A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
62 pág.
AJUFE - Os Magistrados Federais e a Reforma da Previdência

Pré-visualização | Página 9 de 23

201 é a seguinte: “Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de
caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá,
nos termos da lei, a:
I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
II - proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;
IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;
V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto
no § 2º.
§ 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do
regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem
a saúde ou a integridade física, definidos em lei complementar.
§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal
inferior ao salário mínimo.
§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão devidamente atualizados, na forma
da lei.
§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme
critérios definidos em lei.
§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante
de regime próprio de previdência.
§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá por base o valor dos proventos do mês de dezembro de
cada ano.
§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes
condições:
I - trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher;
II - sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite para
os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar,
nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.
§ 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo anterior serão reduzidos em cinco anos, para o professor que
comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental
e médio.
27
Finalmente, em 1990 foi criado o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS – autarquia
destinada a substituir o INPS e o IAPAS, sendo em 1991 editada a Lei 8.212/91, destinada a
regular o custeio da seguridade social e a Lei 8.213/91, destinada a regular os benefícios da
previdência social, sendo extinto o INAMPS em 1993, ficando as ações da saúde a cargo do Sistema
Único de Saúde - SUS.
Seguiram-se várias alterações na legislação entre os anos de 1993 a 1997, entre as quais
merece relevância a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, que regulamentou o benefício
assistencial de que trata o art. 203 da Constituição Federal e por fim a Emenda Constitucional nº
20, que modificou substancialmente a Previdência Social, passando as aposentadorias a não mais
ser concedida por tempo de serviço, mas sim por tempo de contribuição (35/30 anos), fixando
idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho (16 anos) e combinada com essa alteração
constitucional seguiu-se a Lei 9.876/99, que instituiu o fator previdenciário, que pretendia combinar
o sistema de repartição com o sistema de contribuição, pelo qual o trabalhador se aposentaria pela
média dos proventos auferidos, conjugado com a expectativa de sobrevida, ou seja, quanto mais
tardasse a aposentadoria, maior seria o benefício e vice-versa. Adotou-se, então, uma forma de
cálculo de aposentadoria que pode ser dita de “capitalização escritural”.
Deve ser dito que todas as alterações efetuadas na legislação da Previdência Social tinham
por finalidade aproximá-la de cálculos atuariais, pois, segundo especialistas, tal como até então
existente, a Previdência Social brasileira não sobreviveria por muito tempo. Isso significa que
precisamos ingressar numa pequena digressão sobre a crise dos sistemas de previdência.
A CRISE DA PREVIDÊNCIA
A crise da Previdência Social aconteceu, penso, fruto de um grande processo de mudanças
no cenário político nacional e internacional.
Mas antes de analisar a crise da Previdência Social implica que primeiro se faça uma análise
rápida dos sistemas contributivos.
A previdência social é baseada em contribuições (no Brasil, as contribuições para a seguridade
social encontram seu lastro no art. 195 da Constituição Federal), sendo que basicamente existem
três sistemas contributivos, conhecidos como sistema contributivo de repartição, de capitalização
ou misto.
No regime de capitalização, cada indivíduo ou grupo de indivíduo contribui e esse valor de
contribuição será “capitalizado”, isto é, apropriado para uma conta individualizada em nome do
poupador. O benefício será, em tese, o valor daquela poupança efetuada, isto é, as contribuições
serão “capitalizadas” em favor do contribuinte, sendo mínima a participação do Estado. O regime
de capitalização está baseado na idéia de poupança individual, sendo seu exemplo o Chile.
§ 9º Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na administração pública
e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os diversos regimes de previdência social se compensarão
financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei.
§ 10. Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo regime geral de
previdência social e pelo setor privado.
§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição
previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei
28
Já no regime de repartição, as contribuições sociais vertem para um fundo único, e esse
fundo efetuará os pagamentos dos benefícios daqueles que se tornaram elegíveis nos termos da
lei. Repousa no pacto de solidariedade de gerações, onde a contribuição de hoje se destina aos
contribuintes de ontem, ou seja, os ativos financiam os aposentados, não existindo acumulação de
reservas e os pagamentos dos atuais contribuintes será garantido pelas futuras gerações de
contribuintes. É o atual sistema brasileiro.
Por fim, no sistema misto há uma combinação dos sistemas de repartição simples e
capitalização, existindo um pilar básico da previdência, organizado de acordo com as regras de
repartição simples e acima deste pilar básico há uma previdência complementar obrigatória.
O grande problema do regime de repartição é que ele se baseia num sistema que exige
uma correlação próxima de ideal entre ativos e inativos.
No entanto, com o aumento da longevidade e com as crises que inibiram o crescimento
econômico, esse sistema entrou em crise.
Mas que crise é essa? É só do sistema de previdência social?
Não, penso que a crise não é só dos sistemas de previdência social, mas é bem mais
amplo, é a própria crise dos estados de bem-estar social e dos estados enquanto nação.
É o que Giovani Alves6 sinaliza como a mundialização do capital, que possui as seguintes
características:
1. Taxas de crescimento do PIB muito baixas, inclusive em países (como o Japão) que
desempenharam tradicionalmente o papel de “locomotiva” junto ao resto da economia mundial.
2. Deflação rastejante.
3. Conjuntura mundial extremamente instável, marcada por constantes sobressaltos
monetários e financeiros.
4. Alto nível de desemprego estrutural
5. Marginalização de regiões inteiras em relação ao sistema de trocas
 6. Concorrência internacional cada vez mais intensa, geradora de sérios conflitos comerciais
entre as grandes potências da “Tríade” (Estados Unidos,