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Daniel Pulino - Previdência Complementar - Ano 2011

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diretrizes preestabelecidas.
Nesse sentido, fixa-se na Constituição a participação de trabalhadores, em­
pregadores e aposentados para, ao lado do próprio Governo, tomarem assento nos 
colegiados dos diversos órgãos públicos em que estejam em discussão ou sob con­
trole interesses e direitos afetos às áreas da seguridade social (saúde, previdência 
social e assistência social). De se recordar aqui, em demonstração da unidade sistê­
mica da Constituição, a previsão de seu art. 10, que, ao menos quanto aos interesses 
previdenciários (e trabalhistas) também assegura “a participação dos trabalhadores 
e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profis­
sionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação”.
Muitos e diversificados são - é natural - os interesses envolvidos no uni­
verso total do corpo social, daí advindo não poucas situações de conflito entre os 
diversos atores. A todos, no entanto, impõe-se buscar os objetivos comuns traçados 
pela Constituição, e é para encontrar as soluções que - de modo mais ponderado e 
sem impor a quem quer que seja sacrifícios excessivos - possam reunir os distintos 
interesses sem fugir do rumo traçado por aqueles objetivos que se revela o decisivo 
papel das instâncias democráticas.
Por sua vez, além de participativa, a gestão do sistema deve ser descentraliza­
da (tanto em suas áreas possíveis de ação - saúde, previdência e assistência social - 
quanto entre as diferentes esferas políticas - federal, estadual, municipal e distrital, 
segundo as competências também constitucionalmente desenhadas), situando-se,
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assim com <i perdflo da obviedade, q u e . «Iiilátua, todavia (ora Ao icnh o 1', e m 
Iratu a relração à tendência b m o i tálli a e d eu om prom etida que naturalm ente p o d e 
se apresentar à con d ução d o g lg a n le mecimlMno que liá de assegurar, “na ponta", 
o s m agnos objetivos gerais (bem estai e justiça sociais) e especiais (universalidade, 
ai ima de tudo, coordenada à uniform idade, seletividade e d istributividade, irredu 
ilb llidade etc.) que acim a, brevem ente, apenas foram passados em revista.
I f ( o que sempre ensinou Wagner Balera, que, a propósito, acrescenta: “O centro nem vê e nem se deixa ver |><u 
nr m liar, de ordinário, afastado tanto dos serviços como dos locais onde os problemas surgem e se desenvolvem. 
A descentralização, transferindo para a periferia do sistema o poder de decisão, faz com que as bases discutam <• 
|uoponham - a partir da situação local, sempre peculiar, da necessidade particular daquela população assistida 
iui «IIletivas e os planos de ação que o setor, como um todo considerado, deve, a seu tempo, implementar” (Noções 
/*/ eliminares de D ireito Previdenciário. São Paulo: Quartier Latin, 2004, p. 94-95 - grifo original).
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CAPÍTULO 2: 
A Atuação de Sujeitos Privados no  m bito 
M ateria l de Ações de Seguridade Social
2.1 - Seguridade social: expressa previsão da participação de 
sujeitos particulares na execução de suas ações
De acordo com a organização dada pela Constituição de 1988, a “seguridade 
social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes l'ú 
Micos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à provi 
dência e à assistência social”. Dessa forma, as prestações de seguridade social, no 
Brasil, hão de dizer respeito, materialmente, a uma das três áreas indicadas: saúde, 
previdência social e assistência social.
Basicamente - e até diremos prioritariamente, como se verá no Capítulo linal 
deste trabalho as prestações de seguridade social desenvolvem-se como medidas 
l>úblicas preordenadas a combater situações de necessidade social sentidas pelos 
beneficiários nos campos da saúde, da assistência social e da previdência social.
< Consoante já tivemos oportunidade de assentar em outro trabalho:
A n o ç ã o d e p re s ta ç ã o d e seg u r id a d e so c ia l é u m a c a t e g o r i a j u r í d i c o - d o g m á t i c a f u n d a m e n t a l 
p a r a e s s e r a m o d o d i r e i t o , a s s i m c o m o o s ã o , p o r e x e m p l o , a s n o ç õ e s d e a t o a d m i n i s t r a t i v o , 
s e n t e n ç a , t r i b u t o , c o n t r a t o d e t r a b a l h o , r e s p e c t i v a m e n t e p a r a o d i r e i t o a d m i n i s t r a t i v o , o 
p r o c e s s u a l c i v i l , o t r i b u t á r i o e o d o t r a b a l h o .
E m p r i m e i r o l u g a r , s o b p e r s p e c t i v a fu n c io n a l, o p e r a c i o n a l d a relação ju r íd ic a , p r e s t a ç õ e s s ; l o 
a s m e d i d a s p ú b l i c a s c o n f e r i d a s p e l o s ó r g ã o s g e s t o r e s d o s i s t e m a a o s b e n e f i c i á r i o s , v i s a n d o 
c o m b a t e r s i t u a ç õ e s d e n e c e s s i d a d e s o c i a l .
C o m e f e i t o , c o m o m e l h o r r e s t a r á e l u c i d a d o o p o r t u n a m e n t e , a m o v i m e n t a ç ã o d o a p a r e l h o 
p r o t e t i v o d e s e g u r i d a d e s o c i a l d e p e n d e d a d e t e c ç ã o l e g a l d e s itu a çõ es d e n ecess id a d e q u e r e e a e n i 
s o b r e o s m e m b r o s c o m p o n e n t e s d o c o r p o s o c i a l , a s q u a i s s ã o e n f r e n t a d a s m e d i a n t e o d e v e i 
i m p o s t o a o s en tes g e sto res ( q u a l i f i c a d o s , n e s s a m e d i d a , c o m o s u j e i t o s p a s s i v o s d a r e l a ç ã o ) d e 
a d o t a r , e m f a c e desses in d iv íd u o s , d e u m g r u p o deles ou a té m e sm o d e to d a a c o le tiv id a d e ( e e m 
q u a l q u e r d e s s e s c a s o s , a í e s t a r á i d e n t i f i c a d o q u e m c o m p o r á o p o l o a t i v o d a r e l a ç ã o j u r í d i c , i ) 
a s p r o v id ê n c ia s p r e f i x a d a s n a l e i p a r a e v i t a r o u d e a l g u m a f o r m a d e b e l a r a q u e l a s n e c e s s i d a d e s . 
T a i s p r o v i d ê n c i a s c o n s i s t e m , j u s t a m e n t e , n a s p r e s t a ç õ e s d e s e g u r i d a d e s o c i a l .
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I ' l l l VII)fN < IA ( < »MI'I I M l NJAII in it iM . .1 ju i ld lt <> t «m»*aIIim lu m tl • >*it <I* < >, im* ni-* |>n|im •’!tl•• l < t < -• l»u hriilí»'
1’o r l a n t o , é a t r a v é s d e l a s q u e s e r e a l i z a , e m ú l t i m a . u i á l l M s a i m i t c ç f l o n o c I u I n a s e g u r i d a d e . 
P o d e m o s d i z e r e n t ã o q u e h á u m modo de atuação cspri l / i i o n a s e g u r i d a d e s o c i a l , c o n s i s t e n t e 
n o c o m b a t e d e n e c e s s i d a d e s s o c i a i s m e d i a n t e o u t o r g a e s t a t a l d e |» i c s i a ç ó c s ( p r e s t a ç õ e s q u e h ã o 
d e s e r , n e c e s s a r i a m e n t e , d e u m a d e t r ê s e s p é c i e s : a s s i s t ê n c i a ! , p r e v i d e n c i á r i a o u d e s a ú d e ) ”. 13
Ocorre, porém, que a Constituição de 1988, muito embora tenha estrutura­
do um sistema - o sistema de seguridade social - de máxima relevância para atingi- 
mento dos próprios fins por ela mesmo eleitos como fundamentais à construção da 
República brasileira, e conquanto tenhamos visto que, justamente pela imbricação 
que há no assegurar os direitos relativos à saúde, previdência social e assistência 
social com os fins maiores da Constituição (que tem projeto de construir um Es­
tado de Bem-Estar Social), as ações de seguridade social constituem basicamente 
deveres a serem conferidos pelo Estado correlatamente a direitos públicos subjetivos 
dos beneficiários, não seria correto, a rigor, afirmarmos que apenas o Estado teria 
legitimidade para empreender atividades afetas à seguridade