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Fernando Rubin - Benefícios por Incapacidade no Regime Geral da Previdência Social (2014)

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art. 42, da Lei 8.213/91. III – Agravo previsto no art. 557, § 1º, do CPC, interposto pelo INSS, improvido.” (TRF da 3ª Região, Proc. 0011381-73.2011.4.03.9999-SP, 10ª T., Rel.: Des. Fed. Baptista Pereira, j. em 14/01/2014, e-DJF3 22/01/2014).
					
					
						44 ACIDENTE DE TRABALHO. AUXÍLIO-DOENÇA PREVIDENCIÁRIO. CONVERSÃO EM BENEFÍCIO ACIDENTÁRIO. CABIMENTO. INTERESSE DE AGIR EVIDENCIADO. SENTENÇA EXTINTIVA DO PROCESSO DESCONSTITUÍDA. O auxílio-doença acidentário possibilita a estabilidade de emprego e o depósito do FGTS, evidenciando o interesse de agir da demandante que postula a conversão da natureza do benefício previdenciário em acidentário. Decreto de carência de ação afastado. Sentença desconstituída. (Apelação Cível nº 70020776845, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Paulo Antônio Kretzmann, Julgado em 18/10/2007).
					
					
						45 APELAÇÃO REEXAME NECESSÁRIO. ACIDENTE DE TRABALHO. INSS. CONVERSÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA PREVIDENCIÁRIO EM AUXÍLIO DOENÇA ACIDENTÁRIO. POSSIBILIDADE. NEXO CAUSAL COMPROVADO. INTERESSE DE AGIR DO POSTULANTE. 1. Verificando-se que somente os benefícios de natureza acidentária conferem ao segurado a garantia de emprego, conforem disposto no artigo 118, da Lei n. 8213/1991, não há falar em ausência de interesse de agir ao ser pleiteada a conversão do benefício de natureza previdenciária em acidentária. 2. Comprovado o nexo causal entre a atividade funcional desenvolvida pelo autor e a moléstia que gerou o pagamento de benefício pelo INSS, mostra-se adequada à conversão do auxílio doença previdenciário em auxílio doença acidentário (...). PRELIMINAR REJEITADA. APELO PARCIALMENTE PROVIDO (Apelação e Reexame Necessário nº 70035651082, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Mário Crespo Brum, Julgado em 08/07/2010).
					
				
			
		
	
	
		9788573501759b-16.html
		
	
	
		
			
				9. Benefícios por incapacidade e cumulação de benefícios
				Um dos pontos específicos da nossa matéria infortunística que mais merece o nosso cuidado refere-se à cumulação de benefícios.
				É de se notar que tanto do ponto de vista legislativo como do ponto de vista jurisprudencial vem se notando movimento contemporâneo tendente à redução das hipóteses de cumulação de benefícios do RGPS, sendo que em várias hipóteses os benefícios por incapacidade – auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez – estão inseridos neste contexto.
				O art. 124 da Lei n° 8.213/91, alterado pela Lei n° 9.032/95, é uma norma de exceção que veda, salvo direito adquirido, o recebimento simultâneo de prestações do RGPS ali arroladas.136 A regra geral persiste sendo a permissão de acumulação de benefícios, sempre que a lei não contemple disposição em sentido contrário – sendo que no Decreto n° 3.048/99, a matéria é regulada no art. 167.
				O auxílio-doença, por ser benefício de natureza alimentar e que substitui a renda do trabalhador, por certo não pode ser cumulado com várias prestações do sistema – mencionando os dispositivos legais supra-arrolados a vedação à percepção conjunta com o salário-maternidade e o seguro-desemprego. Trata-se, tanto o salário-maternidade como o seguro-desemprego, de benefícios híbridos do sistema, pagos por lapso temporal reduzido (período máximo, respectivamente, de quatro e cinco meses), razão pela qual devem ser pagos ao trabalhador que cumpra os requisitos legais, sendo que se o trabalhador, ao encerrar o tempo de permanência nesses benefícios, continuar incapacitado para o trabalho, poderá sair em auxílio-doença, até que se recupere integralmente da sua convalescença.137
				O auxílio-doença, pela mesma razão, também não pode ser cumulado com qualquer aposentadoria previdenciária, já que se trata de benefício provisório e que conta tempo de trabalho e carência, como vimos no capítulo anterior. Ainda, registra-se como ilógica a cumulação do auxílio-doença com uma aposentadoria por invalidez, já que o segurado ou está em benefício por incapacidade provisório ou faz jus ao benefício máximo definitivo – não existindo divergência jurisprudencial quanto a este ponto.138
				Na hipótese de o trabalhador iniciar a percepção de uma aposentadoria previdenciária e continuar a prestação de labor, há determinação expressa impedindo que venha a receber qualquer prestação do RGPS, salvo o benefício híbrido salário-família e o serviço da reabilitação profissional. Assim, caso venha a se acidentar nesse momento, não poderá sair em benefício por incapacidade, conforme preconiza o art. 18 da Lei n° 8.213/91 – cenário, aliás, que desencadeia a teoria da desaposentação no direito previdenciário.139
				Com relação à aposentadoria por invalidez, há determinação legal expressa vedando a percepção de mais de uma aposentadoria simultaneamente. Por isso, mesmo que o segurado cumpra os requisitos legais para percepção tanto de uma aposentadoria por invalidez como de uma aposentadoria previdenciária (por tempo de contribuição, por ex.), deve optar por uma delas, qual seja, a mais vantajosa. Nesses casos, a mais vantajosa tende a ser a aposentadoria por invalidez, já que não há incidência do fator previdenciário.
				Já diante de percepção do auxílio-acidente, a tendência natural é a possibilidade de cumulação deste benefício-indenização com a maioria das prestações do RGPS, salvo as aposentadorias. Assim, compreende-se a redação do art. 124, parágrafo único, da Lei n° 8.213/91, ao estabelecer que é vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qualquer benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por morte ou auxílio-acidente.140 Nesse sentir, ainda, restou estabelecida a Súmula n° 44 da AGU:
				“É permitida a cumulação do benefício de auxílio-acidente com benefício da aposentadoria quando a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, que resulte sequelas definitivas, nos termos do art. 86 da Lei n° 8.213/91, tiver ocorrido até 10 de novembro de 1997, inclusive, dia imediatamente anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.596-14, convertida na Lei n° 9.528/97, que passou a vedar tal acumulação”.141
				Mais recentemente, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem surpreendentemente tornando ainda mais difícil a cumulação do auxílio-acidente com qualquer aposentadoria, ao passo que exige não só que a lesão seja anterior à publicação da aludida legislação in pejus ao segurado, como também que a data de concessão da aposentadoria previdenciária seja pretérita àquele marco.142
				Nesse diapasão, a concessão atual do “auxílio-acidente vitalício” só se torna viável em situações absolutamente excepcionais, em que por perícia judicial é reconhecido o início do problema infortunístico na década de 90, e o trabalhador já vem aposentado, por tempo de contribuição, por ex., antes de 10 de novembro de 1997.
				Fora desse restrito cenário, vem se mostrando incabível a cumulação. Resta daí ao segurado exigir, ao menos, que seja cumprido o paliativo previsto no art. 31 da Lei n° 8.213/91, a registrar que o valor mensal do auxílio-acidente integra o salário de contribuição para fins de cálculo do valor do salário de benefício de qualquer aposentadoria.143 Ou seja, não sendo possível a cumulação desses benefícios, ao menos o valor auferido mensalmente de auxílio-acidente servirá para majorar a Renda Mensal Inicial da futura aposentadoria previdenciária a ser percebida pelo segurado.
				Ademais, mais de um auxílio-acidente por segurado também passou a ser vedado a partir da publicação da Lei n° 9.032/95. Não raro o trabalhador, em momentos diversos do vínculo empregatício, adquiria mais de uma sequela ocupacional, que o tornava inválido parcialmente para as demais atividades. 
				Assim, se o mesmo trabalhador desencadear problemas de LER/DORT e PAIR, sendo que ambas determinam uma específica redução de capacidade de trabalho, não haverá como perceber mais