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Andrea Boeira do Amaral - Privatização ou Estatização no Estado Democrático de Direito - Ano 2007

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menos, 15 anos de contribui-
ção. O novo plano é destinado àqueles que trabalham por conta própria; sócios de 
pequenos negócios com faturamento bruto anual em 2006 de no máximo R$ 36 mil; 
contribuintes facultativos como donas de casa, desempregados, estudantes acima 
de 16 anos ou bolsistas. Com isso, as pessoas que dispõem de menos recursos fi-
nanceiros e que aderirem ao plano, além do recebimento básico passarão a ter direi-
to à pensão, salário-maternidade e auxílio-doença. 
Em termos gerais, parece ser um avanço, tanto na legislação previdenciária 
quanto no que se refere à garantia do direito social à previdência. Contudo, ainda há 
de se considerar que é difícil prever os novos rumos que serão tomados com relação 
à previdência social no futuro. Mas há de se considerar que um fato é certo: a de-
pendência dos sistemas de seguridade social com relação ao funcionamento da eco-
nomia. Por isso, deve-se lutar para que não haja alterações dramáticas nos sistemas 
de previdência e para que diminuam os índices de desemprego e subemprego. Nas 
palavras de Hoskins: “O desafio do futuro continuará sendo o de estender as formas 
atuais ou outras de proteção social à vasta maioria da população que permanece 
sem cobertura.”120 No mesmo sentido e, de acordo com o Livro branco da previdên-
cia social: “O cenário desejado para o Brasil, inclusive como forma de fortalecimento 
do RGPS, é que num futuro próximo todos os brasileiros tenham algum tipo de Pre-
brasileiro.” Ressaltando ainda que: “[...] é necessário manter a previdência pública, básica e 
solidária.” (grifo nosso). Disponível em: 
http://www.previdencia.gov.br/agprev/agprev_mostraNoticia.asp?Id=26583&ATVD=1&xBotao=1 
Acesso em: 21 abr. 2007. 
120 HOSKINS, Dalmer D. Perspectivas da seguridade social. In: LEITE, op. cit., 1983, p. 126.
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vidência Complementar, seja em entidades fechadas ou abertas, seja em plano indi-
vidual ou coletivo.”121 Mas, para que tudo isso ocorra, os cidadãos brasileiros preci-
sam ter consciência da atual crise do Estado Providência; lutar contra a proposta de 
privatização da previdência, pois somente a partir da união dos trabalhadores, tanto 
da iniciativa privada quanto dos servidores públicos é que se conseguirá impedir a 
investida capitalista aos direitos sociais, mantendo o sonho de um país mais justo, 
solidário e que tenha uma melhor distribuição de renda e riqueza. 
121 BRASIL, op. cit., 2002, p. 58.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo demonstrou que o sistema público de previdência social 
encontra-se em crise, chegando a questionar inclusive a própria figura do Estado no 
que se refere: a administração; a insuficiência dos recursos e a ineficácia dos 
serviços prestados. 
Hoje em dia vem sendo muito difundida a idéia de falta de credibilidade do 
serviço público devido a várias razões, como a deficiência de uma infra-estrutura 
adequada, a utilização de métodos e processos obsoletos porque não há recursos 
materiais e humanos suficientes. Afirma-se também que, a máquina administrativa 
está emperrada e incapaz. No entanto, pelo que se pode denotar parece que não 
vem existindo um empenho por parte da sociedade na busca de melhores formas de 
proporcionar o fortalecimento dos serviços públicos, de seu prestígio e nem mesmo 
interesse quanto à correção de seus erros e lacunas. 
Com isso, tais serviços clamam por uma revitalização, pois a sociedade não 
pode legar ao abandono as repartições públicas. A intervenção estatal ainda é 
necessária e torna-se imprescindível, no sentido de preservar e promover os direitos 
fundamentais e a própria Democracia, como condição fundamental para o êxito das 
reformas, visando a garantia dos direitos de cidadania, da capacidade de 
organização e até mesmo do conhecimento e da solidariedade por parte dos 
cidadãos. Portanto, é preciso aprofundar cada vez mais os ideais de Democracia, 
buscando fortalecer a sociedade e o próprio país. 
No entanto, torna-se necessária a implantação de novas reformas que 
possam modificar essa situação e apontar as melhores soluções porque a 
previdência social em nosso país precisa continuar atuando como instrumento de 
redistribuição de renda e colaborando para a estabilidade social, pois há muitas 
famílias que dependem exclusivamente desses benefícios para poderem sobreviver. 
Com isso, a implantação de um sistema de previdência privada tornar-se-ia 
completamente inviável para os hipossuficientes porque além de ser 
excessivamente onerosa também deixaria de amparar milhares de trabalhadores. 
Entretanto, a previdência privada deve ser estimulada, mas somente para 
àquela parcela da população que têm melhores condições financeiras e que não 
encontra no RGPS formas satisfatórias que possam suprir suas necessidades no 
futuro. Sendo assim, é fundamental que o sistema de previdência privada continue a 
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existir, mas em caráter complementar e, jamais excluindo o sistema público de 
previdência social, como bem assegura Marly A. Cardone: “Uma mescla de sistema 
público e privado parece pois, resguardar a filosofia do Estado de bem-estar, que 
garantirá um mínimo, deixando à iniciativa do cidadão buscar outras formas de 
complementação”122
Inclusive a solidariedade, na condição de princípio maior e norteador de toda 
a previdência social no Estado Democrático de Direito, também deve ser preservada 
como alternativa de garantia dos direitos dos trabalhadores no futuro, 
proporcionando o bem comum para toda a sociedade. Da mesma forma, o RGPS 
precisa manter sua credibilidade e confiança, levando em conta que as alterações 
devem partir das características e dos problemas específicos de nosso país, aliado a 
uma boa administração dos recursos e a uma melhoria na prestação dos serviços 
públicos. 
Mas no que se refere a administração dos recursos ainda existe o problema 
de que o governo brasileiro tenta transmitir para a sociedade a idéia de que, a 
previdência social é deficitária numa tentativa de desmoralizar estatísticas sérias e 
confiáveis como as da ANFIP, que dão conta de um superávit de R$ 56.882,40 no 
RGPS em 2005, como pode ser constatado no anexo nº 1 desta análise. Com isso 
pode-se dizer que, ainda hoje previdência social vive uma situação de equilíbrio 
financeiro, ou seja, a sua arrecadação previdenciária ainda é bem maior que as 
despesas.
 Ademais, a CF/88 garante ao sistema previdenciário os recursos que se 
fizerem necessários para sua manutenção. No entanto, se hoje faltam meios para 
isso é porque tais verbas acabam sendo desviadas para outros setores, além de 
serem objeto de fraudes e os recursos acabam sendo destinados a projetos distintos 
de sua atividade. Ainda há de se considerar que, somente os valores arrecadados 
com a CPMF e a COFINS já superam todas as contribuições arrecadadas pelo 
INSS.
Dessa forma, torna-se absolutamente incompreensível que o Tesouro 
Nacional venha a se apropriar das contribuições da seguridade geradoras das 
maiores receitas (COFINS, CSLL e CPMF), provocando um déficit nas contas do 
INSS e ainda pretenda fazer uma reforma previdenciária sob o pretexto de que a 
122 CARDONE, Marly A. A reforma da previdência social no Brasil. In: Revista de Previdência Social. 
São Paulo: LTr, nº 198, ano XXI, maio, 1997, p. 432. 
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seguridade social é deficitária. A par dessas considerações não há que se falar em 
falta de recursos, mas sim em má administração por parte do governo, o que acaba 
sugerindo a implantação de regras que sejam mais eficazes e rígidas com relação à 
fiscalização e a própria moralização