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Daniel Pulino - Previdência Complementar - Ano 2011

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vista de seus interesses.
É apenas este o ponto para o qual ora queremos chamar a atenção, pois re- 
n varemos para Capítulo específico a decomposição dos fundamentos que passam 
i sustentar esse novo regime - o que faremos, advirta-se, conquanto as disposições 
do art. 202 devam também aplicar-se, em princípio, ao segmento aberto, tendo em 
atenção exclusivamente o segmento fechado de previdência complementar, pela 
. vidente razão de que é este o objeto eleito para o presente estudo.
Mas é importante observar que essa expressiva e minudente regulação do 
•.etor de previdência complementar, que passou a haver após as alterações impostas 
I" Ia Emenda Constitucional n. 20, de 1998, a rigor, não significou, em si mesma 
i .msiderada, nem expressivo aumento, tampouco maior restrição à autonomia pri- 
\mla que sustenta o setor.
Com efeito, há muitos anos já era possível aos particulares atuarem no seg­
mento econômico de previdência complementar no Brasil, tanto no ramo aberto,
■ jiianto no fechado, não tendo havido, a rigor, a criação (senão a melhor definição e 
até a ampliação) de nenhum novo espaço de atuação no domínio econômico, exce- 
i,ao feita à figura do instituidor para a previdência complementar fechada.
Por outro lado, a previsão de princípios e regras expressas em texto de tama­
nho nada desprezível (se considerarmos o art. 202, com todos os seus parágrafos
e, ainda mais, as disposições pertinentes que foram embutidas no próprio texto 
da Emenda n. 20, sem alteração do texto permanente da Constituição), nem mes­
mo diante da rigidez que é própria das normas de nível constitucional, poderia 
ser tomada como supressão, sufocamento ou mesmo maior restrição ao campo da 
autonomia privada que até então já se encontrava delimitado pela ordem jurídica
116 “Veja-se que a matéria recebe pormenorizado tratamento, o que, por si só, denota um acentuado progresso 
no trato da matéria, reconhecendo-se sua elevada dimensão axiológica. Esse dispositivo indica a importância 
i rcscente da previdência complementar no ambiente jurídico nacional, pois, se até 1977, esse regime de seguridade 
inndava-se em regras gerais trazidas no Código Civil de 1916 e, a partir da vigência da Lei n. 6.435/1977, em lei 
ordinária, tem-se, a partir de 1998, a previdência complementar como bem constitucionalmente resguardado” 
(RODRIGUES, Flávio Martins; ARAÜJO, Thiago Cardoso. “A governança dos fundos de pensão”. In: Revista de 
Previdência/Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Faculdade de Direito, Centro de Estudos e Pesquisas no Ensino 
ilc Direito (CEPED), Rio de Janeiro, Gramma, 2006, n. 5, p. 105-132, out. 2006, p. 108).
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brasileira (basicamente pela Lei n. 6.435, de 1977, e seus regulamentos). A propó­
sito, como veremos, em grande parte, foi justamente a situação contrária, isto é, a 
ampliação da autonomia à previdência privada147, que se seguiu à nova disciplina 
da matéria na Constituição brasileira e sobretudo nas leis que sobrevieram para 
sua regulamentação (por exemplo, basta pensar no efeito verdadeiramente rees- 
truturante que a nova determinação constitucional de organização da previdência 
privada “de forma autônoma em relação ao regime geral” trouxe para o desenvol­
vimento do setor, particularmente quanto ao segmento fechado, que antes era con­
siderado estritamente complementar ao regime geral, como, aliás, adiante veremos 
com mais calma).
Assim, o que houve foi uma maior e mais detalhada regulação da matéria 
previdenciária complementar no ordenamento jurídico brasileiro em nível consti- 
tucional148, orientada, justamente, pela finalidade de preparar a estrutura norma­
tiva, os princípios e as regras fundamentais, enfim, os modernamente denomina­
dos “marcos legais” capazes de sustentar as condições para o desenvolvimento e o 
progressivo incremento da atividade econômica de previdência complementar no 
Brasil para o futuro.
4.2.3 - Exclusão da previsão de criação da previdência 
complementar e facultativa pelo Poder Público
Há, no entanto, outro ponto de impacto produzido na matéria pelas refor­
mas constitucionais para o qual temos que chamar a atenção, na medida em que ele 
representou, embora discretamente, grande alteração no estado em que se encon-j 
trava disciplinada a previdência complementar no texto original da Constituição, j
É que paralelamente a essa solidificação do regime de previdência com- j 
plementar na Constituição, cujos alicerces foram rigidamente introduzidos pela 
Emenda Constitucional n. 20, de 1998, no art. 202 da Constituição, e rompendo 
com a longa previsão formal da hipótese no direito brasileiro em nível infracons-] 
titucional, retirou-se do texto constitucional a possibilidade de empreendimento de 
previdência complementar e facultativa por órgão estatal, o que antes estava previsto 
no art. 201, § 7o, do texto original149.
147 M esm o porque, n ão se p o d e perd er d e v ista q u e foi ju stam en te n o con tex to d e a m p l ia ç ã o - ao m en o s futura
- d o esp aço fu n c io n a l da p rev idênc ia privada q ue se s em eo u a in serção d o tem a na reform a da p rev id ên c ia socia l 
brasileira, co m o , aliás, na d e p raticam en te to d o s o s p a íses la tin o -am erican os (n os quais tal s itu ação levou , em 
geral, a a lterações b astan te m ais exp ressivas d o q u e a d o caso b rasile iro) e tam b ém em p a íses d e outras reg iões do 
m u n d o q u e passaram p or p rocessos d e reform a d e seu s sistem as d e segu rid ad e socia l.
148 “A E m en d a C o n stitu cion a l n. 20198, ao redefin ir a estrutura p rev idenc iária brasileira, c o n s t i t u c io n a l i z o u , em 
relação ao regim e d e p rev id ên c ia privada, o s p rin cíp io s da adesão facultativa’, ‘b en efíc io con tratad o’, con stitu ição 
d e reservas’ e ‘organ ização autônom a’.” (REIS, A dacir. “Tem as centrais da n ova leg islação”. In: REIS, A dacir 
[C oord .]. F u n d o s d e p e n s ã o e m d e b a te . Brasília: B rasília Jurídica, 2002 , p. 16 - d estacam os).
149 N esse sen tid o: “A agen d a da contrarreform a d isp ô s, a lém d isto , d e p eq u en a recep tiv id ad e n o C ongresso ,
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I imita-se, com isso, o p.ipel do listado no setor, que ficará restrito, agora, á 
»iis id.ule normativa e ngalailora da previdência complementar, cabendo-lhe, nos
■ tis. i e s do art. 5o, da Lei Complementar n. 109, de 2001, “normatizar, coordenar, 
n| m i visionar, fiscalizar e controlar as atividades das entidades de previdência com-
l'l. meiitar” o que será feito, à luz do art. 3o, da mesma lei, para “formular a política
■ In setor”; para “disciplinar, coordenar e supervisionar as atividades de previdência 
i .implementar, compatibilizando-as com as políticas previdenciária e de desenvol-
> imeiito”; “determinar padrões mínimos de segurança para preservar a liquidez, 
milvencia e o equilíbrio dos planos de benefícios, isoladamente, e de cada entida­
de, no conjunto de suas atividades”; para “fiscalizar as entidades, suas operações e 
11■ 11. .ir penalidades”; bem como, finalmente, mas com máxima importância, para 
l'i e/i ver, no bojo de todas as demais tarefas, os interesses dos participantes e assisti-
.los planos de benefícios.
Km poucas palavras, em princípio150, desde a alteração constitucional em co- 
iii. i ilo, não mais poderá o Estado intervir no setor de previdência complementar 
fHn participação, vale dizer, para assumir pessoalmente (ou por criatura sua) a re- 
iili/.ição da atividade econômica ao lado dos sujeitos particulares, cumprindo-lhe, 
Ini|e em dia, apenas intervir sobre o setor,