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AJUFE - Os Magistrados Federais e a Reforma da Previdência

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trabalho realizado e dependente do resultado desse trabalho, na localização de
devedores da Previdência Social e localização de seus devedores, posto que além de estarem a
desenvolver uma atividade com alguma remuneração, estarão defendendo um patrimônio que é
de todo o povo brasileiro, e são eles, os aposentados, os interessados diretos e imediatos de que
exista uma Previdência Social forte e economicamente viável.
O cadastramento das pessoas interessadas em realizar tal trabalho poderia se dar via
sindicatos e centrais sindicais, o que implica em ampliar a responsabilidade pela recuperação dos
créditos.
Por último, no caso dos créditos previdenciários, podemos utilizar regras aceitas no mercado
financeiro no que toca a sua recuperação.
Com efeito, no estoque de dívida existem aqueles que são irrecuperáveis, mas que continuam
simplesmente engordando errôneas cifras sobre o percentual de créditos em cobrança (hoje os
créditos previdenciários em cobrança ou em vias de cobrança já atingem a totalidade de cem
bilhões de reais, sem que haja a mínima separação entre recuperáveis e irrecuperáveis). É necessário
uma separação dos créditos, a fim de que a Procuradoria do INSS possa se concentrar na parte
“boa” dos créditos, ou seja, os recuperáveis, economizando tempo e dinheiro dos contribuintes
com ações de execução que levam a lugar algum.
Uma ótima providência adotada pelo INSS e que merece ser fortalecida é a gerência de
grandes devedores, onde há concentração de esforços na recuperação de créditos passíveis de
cobrança e de grande volume. Com isso, há uma concentração de esforços e otimização dos
resultados.
Por fim, é de se notar que as instituições financeiras acompanham a evolução patrimonial
de seus devedores, ou seja, gerenciam a possibilidade de pagamento, ao passo que o Poder
Público nada faz nesse sentido.
Penso que é possível o desenvolvimento de programas para o acompanhamento da evolução
do patrimônio do devedor, até mesmo para o ajuizamento de ações cautelares assecuratórias do
recebimento dos créditos do INSS, como faz a iniciativa privada, o que pode ser efetuado com o
acompanhamento periódico da fiscalização/procuradorias.
Mas o mais imprescindível para quaisquer medidas que importem em melhoria na
recuperação de créditos é que haja interação entre fiscalização e as várias Procuradorias do INSS,
para que a fiscalização oriente, por exemplo, sobre a existência de patrimônio e a Procuradoria
oriente a fiscalização sobre qual o entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre as autuações,
evitando com isso, que eventualmente venha o INSS a ser sucumbente em embargos, pois então
há imposição de ônus da sucumbência, que impõe mais dispêndios aos cofres da Previdência
Social.
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GESTÃO PREVIDENCIÁRIA E JUDICIÁRIO
Há um elevado custo social e financeiro pela crescente litigiosidade do INSS em juízo. Com
efeito, verifica-se que o INSS é réu em grande número de ações e que a tendência, verificada
quase sempre, é a autarquia previdenciária não se conformar com o resultado e continuar interpondo
recursos.
No entanto, tal litigiosidade ou “espírito de beligerância” do INSS, na realidade muitas vezes
não possui qualquer justificativa, sendo, inclusive, muitas vezes contrária ao próprio interesse público.
Ela é contrária ao interesse público porque são direitos que, não reconhecidos na fase
administrativa, são reconhecidos na fase judicial. Desta forma, a exaustão recursal adotada (como,
por exemplo, em casos pacificados, continuar a recorrer), contrária a própria idéia que embasa a
Previdência Social, que é pagar os benefícios aqueles que são, nos termos da lei, elegíveis,
ocasionando um elevado custo social pela descrença daquele que contribuiu por longos anos à
Previdência e vê agora seus direitos negados, que pode implicar, muitas vezes, no falecimento do
segurado/beneficiário. O segurado deve confiar na administração previdenciária, pois ele, segurado,
é a razão da existência da própria Previdência Social. Isso não ocorre se os benefícios são negados,
mesmo quando presente a situação que autoriza a concessão e, a despeito da decisão judicial,
mesmo em matérias já pacificadas pela jurisprudência, insiste a autarquia em recorrer.
Aliado ao elevado custo social, há um custo econômico-financeiro, basicamente pelas
seguintes razões:
O custo do processo, que é elevado, e que é arcado pela União, muitas vezes não justifica
a existência da demanda.
O custo para autarquia, que deve muitas vezes contratar advogados particulares para efetuar
sua representação e que ganham por peça processual produzida, sem que se vislumbre, em alguns
casos, nenhuma retorno à Previdência Social por tal dispêndio.
Por fim, há um outro custo para autarquia, que é o custo da sucumbência. Com efeito, além
de ter de pagar a prestação previdenciária, reconhecida como devida pelo Judiciário (e que, portanto,
a Administração deveria reconhecer sem sequer haver necessidade de ajuizamento de ação judicial),
além de ter que remunerar advogados contratados (ou dispender o tempo dos Procuradores Federais
que prestam seus serviços para a autarquia, quando poderiam estar trabalhando em outros processos
de maior resultado prático), ainda terá de pagar a sucumbência, que é a imposição de pagar
honorários advocatícios à parte vencedora.
Deve ser frisado, quanto a esse tópico, que em sede dos Juizados Especiais Federais,
instituídos pela Lei 10.259/2001, a condenação em honorários somente é imposta se o vencido em
primeiro grau recorrer e seu recurso for improvido. Portanto, apenas quando o INSS, vencido em
primeiro grau, recorre e é vencido, é que são impostos honorários.
Portanto, em caso de não ocorrer recurso por parte da autarquia previdenciária em sede
dos Juizados Especiais, não há imposição de honorários.
O que se tem verificado é que o INSS tem sistematicamente recorrido das decisões de
primeiro grau, muitas vezes de forma desnecessária, o que implica em condenações em honorários,
com maiores ônus sem qualquer justificativa lógica, isso por conta de determinações administrativas
que determinam a obrigatoriedade de interposição de recursos sempre.
Acredito que devam sem expandidos os poderes aos Procuradores Federais para que
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verifiquem a oportunidade e conveniência do ajuizamento de recursos ou mesmo a possibilidade
de conciliações, tendo em vista o interesse público de efetivamente pagar os benefícios que são
devidos e que a Administração deve funcionar com o menor custo possível.
Agrego a essas considerações um dado: apenas na cidade de Blumenau foi constatada a
condenação do INSS em mais de R$.50.000,00 em honorários, desde a instalação dos Juizados
Especiais, em recursos absolutamente desnecessários, pois eram recursos interpostos contra
decisões que se limitavam a aplicar entendimento já sumulado pelo Tribunal Regional Federal da
4ª Região. Esse valor, se multiplicado pelo Brasil inteiro, certamente vai revelar o enorme dispêndio
de recursos da Previdência Social apenas com pagamento em honorários de causas cujo
entendimento é uniforme e que nesses casos a litigiosidade do INSS se revela absolutamente
desnecessária.
Desta forma, se propõe que o INSS deixe de ingressar com recursos cuja matéria já se
encontre com jurisprudência consolidada pelo Poder Judiciário, buscando, ao invés dessa
litigiosidade, a conciliação e a transação, que vão se apresentar, com certeza, mais produtivas
tanto do ponto de vista social como econômico.
GERENCIAMENTO
No tocante ao gerenciamento propriamente dito, é importante a adoção de algumas medidas.
A primeira delas é a contratação de servidores em número suficiente para atender a crescente
demanda de segurados, haja vista que há mais de uma década não se realizam concursos para o
provimento de cargos na estrutura administrativa, pois os concursos efetuados são apenas para
atender as áreas jurídicas e fiscalização.
Também é necessário