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Fernando Rubin - Benefícios por Incapacidade no Regime Geral da Previdência Social (2014)

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processuais civis na perspectiva do formalismo-valorativo. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013, p. 27.
					
					
						299 CAMBI, Eduardo. A prova civil: admissibilidade e relevância. São Paulo: RT, 2006. p. 35.
					
					
						300 KNIJNIK, Danilo. O recurso especial e a revisão da questão de fato pelo Superior Tribunal de Justiça. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 63/70, especialmente.
					
				
			
		
	
	
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				8. Benefícios por incapacidade e repercussão na concessão das aposentadorias previdenciárias
				Iniciaremos a discussão de importantes tópicos específicos envolvendo os benefícios por incapacidade, tratando da relação de cada um deles com as aposentadorias previdenciárias do sistema, especialmente a maior delas: a aposentadoria por tempo de contribuição.
				Ocorre que o tempo em gozo do auxílio-doença, em razão de sua Renda Mensal Inicial – RMI – ser de 91% do salário-benefício, em que visualizada uma espécie de desconto embutido de 9% a título de contribuição previdenciária do segurado, vem servindo para fins de contagem de tempo de contribuição. Ou seja, todo o período em que o segurado permanecer em benefício provisório, recuperando-se do seu problema de saúde, pode ser utilizado para fins de composição de sua ulterior aposentadoria por tempo de contribuição (B42).
				Registra o art. 55 da Lei n° 8.213/91 que o período em gozo de auxílio-doença será computado para a aposentadoria por tempo de contribuição se intercalado entre períodos de atividade; já o Decreto n° 3.048/99, pelo seu art. 60, IX, indica que somente se o benefício por incapacidade for decorrente de acidente de trabalho, o interregno será computado se intercalado ou não.122
				Não nos parece que haja qualquer lógica em diferenciar, neste particular, o beneficio auxílio-doença de natureza acidentária (B91) do auxílio-doença de natureza previdenciária (B31). Mesmo porque a RMI de ambos é exatamente igual – 91% salário-benefício, existindo o anunciado desconto embutido de 9% tanto em uma modalidade como na outra. 
				Nesse diapasão, entendemos que há justificativa plausível para em ambos os casos ser computado o interregno se intercalado ou não. O que significa dizer que após um período em benefício por incapacidade, quando da alta do benefício, se o segurado já tiver tempo de contribuição suficiente para requerer o seu B42, inclusive levando em consideração o período em auxílio-doença, poderia imediatamente requerer a aposentadoria previdenciária junto à agência do INSS, sem a necessidade de voltar a contribuir para o sistema.
				No entanto, a jurisprudência majoritária entende que o Decreto n° 3.048, no trato do tema, acabou por contrariar a disciplina da Lei n° 8.213, hierarquicamente superior, prevalecendo o entendimento no sentido de que é cabível a contagem do período de gozo do auxílio-doença como tempo de contribuição, desde qual tal período seja intercalado com outros de efetiva contribuição ao sistema previdenciário.123
				Na prática, tal discussão não gera ao segurado significativo problema, já que será suficiente, para cumprir o comando legal, a efetivação de ao menos uma contribuição posterior ao INSS. No caso de alta de benefício auxílio-doença pelo segurado celetista, deverá voltar ao ambiente de labor, permanecendo por pelo menos um mês laborando – se bem que no caso do benefício acidentário terá estabilidade provisória de até doze meses, sendo ainda mais confortável a sua situação. Na hipótese de o segurado da Previdência Social voltar de benefício provisório e não ter vínculo empregatício, bastaria uma contribuição espontânea, como contribuinte individual ou mesmo como facultativo para cumprir o requisito legal.
				O segurado para obter o seu B42 deve computar, se homem, 35 anos de contribuição e, se mulher, 30 anos de contribuição, somando todos os períodos em que contribuiu para o sistema como segurado obrigatório ou facultativo, podendo ser utilizado período de labor no campo (averbação de tempo rural)124 e ainda período em gozo de benefício por incapacidade, em que, mesmo sem caráter volitivo, permaneceu fora do mercado de trabalho se recuperando de um quadro infortunístico.125
				Se o auxílio-doença pode ser computado para fins de tempo de contribuição, em razão especial da sua RMI de 91% do salário-benefício, da mesma forma parece crível, como regra geral, a utilização desse período para fins de carência nas aposentadorias previdenciárias.
				Tal aspecto tem maior interesse quando do estudo da aposentadoria por idade (B41), já que para concessão deste benefício previdenciário basta cumprir o requisito etário – 65 anos, homem; 60 anos, mulher – e ainda a carência de 180 meses. Caso então o segurado esteja com dez anos de contribuição ao INSS, poderia somar mais cinco anos em que permaneceu em licença saúde e somando a idade buscar um B41 na agência do INSS? 
				Esta é a indagação que vem sendo respondida favoravelmente ao segurado pela jurisprudência: prevalecendo o entendimento no sentido de que o período em que o segurado esteve em gozo do benefício de auxílio-doença poderá ser computado como carência para fins de concessão do benefício de aposentadoria por idade.126
				Trata-se aqui, no nosso entender, de correta superação do tradicional conceito de “prazo de carência” como sendo de efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes. Se houve gozo do benefício por incapacidade, houve, mesmo que às avessas, determinado constante recolhimento ao sistema previdenciário, razão pela qual o período de auxílio-doença, acidentário ou comum, deve ser considerado para fins de carência.127
				Assim, só não poderia ser utilizado determinado período da vida do segurado se não tivesse, nesse interregno, alguma forma de contribuição, direta ou indireta, ao sistema previdenciário. É nesse contexto que entendemos ajustada a impossibilidade do período de averbação de tempo rural – sem contribuição – ser utilizado para fins de carência da aposentadoria previdenciária, conforme consolidado pelo enunciado n° 42 da Turma Nacional de Uniformização (TNU): 
				“Tempo de serviço do segurado trabalhador rural anterior ao advento da Lei 8.213/91, sem o recolhimento de contribuições previdenciárias, pode ser considerado para a concessão de benefício previdenciário do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), exceto para efeito de carência, conforme a regra do art. 55, § 2º, da Lei 8.213/91”.
				No caso específico da carência envolvendo o auxílio-doença, temos como adequada a formatação da Súmula n° 7 da Turma Regional de Uniformização da 4ª Região (TRU4): “computa-se para efeito de carência o período em que o segurado usufrui benefício previdenciário por incapacidade”.
				Mesmo quem apresenta posicionamento contrário, como Marina Vasques Duarte,128 salienta a forte inclinação jurisprudencial que se visualiza:
				“Ainda que se considere legal o posicionamento que entende não ser possível o cômputo do período em que o segurado esteve em gozo de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez como carência, porquanto ausentes contribuições, várias são as decisões judiciais permitindo a sua soma ao restante: ‘PREVIDENCIÁRIO. RESTABELECIMENTO DE APOSENTADORIA POR IDADE. PERÍODO EM GOZO DE AUXÍLIO-DOENÇA E APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. CÔMPUTO PARA EFEITO DE CARÊNCIA. 1. O tempo em que fica a segurada em gozo de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez é computado como tempo e serviço e de carência. 2. Cumprida a carência, único motivo da suspensão do benefício administrativamente, é devido o restabelecimento da aposentadoria por idade, a contar do seu cancelamento’”.129
				De acordo com o entendimento jurisprudencial esposado, o período em gozo desses benefícios por incapacidade não serviriam tão somente para carência, mas também para cômputo de tempo de serviço/contribuição. Tal aspecto é interessante