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Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub - Previdência Privada - Ano 2005

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à 
sadia qualidade de vida”, eleva, conseqüentemente, um dos pilares da 
Constituição da República estatuído no artigo I o, III, ou seja, a Digni­
dade da Pessoa Humana (vida).
E importante destacar que o direito ao meio ambiente equili­
brado constitui um direito fundamental da pessoa humana, mesmo 
que o legislador não o tenha configurado de forma expressa entre os 
referidos no artigo 5o da Constituição da República, uma vez que 
objetiva à sadia qualidade devida, e em suma, visa assegurar o direito 
fundamental que é a vida.9
A preocupação e a relação da O IT com M eio Ambiente do Tra­
balho e riscos sociais vem desde o próprio nascedouro da Organiza­
ção, ou seja, em 06 de maio de 1919, Pacto da Sociedade das Nações, 
parte XIII, artigos 387 a 487 do Tratado de Versailles.
8 FIORILLO. Celso Antonio Pacheco, ABELHA RODRIGUES. Marcelo e ANDRADE NERY. 
Rosa Maria. Direito Processual Ambiental B rasile iro^ 3 Edição., Belo Horizonte. Edi­
tora Del Rey, 1996. Pág. 31.
9 ROSSIT. Liliana Allodi. O Meio Ambiente De Trabalho No Direito Ambiental Brasileiro. 
01a Edição., São Paulo. Editora LTr. 2001. Pág. 55.
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Km 1944, a Organização Internacional do Trabalho em sua 26;l 
Sessão de Conferência aprovou a “Declaração Referente aos Fins e 
( Jbjetiyos da O IT ”, sendo mais conhecida como a “Declaração da 
Kiladçlfia”, nome dado em razão do local da conferência que ocorreu 
na cidade americana de Filadélfia.
A “Declaração da Filadélfia” ratificou e ampliou os preceitos 
constantes no Tratado de Versalhes, aglutinando novos objetivos da 
“segurança social e das quatro liberdades de Roosevelt, que todos os 
seres humanos, sem distinção de raça, crença ou sexo, têm direito de 
procurar seu bem-estar material e seu desenvolvimento espiritual em 
condições de liberdade, de segurança econômica e em igualdade de 
oportunidades.”10
Estabelece o art. 3o da Declaração da Filadélfia preceitos ati- 
ncntes à dignidade humana e sua proteção social, reconhecendo a 
obrigação da O IT em fomentar programas que alcancem:
“i) plenitude do em prego e a elevação dos níveis de vida.
ii) o em prego de trab a lhado res nas ocupações em que p o s­
sam te r a satisfação de dar a m ais am pla m ed ida de duas h a ­
b ilidades e de oferecer sua m aior con tribu ição ao b e m -e s ta r 
com um .
iii) oferecimento, como meio para lograr esse fim de garantias ade­
quadas para todos os interessados, de possibilidades de formação 
profissional e a transferência de trabalhadores, incluindo as m i­
grações de m ão-de-obra e de colonos.
iv) a adoção, em m atéria de salários e rendim entos, duração do 
trabalho e outras condições de trabalho, de medidas destinadas a 
garantir, a todos, um a justa participação nos frutos do progresso e 
um salário m ínim o vital para todos os que tenham um emprego e 
necessitem de tal proteção.
Iii SUSSEKIND. Arnaldo. MARANHÃO. Délio. VIANNA. Segadas. TEIXEIRA. Lima. Insti­
tuições de Direito do Trabalho. 19a Edição. São Paulo. Editora. LTr. 2000. Pág. 1465.
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v) o reconhecimento efetivo do direito à negociações coletivas; a 
cooperação de empresas e de trabalhadores para m elhorar conti­
nuam ente a eficiência da produção; e a colaboração de trabalha­
dores e empregadores na preparação e aplicação de medidas soci­
ais e econômicas.
vi) a extensão das medidas de seguridade social para prover um 
rendim ento básico aos que necessitem de tal proteção e assistên­
cia médica completa.
vii) a proteção adequada à vida e à saúde dos trabalhadores, em 
todas as ocupações.
viii) a proteção à infância e à m aternidade.
ix) a facilidade de alimentos, habitação, recreio e cultura adequados.
x) a garantia de iguais oportunidades educativas e profissionais.”
A O IT enfoca de forma basilar a proteção da saúde e da vida 
dos trabalhadores, proteção contra os acidentes do trabalho e doen­
ças profissionais, melhoria das condições do meio ambiente do tra­
balho de forma a elevar o bem-estar social segundo o princípio da 
dignidade humana.
Conforme estabelece o artigo 19 da Constituição da OIT, as 
Convenções e Recomendações adotadas serão transmitidas aos Es- 
tados-Membros, devendo estes examiná-las e verificar a possibilida­
de de ratificação das Convenções e a instrumentalização de meios 
efetivos, seja legislação ordinária ou outra forma de efetivar os pre­
ceitos que constam nas Recomendações.
As Convenções da O IT são leis internacionais, obrigando somente 
os Estados-Membros a se sujeitarem às normas após a ratificação. As 
Recomendações são sugestões de normas que eventualmente podem 
ser adotadas.
No Brasil, compete ao Congresso Nacional (competência exclu­
siva) resolver definitivamente sobre as Convenções Internacionais (art. 
49 ,1, da Constituição Federal de 1988). Aprovada a Convenção, há a
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expedição pelo Congresso Nacional de um Decreto Legislativo, para 
qúe o Presidente da República promova a sua ratificação, entrando em 
vigor internamente um ano após a data de sua ratificação formal perante 
a Repartição Internacional do Trabalho da O IT Para Sussekind, existe 
"interdependência entre a ordem jurídica internacional e a nacional, de 
modo que a ratificação do tratado importa na incorporação automática 
de suas normas à respectiva legislação interna.”11
Eis as principais Convenções da O IT que tratam sobre o tema 
saúde e meio ambiente do trabalho, in verbis:
a) Convenção n° 103. Amparo à Maternidade. Vigência no Brasil 
desde 18/06/1966. Promulgada pelo Decreto n° 58.820/66.
b) Convenção n° 115. Proteção Contra as Radiações Ionizantes. 
Vigência no Brasil desde 05/09/1967. Promulgada pelo Decreto n° 
62.151/68.
c) Convenção n° 136. Proteção Contra os Riscos de Intoxicação 
provocadas pelo Benzeno. Vigência no Brasil desde 24/03/1994. Pro­
mulgada pelo Decreto n° 1.253/94.
d) Convenção n° 139. Prevenção e Controle de Riscos Profissio­
nais Causadas pelas Substâncias ou Agentes Cancerígenos. Vigência 
no Brasil desde 27/06/1991. Promulgada pelo Decreto n° 157/91.
e) Convenção n° 152. Segurança e Higiene nos Trabalhos Por­
tuários. Vigência no Brasil desde 17/05/1991. Promulgada pelo De­
creto n° 99.534/90.
f) Convenção n° 159. Reabilitação Profissional e Emprego de 
Pessoas Deficientes. Vigência no Brasil desde 18/05/1961. Promul­
gada pelo Decreto n° 129/91.
g) Convenção n° 162. Utilização do Asbesto com Segurança. Vigên­
cia no Brasil desde 18/05/1991. Promulgada pelo Decreto n° 126/91.
SUSSEKIND. Arnaldo. Convenções da OIT.02a Edição. São Paulo. Editora Ltr, 1998.
Pág. 35.
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h) Convenção n° 167. Segurança e Saúde na Construção. Ainda 
não ratificada pelo Brasil.
i) Convenção n° 171. Trabalho Noturno. Ainda não ratificada 
pelo Brasil.
j) Convenção n° 174. Prevenção dos Grandes Acidentes Indus­
triais. Ainda não ratificada pelo Brasil.
k) Convenção n° 176. Segurança e Saúde nas Minas. Ainda não 
ratificada pelo Brasil.
2 .6 . SOCIAL SECURITY ACT
Dentro do processo de aprimoramento dos instrumentos de pro­
teção social temos uma pedra angular: o Social Security Act.
Depois da Primeira Guerra Mundial, a noção de seguro social 
passou a se definir mais robustamente também num âmbito previ­
denciário (onde a contingência ou risco social era a impossibilidade 
de trabalhar por fatores como a velhice ou a invalidez).
O divisor de águas do surgimento da idéia de Previdência Social 
foi o programa político do New Deal, criado pelo presidente norte- 
americano Franklin Delano Roosevelt, que fundamentou a idéia de 
Estado do Bem-Estar Social ( Welfare State), com o escopo de miti­
gar as agruras que o povo americano vinha sofrendo desde a crise da 
quebra da Bolsa de Valores de 1929.
Na retomada econômica do Estado norte-americano, houve a iniciati­
va governamental de intervir em prol da população. Em 14 de agosto de 
1935 foi criado o Social Security Act (que está em vigor