ª parcela _ 20 de dezembro) (art. 1º, Lei n. 4.749, de 
12 de agosto de 1965); 
• férias e abono (na vigência do contrato) − 2º dia antes do início do respectivo 
período de gozo (art. 145, caput, CLT); 
Quando se faz uma atualização de um valor outrora atualizado, a época própria deve 
ser definida pela data para o qual o valor se encontra atualizado. 
 
12
 CARRION, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. São Paulo: Saraiva, 25ª edição, 2000, p. 619. 
13
 OLIVEIRA, Francisco Antonio de. Comentários aos Precedentes Normativos e Individuais do TST. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 1999, p. 253. 
14
 “A segunda situação prevista no precedente (‘... se essa data limite for ultrapassada, incidirá o índice da correção monetária 
do mês subseqüente ao da prestação dos serviços’) estabelece que, para aquelas empresas que não observarem a data limite 
para o pagamento dos salários (quinto dia útil), a correção monetária incidirá a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da 
prestação dos serviços” (OLIVEIRA, Francisco Antonio de. Op. cit., p. 253). 
 
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Apostila de verbas trabalhistas v. 01.2014 
Para créditos resultantes de acordos judiciais inadimplidos, a época própria deve 
refletir o momento em que a parcela deveria ter sido paga. 
Se os salários são pagos antes do prazo previsto no art. 459 da CLT, por 
imposição normativa (convenção coletiva, acordo coletivo de trabalho, sentença normativa) ou 
cláusula contratual, a época própria deve observar o referido momento, por ser uma condição 
mais benéfica, a qual adere ao contrato individual de trabalho. 
 
4.1.4. A correção monetária e a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho 
 
A correção monetária não incide sobre o débito do trabalhador ( Súmula n. 187). A 
posição do TST fere o princípio da igualdade (art. 5º, CF). O débito trabalhista seja do empregado ou 
do empregador, deve ser atualizado, como forma de recomposição do seu valor nominal. Ressalte-se 
que o art. 39, caput, da Lei n. 8.177/91, estabelece a atualização monetária para os débitos 
trabalhistas de qualquer natureza. 
Os juros de mora e a correção monetária incluem-se na liquidação, ainda que omisso 
o pedido inicial ou a condenação (Súmula n. 211). Os acréscimos legais são inseridos no rol dos 
pedidos implícitos. 
Os débitos trabalhistas das entidades submetidas aos regimes de intervenção ou 
liquidação extrajudicial estão sujeitos à correção monetária desde o respectivo vencimento até seu 
efetivo pagamento, sem interrupção ou suspensão, não incidindo, entretanto, sobre tais débitos, juros 
de mora (Súmula n. 304). Esse entendimento está em sintonia com o art. 46 do ADCT. 
O cálculo da correção monetária incidente sobre débitos relativos