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Christiano Ferreira - Mudança de Regime Previdenciário de Repartição para Regime Misto - Uma Perspectiva para o Brasil - Ano 2012

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inerentemente militam contra desvios do status quo. 
Porque o eleitorado poderá absorver isto como fator negativo (viés da negatividade) e os 
políticos buscam a reeleição, qualquer forma de contenção do estado pode acarretar em 
prejuízos não sendo atraente politicamente uma reforma estrutural na previdência. 
Os sistemas de pensões tornaram-se sinônimo de um modo específico de tomada de 
decisão: Qualquer reforma dos sistemas previdenciários também implicam um potencial de 
redistribuição do poder e as capacidades de formulação de políticas. Por esta razão esforços 
de reforma, necessariamente, mantem-se dentro do paradigma de seguro social. 
Países Europeus não são propícios à formulação de políticas para reformas da 
previdência. O risco político cria impasse para com a sociedade (em que o conflito político 
fica no caminho da reforma necessária) ou ciclos viciosos de política (em que os sucessivos 
governos novos derrubam as reformas das pensões de seus antecessores). Além disso, o 
impasse, a nível da comunidade política capacita burocracias estatais e governos centrais, 
suspendendo a função reguladora das comunidades políticas. (NEY, 2003). 
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Boldrin, et al. (1999) argumenta que os sistemas de previdência por repartição, 
atualmente em vigor na maioria dos países europeus, estão condenados a tornar-se 
fiscalmente, e, portanto, politicamente, insustentáveis em torno 15 a 25 anos de tempo. Esse 
destino é determinado por uma série de fatores simultâneos: tendências demográficas, o 
rápido aumento da quota de idosos na população; uma rápida diminuição na participação da 
força de trabalho dos homens, o aumento lento na participação das mulheres, as taxas de 
desemprego persistentemente elevada, política de aumento real do valor das pensões, taxa de 
crescimento da produtividade do trabalho. 
Apenas o primeiro é verdadeiramente exógeno, difícil de modificar pela política, 
mesmo no médio prazo. Todas as outras tendências refletem escolhas políticas. Estas podem 
ser baseadas como preocupações sociais, mas são geralmente relacionadas aos objetivos e 
funcionamentos dos regimes previdenciários. (Boldrin, et al. 1999). 
Escolhas, por regimes públicos de previdência, poderiam ser resgatadas. Assumindo 
que a produtividade do trabalho cresce anualmente em torno de 2% ao ano, para os próximos 
55 anos, podemos identificar quatro condições conjuntamente suficientes para manter a 
proporção de pensões/PIB inferior ou igual ao seu nível atual até 2050. (Boldrin, et al. 1999). 
Em primeiro lugar, reduzir a razão entre as novas pensões e a produtividade do 
trabalho por meio ponto percentual por ano, mantendo o valor real das pensões por idade. Em 
segundo lugar, no período de 2000 até 2050, procurar uma maneira de restaurar a força de 
trabalho masculina com taxas de participação para os níveis do início de 1980. Em terceiro 
lugar, aumentar as taxas de participação feminina para 80% das taxas do sexo masculino em 
2050. Em quarto lugar, cortar as taxas de desemprego para os homens a metade do nível atual, 
e igualar a taxa de desemprego feminino e masculino em 2050. (Boldrin, et al. 1999). 
Os defensores da transição do regime de repartição para um regime de capitalização 
totalmente de fundos de pensão, deixaram de considerar diversas questões controversas. 
Primeiro, os incentivos para promover a previdência privada exigem uma maior tributação. 
Na literatura econômica, não esta claro de onde provém a poupança adicional. A transição 
para um sistema totalmente financiado exige uma redução drástica no pagamento de 
benefícios para o atual corpo de aposentadoria. Mesmo se a taxa de crescimento da 
produtividade do trabalho continuar bem abaixo da taxa de retorno sobre o capital, uma 
transição dos regimes de repartição para o de financiamento integral não pode ser benéfica 
para todos. Ele deve, inevitavelmente, implicar alguma perda para as gerações futuras. 
Tal reforma não é politicamente viável do ponto de vista social. Em um sistema de 
capitalização é necessária a diversificação da carteira de benefícios. O que poderá causar 
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diferenças entre os beneficiários causando problemas na igualdade relativa dos benefícios. A 
experiência histórica dos regimes de pensões não capitalizados na Europa nos lembra da 
sabedoria distintiva entre "mercado" e "políticas redistributivas". Planos de previdência de 
repartição são instituições públicas, destinadas a aliviar as ineficiências geradas pela falta de 
determinados mercados financeiros, estes são praticamente imunes a crise. O uso camuflado 
do sistema financeiro (capitalização) pode motivar a especulação e os fins políticos, que 
posteriormente transformariam-se em abusos, levando o sistema a falência financeira. 
No processo justificável de livrar-se de tais distorções distributivas, faz com que 
queira-se uma substituição do modelo de previdência social. As pensões públicas servem a 
um propósito, que deve ser salvo e reforçado por uma profunda reforma do Estado Social 
Europeu. (Boldrin, et al. 1999). 
Orenstein (2003) mostra que o nível de desenvolvimento econômico, tamanho, 
exemplo regional, e atividades de defensores de políticas globais influenciaram a difusão de 
reformas para os sistemas de previdência social em todo o mundo. Há também diferenças 
significativas entre as reformas em um segundo momento o conteúdo das reformas tem sido 
diferentes, o país reformado vem a ser uma semiperiferia, a velocidade de difusão é maior, e a 
organização é diferenciada. Quanto ao primeiro modelo destaca-se que estes podem ter sido 
retardados por dívida previdenciárias implícitas, mas tal dependência da trajetória histórica 
não pode explicar adequadamente a adopção das decisões políticas a nível global. O autor 
sugere ainda que a invenção e a propagação de novas ideias, presença de exemplos regionais, 
e uma política de atenção global estão impulsionando a segunda onda das reformas 
previdenciárias. Várias recomendações de políticas podem ser extraídas deste estudo. 
Primeiro, o Banco Mundial defende a política social e os países devem centrar a sua atenção 
na realização de formas nos sistemas de previdência. Segundo, a difusão das reformas pode 
ser mais rápida se os defensores de políticas globais identificarem e prosseguirem as reformas 
em vários continentes ao mesmo tempo. 
Hermann e Mahnkopf (2010) aponta que o futuro do Modelo Social Europeu acabará 
por ser determinado nas lutas sociais. O que é necessário é um "coletivo, contra-movimento". 
Infelizmente, tais movimentos não se desenvolvem automaticamente no sentido de uma 
construção social. Até agora, a crise atual só queria dizer que a "verdade" que tem sido 
ensinada nas últimas três décadas foi parcialmente questionada. A interpretação da crise irá 
desempenhar um papel importante para este conflito. Dois cenários estão expostos: Por um 
lado existe a ressurreição do capitalismo desarraigado com um novo conjunto de 
regulamentos destinados a melhorar o desempenho do mercado e com novos campos de 
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acumulação e expansão de abastecimento das novas bolhas. Em segundo plano, a alternativa é 
a criação de uma economia socialmente sustentável. Tal economia seria caracterizada pela 
relativa independência dos meios de vida dos cidadãos da acumulação de capital e do câmbio 
de mercado. O setor público, incluindo serviços públicos, o estado de bem-estar e política de 
emprego, desempenham um papel importante na configuração de mercados na sociedade mais 
ampla. Isto não significa que é possível ter capitalismo sem crise, mas pelo menos a crise não 
vai levar à depreciação da sociedade. A economia deve ser incorporada nas relações sociais e 
não as relações sociais na economia.