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Fernando Rubin - Benefícios por Incapacidade no Regime Geral da Previdência Social (2014)

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estaria inapto; sem prejuízo do exercício, pelo trabalhador, de qualquer outra atividade para a qual se julgue capacitado ou venha posteriormente a se capacitar.82
				Necessário, no entanto, o registro de que a colocação do segurado no mesmo emprego ou em outro para o qual ficar reabilitado não é obrigação da Previdência Social, cessando o processo de reabilitação profissional com a emissão do certificado individual.83
				Toda a passagem pelo CRP deve restar devidamente documentada pelo INSS, sendo prévio ao aludido certificado de conclusão, as análises periódicas dos progressos do segurado e as avaliações do seu potencial laborativo, do qual se extrairá valioso relatório denominado “Ficha de Avaliação do Potencial Laborativo” (FAPL).
				Como é fácil agora de se concluir, a passagem pelo CRP, em que confeccionado o FAPL e principalmente o certificado (individual) de conclusão trazem uma rede de informações que esclarecem a real situação de invalidez (parcial) do obreiro, servindo, posteriormente, como meio de prova judicial (contra o INSS e mesmo contra a empresa empregadora), para comprovar a significância da lesão incapacitante, mormente quando não há pagamento pelo INSS de contraprestação (benefício) relacionada à demonstração do deficit funcional.84
				Por fim, de acordo com a parte final do transcrito art. 62 da Lei n° 8.213/91, ratifiquemos que é possível que a reabilitação profissional não seja devidamente encerrada, em razão das próprias limitações físicas e/ou psíquicas do segurado. Dito de outra forma: havia uma possibilidade e um interesse do retorno do obreiro ao mercado de trabalho (por parte do INSS e, muitas vezes, do próprio segurado), mas na prática a passagem pela reabilitação profissional indicou pela extrema dificuldade da missão. 
				Nesse caso, em que verificada tentativa inexitosa (interrompida) do segurado pelo CRP/INSS, obviamente não deve ser emitido certificado (individual) de conclusão e o órgão previdenciário, constatando não ser recuperável a lesão incapacitante, deve encaminhar o segurado para concessão da aposentadoria por invalidez.85
				Notas
				
					
						75 Nos termos do art. 90 da Lei n° 8.213/91, a reabilitação profissional é devida em caráter obrigatório aos segurados e, na medida das possibilidades do órgão da Previdência Social, aos seus dependentes; com efeito, o dispositivo quer-nos parecer que, sendo a Previdência Social um dos ramos da Seguridade Social, mas informado pelos critérios do seguro, ou seja, dependendo de contribuição, titulares de tais prestações são os segurados e seus dependentes, não outras pessoas portadoras de deficiência que fazem jus ao benefício assistencial (ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JR., José Paulo. Comentários à lei de benefícios da previdência social. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011, p. 299).
					
					
						76 BARETTA, Valdir Cezar; BARETTA JR., Valdir Cezar. Reabilitação profissional no CRP-Florianópolis. Extraído do Repositório UFSC: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/ 123456789/105001/REABILITA%C3%87%C3%83O%20PROFISSIONAL%20NO%20CRP-FPOLIS.pdf?sequence=1>. Acesso em 02.02.2014, p. 15 e ss.
					
					
						77 Dentre alguns julgados, tratando especialmente do trabalhador rural, menção ao Incidente de Uniformização 200683025031778, Rel. Juíza Federal Maria Divina Vitória, D.J.U. 28.01.2009 (BERNARDO, Leandro Ferreira; FRACALOSSI, William. Direito previdenciário na visão dos tribunais. São Paulo: Método, 2009, p. 325).
					
					
						78 BALERA, Wagner; MUSSI, Cristiane Miziara. Direito Previdenciário. 9. ed. São Paulo: Método, 2012, p. 215.
					
					
						79 Dentre alguns julgados, tratando da hipótese de abandono de programa de reabilitação profissional, menção ao julgado pela 6ª Turma, REO 97.04.68195-0/RS, Rel. Juiz Federal convocado Sebastião Muniz, D.J. 13.09.2000 (ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JR., José Paulo. Comentários à lei de benefícios da previdência social. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011, p. 258).
					
					
						80 CARNEIRO, Osvanor Gomes. O direito do segurado a reabilitação profissional. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV, n. 101, jun 2012. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11662>. Acesso em fev 2014.
					
					
						81 APELAÇÃO CÍVEL. ACIDENTE DE TRABALHO. INSS. AUXILIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. LAUDO PERICIAL. Hipótese em que o nexo etiológico entre o acidente de trabalho e a lesão foi devidamente reconhecido pela Autarquia previdenciária. Por outro lado, a prova pericial evidenciou que o segurado esta incapacitado para executar a sua função laboral, a qual exige o emprego de força física. Considerando que a prova técnica demonstrou que o segurado encontra-se incapacitado para executar as suas atividades habituais de trabalho, em decorrência de um típico acidente laboral, imperativo reconhecer o direito do segurado ao restabelecimento do auxílio-doença acidentário, de modo que o benefício é devido até o momento em que o segurado seja submetido a processo de reabilitação profissional a cargo da Previdência Social e possa exercer atividade profissional compatível com as suas condições físicas, nos termos do art. 62, da Lei 8.213/1991 (...). (Apelação e Reexame Necessário nº 70035347798, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Tasso Caubi Soares Delabary, Julgado em 21/07/2010).
					
					
						82 VILELA VIANNA, Cláudia Salles. Previdência Social – custeio e benefícios. 2. ed. São Paulo: LTr, 2008, p. 506/507. 
					
					
						83 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social. 34. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 531.
					
					
						84 Outro aresto, mais afeito ao contexto, pode-se colher da jurisprudência do Tribunal gaúcho: “APELAÇÃO CÍVEL. PROCESSO CIVIL. PRELIMINAR. MINISTÉRIO PÚBLICO. LAUDO PERICIAL. COMPLEMENTAÇÃO. DESNECESSIDADE. Na espécie, a prova técnica é robusta e consistente, especialmente porque não há nenhuma imprecisão no laudo pericial que justifique a complementação do trabalho técnico; pelo contrário, todos os pontos foram bem ponderados e se encontram devidamente apreciados. Assim, inexistem as divergências apontadas, não restando configurada nenhuma nulidade processual. AUXÍLIO-ACIDENTE. INSS. TENOSSINOVITE. LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO. NEXO CAUSAL E REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA DEMONSTRADOS. Hipótese dos autos em que restou demonstrado pela analise sistemática do conjunto probatório que a segurada sofre de doença adquirida no exercício da sua atividade de trabalho. Deste a eclosão da moléstia, restaram sequelas que reduziram a capacidade de trabalho da obreira, mormente porque a própria avaliação médica da Autarquia previdenciária entendeu que a segurada deveria passar por um por processo de reabilitação profissional, pois para a sua atividade habitual de bancária foi considerada inabilitada. No caso concreto, os elementos de prova dos autos apontam, sem dúvida, para a existência de sequelas decorrentes de doença profissional que reduzem a capacidade de trabalho da segurada. Benefício devido (...). TERMO INICIAL: Início do benefício a contar do dia seguinte à cessação do auxílio-doença acidentário anteriormente concedido. REJEITADA A PRELIMINAR DO MP, DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO DO RÉU, PROVERAM O RECURSO DA AUTORA E, DE OFÍCIO, DETERMINARAM A APLICAÇÃO DA LEI Nº 11.960/2009. UNÂNIME. (Apelação Cível nº 70030798011, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Tasso Caubi Soares Delabary, Julgado em 28/10/2009)”.
					
					
						85 Segundo a jurisprudência pacífica dos Tribunais, a aposentadoria por invalidez é um benefício devido ao segurado que for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência; assim, a impossibilidade de reabilitação profissional aparece como verdadeiro