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Christiano Ferreira - Mudança de Regime Previdenciário de Repartição para Regime Misto - Uma Perspectiva para o Brasil - Ano 2012

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Este veio unificar a gestão com o objetivo de estabelecer uma administração nacional mais 
efetiva (BRASIL, 2008). 
A proteção ao trabalhador rural iniciou em 1970, com a criação do INCRA - Instituto 
Nacional de Colonização e Reforma Agrária, que busca garantir uma renda mínima para o 
trabalhador rural e o incentivar a permanecer no campo. A Constituição Brasileira de 1988 
implantou o conceito de Seguridade Social baseada em três segmentos básicos: previdência 
social, saúde e assistência social. 
 
 
 
 
18 
 
 
Segundo Ibrahim (2007, p.7): 
 
A aposentadoria é a prestação pecuniária por excelência, visando garantir os 
recursos financeiros indispensáveis ao beneficiário, de natureza alimentar, quando 
este já não tenha condições de obtê-los por conta própria, seja em razão de sua idade 
avançada ou mesmo por incapacidade permanente do trabalho. 
 
Para o Ministério da Previdência, Brasil (2004a, p.11): “Nos anos 90, o MPS passou 
por uma alteração estrutural. No início da década, foram extintos os antigos INPS e Instituto 
de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS), que deram lugar 
ao atual Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, consolidando a Previdência como uma 
forma de seguro social”. 
Em 1997, criou-se o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social, com o 
intuito de integrar as funções de concessão de benefícios, tais como manutenção e prestação 
de serviços previdenciários. Nos anos de 1998 e 2003 aconteceram novas reformas 
previdenciárias. Em 1998, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso - FHC 
entrou em vigor a Emenda Constitucional nº 20, a qual alterou a organização e a forma de 
concessão de benefícios previdenciários a fim de reestruturar o sistema. Segundo estudo do 
Ministério da Previdência (BRASIL, 2009a, p.18) as principais disposições foram: 
 
[...] (a) imposição de observância de critérios que preservem o equilíbrio financeiro 
e atuarial do sistema; (b) destinação do auxílio-reclusão apenas à população de baixa 
renda; (c) proibição de filiação ao regime geral, como segurado facultativo, de 
pessoa participante de regime próprio de previdência social; e (d) exclusão da 
autorização para que o regime geral instituísse previdência complementar. 
 
Ainda de acordo com Brasil (2009a), em 2003, o governo do presidente Lula atuou 
para reformar o sistema de previdência do funcionalismo público (Regime Próprio de 
Previdência Social - RPPS) e ainda ampliar o teto do Regime Geral de Previdência Social 
(RGPS). 
Existem atualmente no Brasil três grandes regimes de previdência social: O Regime 
Geral de Previdência Social (RGPS), este que é destinado ao setor privado, isto é, 
empregadores, empregados assalariados, domésticos, autônomos e trabalhadores rurais; o 
Regime dos Servidores Públicos (RPPS) e o Regime de Previdência Complementar, este 
último, porém, não é objetivo deste estudo. 
 Apresenta-se a seguir, as principais mudanças ocorridas no Regime Geral de 
Previdência Social e no Regime Próprio de Previdência Social do funcionalismo público. 
 
19 
 
 
2.2 REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS): CARACTERÍSTICAS, 
EVOLUÇÃO E ABRANGÊNCIA. 
 
Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, IBGE 
(2009) constatou-se que das 84,39 milhões de pessoas com idade ativa entre 16 e 59 anos, 
56,57 milhões de pessoas, ou seja, 67% estão socialmente protegidas, sendo que 41,97 
milhões (49,7%) estão filiadas ao RGPS. Assim, pode-se dizer que este regime está entre os 
maiores sistemas de previdência social pública do mundo em número de afiliados. 
Na década de 50, os benefícios concedidos em unidades monetárias eram muito 
menores do que os valores arrecadados pela previdência através dos seus contribuintes, ou 
seja, o Regime Geral de Previdência Social acumulava superávit. Passados cinquenta e dois 
anos, em 2002 verificou-se justamente o inverso. No ano de 1950, existiam oito contribuintes 
para um beneficiário; em 1970, este número caiu para cinco contribuintes para um 
beneficiário e no final dos anos 1990, o número de contribuintes por beneficiário se 
encontrava próximo de um, o que exigiu uma profunda mudança nas regras de concessão de 
benefícios e os seus respectivos prazos de duração. Esta mudança se deu, segundo o Livro 
Branco da Previdência Social (BRASIL, 2002, p.15) devido à “diminuição da taxa de 
natalidade e ao aumento da expectativa de sobrevida” 
Diante da preocupação de que o sistema previdenciário pudesse se tornar inviável do 
ponto de vista estrutural, o governo brasileiro, a partir da década de 1990, passou a ajustar os 
dispositivos dos benefícios a fim de restaurar as distorções do sistema. Sendo em 24 de julho 
de 1991, aprovada a Lei n° 8.213/91, que regulamenta o regime. (BRASIL, 2009a) 
O RGPS funciona de forma que os trabalhadores ativos financiem os trabalhadores 
inativos, com a expectativa de que no futuro, a inclusão de novos contribuintes possa ocorrer 
de forma a beneficiá-los da mesma forma. Neste contexto, as taxas de crescimento 
populacional, do perfil etário e de urbanização, são variáveis de vital importância para estimar 
a evolução dos contribuintes e dos beneficiários. Segundo Pacheco e Winckler (2004), no 
RGPS esta evolução é medida pela transição da situação de contribuinte para uma situação de 
recebimento do beneficio. De acordo com o estudo formulado pelo Ministério da Previdência 
Social (BRASIL, 2011a), com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística - IBGE existe uma tendência de declínio da taxa de crescimento da população com 
o aumento da taxa de envelhecimento para os próximos 20 anos. O processo de 
envelhecimento pode ser explicado pelo aumento da expectativa de vida por parte da 
população brasileira (avanço na saúde, saneamento e educação) e redução da taxa de 
20 
 
 
natalidade. A expectativa de sobrevida nas décadas de 1930 e 1940, para uma pessoa com 40 
anos era, de 24 anos para homens e de 26 anos para as mulheres. Na década de 2000, passou 
para 31 anos homens e 36 anos mulheres. Em 2009 houve crescimento de 35 anos para os 
homens e 40 anos para as mulheres, mantendo-se os mesmos índices no ano de 2010. 
(BRASIL, 2011a). 
Conforme observa-se na Tabela 1, com o passar do tempo a população tende a ter uma 
expectativa de sobrevida elevada. 
 
Tabela 1 – Evolução da Expectativa de Sobrevida no Brasil 
 (anos de vida) 
 1930/40 1970/80 2000 2009/2010 
Idade Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher 
0 39 43 55 60 64 72 69 77 
10 45 48 53 57 58 65 62 69 
20 38 40 45 48 48 55 52 59 
30 31 33 37 40 40 46 44 50 
40 24 26 29 32 31 36 35 40 
50 18 20 22 24 23 27 27 31 
55 16 17 19 21 19 23 23 27 
60 13 14 16 17 16 19 20 23 
65 11 11 13 14 13 15 16 19 
70 8 9 11 11 10 12 13 16 
Fonte: Dados retirados do Banco de Dados do IBGE com organização própria na tabela. 
 
A pirâmide demográfica brasileira de 1980, comparado com a do ano de 2011, revela 
o estreitamento gradual de sua base e o alargamento de seu topo. Ou seja, ocorre uma redução 
de jovens em relação ao total, e o aumento da população com idade avançada. 
 Em estudo realizado pelo IBGE (Brasil, 2004b), verifica-se que a taxa de fecundidade 
está declinando de forma acelerada. Em 1960, a taxa de natalidade correspondia a 6,3 filhos 
por mulher, este mesmo número em 2000 baixou para 2,38 filhos por mulher brasileira, e em 
2010 para somente 1,86. Por motivos sociais, culturais e econômicos, a mulher tem menos 
filhos do que no passado. De acordo com o Brasil (2004b) “O aumento da expectativa de 
sobrevida e a diminuição da taxa de fecundidade trazem