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Daniel Pulino - Previdência Complementar - Ano 2011

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D istr ito Federal e M u n icíp io s a serem cobradas de 
seu s serv idores, p ela im p ositiva “instituirão” (a lém d e tam b ém sc acabar co m a referên cia a sistem as de previdência! 
“e assistência soc ia l”, d e ix a n d o -se claro q u e as con trib u ições serv iam para custear o reg im e previdenciário d esse s 
serv idores, d e q ue cu id a o art. 40 da C on stitu ição ). N o âm b ito da U n ião , d esd e a leg is lação con cretizad ora (Lei 
n. 8 .688, d e 21 d e ju lh o d e 1993) d o antigo art. 40 , § 6 o (in trod u zid o , co m o v im o s acim a, p ela EC n. 03 , d e 17 
d e m arço d e 1993), já h á expressiva con tribu ição (eis que in c id en te sob re a rem u n eração total, sem teto ) tios 
servidores p ú b licos para o fin an ciam en to tan to das p en sõ e s d e seu s d ep en d en tes quan to d e suas ap o sen ta d o r ia ^ 
N o s E stados e M u n icíp io s, p orém , em geral, apenas ap ós a EC n. 41 , d e 2003 , é q u e se tem ver ificad o a cob ran ça de 
con trib u ições prev idenciárias tam b ém (isto é, para a lém d o fin an ciam en to das p en sõ e s p or m orte) para o cu steio 
das aposentadorias d o s serv id ores resp ectivos.
103 E m an álise so c io ló g ica d o tem a, ob servou Ivanete B o sch etti o seguinte: “Tais p rin cíp io s con stitu cion a is (os 
d e tod a a segu rid ad e socia l, d o art. 194, parágrafo ú n ico ) , gen ér ico s , m as n ortead ores da d ireção a ser tom ada 
p ela segu rid ad e socia l, d ever iam p rovocar m u dan ças p rofu n d as na saúde, p rev id ên c ia e assistência , n o sen tid o de 
articu lá-las e form ar u m a rede d e proteção am pliada, coeren te e con sisten te . D everiam , en fim , p erm itir a transição 
d e ações fragm en tad as, desarticu ladas e pulverizad as para “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes 
públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social” 
(artigo 194 da C o n stitu ição da R epública Federativa d o Brasil). A pesar de ta is in d ica çõ es , n ão parecem ter sid o 
estes o s p rin cíp io s q u e susten taram a im p lem en tação das p o lítica s q u e co m p õ em a segu rid ad e socia l, e m uito 
m en o s a reform a ocorrid a recen tem en te n o âm bito da p rev id ên c ia socia l. E m bora a lgu n s autores con sid erem que 
'o Brasil fez a sua reforma à inglesa, eliminando os fundamentos bismarckianos de um sistema montado nos anos 30 
com as características segmentares do alemão' (V IA N N A , 1998:130), p a rece-n o s q ue o s e lem en to s d o segu ro não 
foram elim in ad os. T em os d efen d id o que a segu rid ad e so c ia l brasileira, tal co m o a C on stitu ição a in stitu iu , ficou 
entre o segu ro e a assistência , já que a ló g ica d o segu ro q ue su sten ta a p rev id ên c ia brasileira d esd e sua origem não 
só não fo i sup rim id a, co m o fo i até m esm o reforçada em a lgu n s aspectos. O s b en e fíc io s p rev id en c iários tiveram sua
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aparente oposição), assim, ,\ outra sorte de características que a mesma Constitui- 
..ao impõe à disciplina das prestações de assistência social e de saúde.
Essas características centrais das relações jurídicas em matéria de previdên- 
, ia social (quer do regime geral - RGPS, disciplinado pelo art. 201 da Constituição,
. |iior dos regimes próprios de previdência social - RPPS, fundados no art. 40 e, sub­
sidiariamente104, também no art. 201) dão conformação eminentemente seguradora
i i>i evidência social, cuja expressão designativa é, aliás, sinônima de seguro social.
Assim, embora o foco de nossas preocupações seja, no presente trabalho, o
ii ^ime de previdência complementar - em particular, quando operado pelas enti­
dade:; fechadas como este regime faz parte, em nosso sistema, da Seção relativa à 
Previdência Social em nossa Constituição (Seção III, do Capítulo II, do Título VIII, 
da < Constituição), que a disciplina ao lado da proteção previdenciária pública (em 
i fiação à qual aquela atua em caráter complementar, mas com organização autôno­
ma, estando baseada em regime de direito privado, como adiante melhor veremos), 
i‘ jireciso que vejamos, ainda que com extrema brevidade, de que forma se acha 
disposta em nossa Constituição a totalidade do sistema previdenciário.
Iremos nos concentrar, por isso, apenas nas características centrais dos regi­
mes públicos de previdência social (regime geral, do art. 201, e regimes próprios, 
do art. 40), tal como previstas no texto vigente da Constituição, sem entrarmos - 
|io i evidente impertinência para os fins a que nos propusemos - nos detalhes da 
estruturação de cada um deles.
3.2 - Previdência social pública, obrigatória ou básica
No amplo sistema de seguridade social, cabe à previdência social, na busca 
dos objetivos maiores (porque impostos a toda a ordem social, nos termos do art. 
193, da Constituição) do bem-estar e justiça sociais, combater, especificamente, as 
siluações de necessidade social que afligem precipuamente os trabalhadores e seus 
dependentes. Aqui, diversamente do que se passa em relação à saúde e à assistência 
social (que são as demais áreas componentes do raio de ações da seguridade social),
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lúdica atuarial revigorada, sobretudo com a reforma previdenciária implementada em 1998, por meio da Emenda 
i :< institucional n. 20, e os benefícios com natureza assistência! mais demarcada, como auxílio-natalidade e funeral,
loi am transferidos para a assistência social. Como afirma Teixeira (1990), mesmo com a inclusão destes princípios, 
ns políticas de saúde, previdência e assistência não conseguiram metamorfosear-se em seguridade social. A saúde,
i om exceção do auxílio-doença, desvencilhou-se dessa lógica e passou a ser orientada por todos os princípios 
«to modelo assistencial beveridgiano (universalização, descentralização, uniformização dos direitos, unificação 
institucional, financiamento predominantemente de origem fiscal). BOSCHETTI, Ivanete. “Implicações da 
reformada previdência na seguridade social brasileira”. In: Revista Psicologia e Sociedade. Porto Alegre: ABRAPSO 
(Associação Brasileira de Psicologia Social), 2003, v. 15, n. 1. Disponível em www.abrapso.org.br. Acesso em 29 de 
janeiro de 2007. (O esclarecimento feito no início da nota, entre parênteses, não consta do original).
1114 Art. 40, § 12, da Constituição (introduzido pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998): “Além do disposto 
neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, 
ns requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social”.
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não serão Iodos e quaisquer cidadãos, indistintamente, o alvo de atendimento das 
prestações de previdência social, mas apenas, basicamente (ainda que não total-i 
mente, diante da figura do segurado facultativo do RGPS, admitida de passagem 
pelo próprio art. 201, § 5o, da Constituição), aqueles que exercem trabalho - seja qual 
for a modalidade em que este se desenvolve, e independentemente de os serviços 
virem a ser prestados na área pública ou no domínio privado - ou aos respectivos 
dependentes, que retirem seu sustento, total ou parcialmente, daquele segurado.
No Brasil, o direito à proteção previdenciária é previsto como um dos direi­
tos sociais elencados pelo art. 6o da Constituição, apresentando-se, até mesmo de 
modo obrigatório, para todos os trabalhadores. Todavia, nem todos os trabalhado­
res brasileiros têm direito, atualmente - diante do que estabeleceu a própria Cons­
tituição de 1988, quer originalmente, quer mesmo após as reformas constitucionais 
até agora levadas a efeito - à mesma proteção previdenciária, ao mesmo regime de 
previdência social, pois