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Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub - Previdência Privada - Ano 2005

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à Superintendência de Previdência Privada 
os privilégios e prerrogativas da Fazenda Nacional.
Os objetivos da Superintendência de Previdência Privada seriam, 
de acordo com o projeto:
1 - zelar pela eqüidade dos contratos realizados no âmbito do 
sistema de previdência privada;
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II zelar pela liquidez e solvência das instituições do sistema de 
p rev i c lência privada;
III - estimular a formação de poupança de longo prazo no País;
IV - dotar o mercado de previdência privada de mecanismos 
que assegurem a livre concorrência e o acesso do público às informa­
ções de seu interesse.
A competência da Superintendência de Previdência Privada en­
globaria:
I - regulamentar, com observância das normas definidas pelo 
Conselho Financeiro Nacional, as matérias relativas à sua área de 
atuação;
II - conceder autorização para o funcionamento, transferência 
de controle societário, fusão, incorporação, cisão, e qualquer outra 
forma de reorganização de instituições de previdência privada;
III - fiscalizar as atividades e operações das instituições de pre­
vidência privada;
IV - controlar a liquidez e solvência das instituições de previ­
dência privada;
V - autorizar a movimentação e liberação de bens e valores obriga­
toriamente inscritos em garantia das reservas técnicas e do fundo de 
garantia, na forma regulamentada pelo Conselho Financeiro Nacional;
VI - aprovar os planos de previdência privada antes de sua colo­
cação no mercado;
VII - credenciar os auditores atuariais e fiscalizar suas atividades;
VIII - decretar os regimes especiais na forma do art. 147 e se­
guintes desta lei complementar;
IX - aplicar às instituições de previdência privada as penalida­
des previstas nesta lei complementar.
O referido projeto ainda tramita no Congresso.
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8 .2 . A u to n o m ia d a previdência priva im
A Previdência Complementar Privada possui caráter comple­
mentar em relação ao Regime Geral de Previdência Social (INSS). 
Segundo o art. 202 da Constituição, possui também organização 
autônoma em relação à Previdência Social. Existe interligação entre 
os pilares previdenciários, mas a autonomia da Previdência Privada 
fica evidente tanto pela dicotomia repartição/capitalização, quanto 
pela dicotomia de iniciativa estatal/particular.
O art. 68, parágrafo 2o, da Lei Com plem entar n° 109, de 29 
dc maio de 2001, determ inou que a concessão de benefício pela 
Previdência Com plem entar não depende da concessão de benefí­
cio pelo Regime Geral da Previdência Social, ressaltando esta 
autonomia da Previdência Privada. Tal previsão confirmou o art. 
202 da Constituição.
As características da Previdência Privada, de per si, já exprime a 
amixia com a Previdência Social. Os regimes destes “subsistemas” da 
Seguridade Social são completamente diferentes - capitalização e re­
partição). A compulsoriedade constitucional das contribuições soci­
ais contrastam com as contribuições para a Previdência Privada. A 
solidariedade intergerações, nítida na Previdência Social, desvanece- 
se na Previdência Privada.
Firmado o contrato de adesão entre participantes e as entidades de 
Previdência Privada, perfaz-se uma relação jurídica de Direito Privado.
Este ambiente contratual intrínseco à Previdência Privada é cor­
roborado pela jurisprudência, inclusive pela Súmula n° 92 do STJ, 
que estabelece:
“O direito à complementação de aposentadoria, criado pela 
empresa, com requisitos próprios, não se altera pela insti­
tuição de benefício previdenciário por órgão oficial”.
O Estado, permeando o caráter institucional da Previdência Pri­
vada, mantém uma postura reguladora e fiscalizadora. Não podemos
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olvidar o alcance protetivo das normas públicas sobre esse tipo de 
relação privada, cabendo ao magistrado observar quais são as priori­
dades, caso a caso. A autonomia da vontade não é absoluta, mas não 
havendo previsão contrária de ius cogens, a vontade do participante é 
plena. H á, portanto, uma ambivalência entre institucionalidade e 
contratualidade.
A denominação de “participante” não adveio de doutrina autóc­
tone. Em verdade, não existia doutrina previdenciária brasileira sufi­
ciente para embasar a legislação previdenciária privada. Acabamos 
por importar um modelo estrangeiro. A influência do sistema previ­
denciário privado norte-americano sobre o sistema de Previdência 
Privada no Brasil é absoluta.
H á no Brasil uma sistemática nativa, mas vemos a sinonímia 
norte-americana nos principais termos, como, v.g., fundo de pensão 
(pension funct) patrocinador (sponsor), participante (participant), pla­
nos de benefício definido e de contribuição definida (defined contri- 
bution, defined Benefit), elegibilidade (eligibility), m ultiplano 
(:multiplan), multipatrocínio {multiemployer pension plan).
Até mesmo o benefício proporcional diferido, conhecido na dou­
trina e na prática brasileiras como vesting, é um termo que em inglês 
significa proteção, cobertura (utilizado também nos Estados Unidos 
para definir benefício proporcional diferido). A escolha de uma sigla 
para definir o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida 
Gerador de Benefícios Livres (VGBL) nos mostra a tentativa de 
imitar os americanos neste campo.
O Plano Gerador de Benefícios Livres - típico das Entidades 
Abertas de Previdência Privada (será analisado oportunamente mais 
adiante) foi inspirado nos chamados 401(k). O 401(k) advém da lo­
calização do instituto jurídico (seção, ou artigo 401, sub seção ou 
alínea k). Os americanos utilizam muito este método de definir con­
textos jurídicos com localização legal. Como no Brasil não há esta 
mania, inventamos siglas.
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Internamente, termos utilizados na Previdência Pública não são 
aplicados na Previdência Privada. Contingência da Previdência Pú­
blica figura como risco na Previdência Privada (que é o fato da vida 
que enseja a concessão de algum benefício ou auxílio). A contribui­
ção previdenciária, que tem a natureza de tributo da Previdência So­
cial, na Previdência Complementar Privada assemelha-se ao prêmio 
pago às seguradoras.
Apesar do liame, reiteramos que a Previdência Complementar 
Privada não é sinônimo de seguro privado. O próprio termo indeni­
zação, elementar no ramo dos seguros privados, não é utilizado no 
cenário de previdência, que envolve bem-estar e proteção social.
8 .3 . FACULTATIVIDADE DE INGRESSO NA PREVIDÊNCIA PRIVADA
O art. 202 da Constituição (repetido no art. I o da Lei Comple­
mentar n° 109) explicita a facultatividade de ingresso na Previdência 
Privada. No Chile, na Argentina, na Austrália, por exemplo, este in­
gresso é obrigatório (ainda que na Argentina e na Austrália os siste­
mas sejam híbridos, porém, o ingresso voluntário no sistema pode se 
tornar compulsório no Brasil por meio de emenda constitucional.
Mesmo diante da facultatividade constitucional, há vias indire­
tas de torná-la obrigatória sem uma emenda constitucional. Uma 
convenção coletiva na esfera trabalhista, por exemplo, pode estipular
o ingresso dos sindicalizados num fundo de pensão instituído. O tra­
balhador sindicalizado estaria então obrigado a ingressar no fundo, 
mesmo porque as decisões sindicais são teoricamente democráticas 
dentro da categoria.
8 .4 . T r a n s p a r ê n c ia n a p r e v id ê n c ia p r iv a d a
De acordo com o art. 202 da Constituição, a Lei Complementar 
que viesse a tratar do regime de Previdência Privada deveria assegurar 
ao participante de planos de benefícios de entidades de Previdência 
Privada:
“o p le n o acesso às in fo rm açõ es relativas a g estão de seus 
respectivos p la n o s”.
Isto mostra a transparência exigida pelo legislador. Na leitura 
da própria exposição de motivos da Lei Complementar n° 109 (fruto 
do projeto de Lei Complementar n° 63/99, de iniciativa do Poder 
Kxccutivo), vemos que primou o legislador