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Daniel Pulino - Previdência Complementar - Ano 2011

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alguns se vinculam aos regimes próprios de previdência so­
cial - RPPSs (caso dos servidores públicos - abrangidos os chamados membros de 
Poder105 - ocupantes de cargo de provimento efetivo106 na União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios), disciplinado pelo art. 40 de nossa Constituição, e outros, 
generalidade dos trabalhadores brasileiros, filiam-se ao regime geral de previdência 
social - RGPS (art. 201 da CF), que é, neste sentido, residual107.
Filiando-se a um ou outro desses regimes, o que importa ter claro é que o 
nosso sistema não admite que quem exerce trabalho fique legalmente sem proteção 
previdenciária.
105 A exp ressão in clu i to d o s o s m agistrad os, m em b ros d o M in istér io P ú b lico e o s co n se lh e iro s d e Tribunais de 
C ontas, d ian te da rem issão d o s arts. 93 , V I, 129, § 4° e 73 , § 3o, da C on stitu ição , ao reg im e d o art. 40.
106 C on sid eran d o o u n iverso de trabalhadores v in cu la d o s d ire tam en te ao setor p ú b lico , ap en as ficam d e forá 
d o s R PPSs (m as, c o m o n ão p o d e haver trabalhador sem proteção ob rigatória d e p rev id ên c ia , as figuras a seg u ii 
ap ontad as sã o lançadas ao âm b ito sub jetivo - ob rigatór io - d o RG PS) o s ocu p an tes d e cargos em comissão sem 
vínculo efetivo co m a A d m in istração Pública, o s empregados (“celetistas”) p ú b licos e o s temporários (figuras 
exp ressam en te afastadas p e lo art. 40 , § 13), b em c o m o os d eten tores d e mandatos eletivos (ch efes d o Poder 
E xecu tivo e sen adores, d ep u tad os federais, d ep u tad os estad uais o u veread ores) e d em ais agentes políticos (isto! 
é, os auxiliares d ire tos d o s ch efes d o P od er E xecutivo , q u e são o s M in istros d e E stado o u S ecretários estaduais, 
d istrita is o u m u n icip a is).
107 E m bora m en cio n a d o s p ela Lei n. 9 .717 , d e 1998 - q u e d ita as n orm as gerais relativas aos reg im es próprios 
de p rev id ên c ia soc ia l - , e em b ora tam b ém eles sejam ocu p an tes d e cargos p ú b lico s d e p rov im en to efetivo , é 
v á lid o ob servar q u e n o ssa C on stitu ição exc lu i da in c id ên c ia d e im p ortan tes regras d o art. 40 (sob retu d o aquelas 
q u e v ieram co m as reform as con stitu cion a is , ju stam en te para enfatizar o caráter con trib u tivo e o m ecan ism o 
segu rad or n o s reg im es p róp rios) a p roteção prev idenciária con ferid a a m ilitares, q uer o s m em b ros d as Polícias 
M ilitares e C orp os de B om b eiros M ilitares d e E stados e D istr ito Federal (art. 42 ), quer o s m em b ros das Forças 
A rm ad as (art. 142, §§ I o e 2 o, e 142, § 3o, IX e X ). A e les n ão se ap lica n ecessariam en te , p or exem p lo , o fim d o s 1 
critérios d e in tegra lid ad e na con cessão (aliás, a in d a é p o ss ív e l e corren te q u e a a p osen tad oria u ltrapasse o valor da 
ú ltim a rem u n eração da a tiv idade) e parid ad e n o reajustam ento, q u e fo i im p o sto p ela reform as para o s serv idores 
p ú b licos “civ is”.
Mas, quando dizemos Isso, estamos tratando de que forma cie proteção pre-
> i . t. iu iária? Ou, reformulando .1 pergunta, os únicos regimes de previdência social 
1.Imitidos em nossa C Àmstiluição são os acima apontados (RGPS ou RPPS)?
A rigor, não são apenas essas duas modalidades de regime previdenciário 
1 K< il'S e RPPS) as previstas em nossa Constituição, já que ela também disciplina, 
iiu.ilmente em seu art. 202, o que chama de regime de previdência privada. As- 
ni 1, ijuando dizemos que nenhum trabalhador pode ficar legalmente sem alguma 
modalidade de proteção previdenciária, estamos nos referindo apenas à proteção 
pievidenciária básica e oficial, que é também obrigatória.
Esta proteção previdenciária básica (ou elementar), que engloba os já apon-
1,1. los RGPS (gerido pelo INSS) ou RPPSs (de servidores públicos “efetivos”), pode
■ 1 denominada de previdência pública ou oficial porque é imposta, por lei, a todos 
ns trabalhadores, e, assim, independentemente de suas vontades, sendo prestada 
■■nl> regime de direito público (como já pudemos constatar), em princípio por en- 
1 idades estatais (geralmente organizadas sob a forma descentralizada autárquica, 
in.is em muitos regimes próprios também ainda diretamente por órgãos apenas 
de .concentrados da Administração direta dos entes políticos).
Essa modalidade previdenciária oficial é básica porque, compreendida ao 
menos num sentido meramente operacionall08/l09, alcança a proteção das situações 
de necessidade social sentidas pelos trabalhadores ou por seus dependentes, que se
■ n. ontrem abaixo do limite legalmente estipulado para a cobertura do respectivo 
1 ej’,ime.
Em suma, constituem características da previdência oficial, desenvolvida 
I 'elo RGPS ou pelos RPPSs: (a) desenvolvimento sob regime de direito público, com 
idininistração em princípio a cargo de entidades estatais, de direito público (a pró- 
I >1 ia administração direta ou mediante autarquias), e mediante fixação dos planos
I OH Reconheça-se que a utilização da expressão “básica” para designar o RPPS (cujo limite mensal de cobertura 
atualmente, no caso da União, p. ex., pode atingir cerca de R$ 25.000,00 mensais, que representam hoje mais de 
i |S$ 13.000,00) não seria adequada, na medida em que permite cobertura integral, se considerado o nível de vida 
t io s servidores em atividade, alcançando, ademais, patamar muito superior ao do RGPS, que acolhe a maioria dos 
lubalhadores brasileiros (e cujo “teto” legal é hoje de no máximo pouco mais de R$ 3.400,00, o que representa 
tii.lis de US$ 1.700,00). Apenas, portanto, num sentido operacional a denominação “proteção básica” poderia ser 
.u|ui empregada, no sentido de alcançar quaisquer necessidades comportadas dentro do “teto” de proteção dos 
li. nefícios, quer do RGPS, quer de qualquer dos RPPSs.
I ()‘> Com a Emenda Constitucional n. 41, de 2003, foram introduzidos mais intensos pontos de equalização das 
tqjras dos RPPS’s com as previstas para o RGPS. Dois deles merecem ser destacados, por mexerem em ponto 
luudamental do funcionamento do regime, ainda que produza efetivo impacto basicamente apenas para o futuro: 
(u) lim do critério de integralidade para o teto das aposentadorias do RPPS (equivalente ao valor dos vencimentos
• orrespondentes à remuneração do último cargo efetivo ocupado pelo servidor) para adotar-se o cálculo das 
aposentadorias dos servidores pela média das contribuições vertidas ao sistema previdenciário (quer ao RPPS, 
»|uer ao RGPS) ao longo da vida; e (b) fim do reajustamento das aposentadorias e pensões do RPPS pelo critério 
tle paridade (que era a extensão, aos inativos e pensionistas, de todos e quaisquer aumentos dados aos servidores 
cm atividade), substituído pela adoção de correção monetária, aplicada diretamente ao valor dos benefícios 
previdenciários em manutenção, segundo índice e periodicidade estabelecidos em lei.
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de benefícios e de custeio, bem como o próprio desenvolvimento de suas ações,I 
sempre por lei (não por negócio jurídico privado); (b) vinculação obrigatória dos I 
trabalhadores ao respectivo âmbito de proteção; e (c) combate de situações de ne*| 
cessidade social básicas (porque comportadas abaixo do teto fixado em lei110/lll),l 
mas voltadas à manutenção, em alguma medida (na medida do histórico laboral- 
contributivo do próprio trabalhador112, ainda que imperfeitamente), do nível dei 
vida do trabalhador, e não, necessariamente, ao atendimento do patamar de mera 
subsistência (“mínimos sociais”) - cujo combate fica a cargo, basicamente, dos be­
nefícios do subsistema de assistência social.