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Ivy Cassa - Contrato de Previdência Privada - Ano 2009

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deverão, além de cumprir aos requisitos aci­
ma, ter formação de nível superior.
Nas entidades abertas, conforme o art. 37 ,1, da LC 109101, é
o órgão regulador que fixa os critérios para investidura e posse dos 
cargos e funções dos órgãos estatutários e o órgão fiscalizador que 
aprova tais atos. Assim como ocorre nas entidades fechadas, o pre­
tendente ao cargo não poderá ter sofrido condenação criminal tran­
sitada em julgado, nem penalidade administrativa por infração da 
legislação da seguridade social ou como servidor público.
Diferentemente do que ocorre nas entidades fechadas, nas 
abertas os participantes e assistidos não integram a gestão dos pla­
nos. Isso é mais um reflexo da diferença na assunção de riscos que 
ocorre em uma e em outra. Com o nas entidades fechadas os par­
ticipantes e assistidos assumem o risco da operação, é natural que 
tenham participação ativa na gestão. Nas entidades abertas, como o 
risco é apenas delas e não do participante, ele não integra a equipe 
de gestão.
Notam-se, pois, diferenças com relação à seguridade social. 
Na previdência privada a gestão não envolve o governo (embora haja 
algum controle) e está muito mais centrada na própria entidade (no 
caso das abertas), com destaque para a presença dos participantes em 
postos de gestão (no caso das fechadas).
3.3.2. Princípios segundo a doutrina
Uma vez apresentados os princípios da seguridade social, posi­
tivados na CF, que integram o sistema da previdência privada - com
3. Previdência Privada - 3.3. Princípios apli» .Wcis <
i m1111 e. 11 si l ições e ressalvas, bem entendido - , passa-se a discutir
■ ■in in'. ii|M>s de princípios que, embora não sejam especificamente 
I \ ii li a iciários, estruturam amatéria.
Segundo W ladim ir M artinez 34, ao ser enfocado um proble- 
in i que envolva relações de previdência privada, é no Direito Civil
■ jin .i devem buscar postulados gerais, pois essa é a matéria que, tra-
. 1........aImente, envolve questões de contrato, de acordo de vontades
. i ■ i ie as partes.
Nessa linha, o autor destaca alguns princípios oriundos de
......os campos como aplicáveis à previdência privada. Apresentamos
i '.eguir uma análise crítica de tais princípios:
a) Autonomia da vontade
A autonomia da vontade, ou autonomia privada, é o poder 
. i >n ferido ao indivíduo de regulamentar seus próprios interesses den-
i io dos padrões permitidos pelo ordenamento jurídico. É a expres­
são da liberdade individual. Manifesta-se especialmente no campo 
do direito privado, sendo o contrato, por excelência, o instrumento 
da iniciativa privada.
A previdência privada, contrariam ente ao RGPS, é um re­
gime facultativo, e, como tal, tem como postulado básico a liber­
dade de escolha dos participantes. Deve-se, portanto, respeitar a 
vontade das partes de contratar ou não o plano, da entidade de 
aceitar ou não o proponente, do participante de indicar o seu be­
neficiário - até mesmo as regras para concessão do seu benefício se 
submetem ao princípio da autonom ia privada.
Sobre esse princípio, discorre M artinez35:
“N a análise das diferentes situações o aplicador ou intérprete
deve partir da liberdade de assunção da proteção supletiva, fa-
' ‘M ARTINEZ, W ladimir Novaes. Primeiras Lições de Previdência Complementarão Paulo: LTr, l\Wv
15 M A R TIN EZ, W ladim ir Novaes. Primeiras Lições, p. 58.
C O N T R A T O Dl- PRH V ID K N C IA PR IV A D A
cnldd.de de ingresso, permanência e contínua manifestação do 
desejo de agregar-se. A convenção encontra limite na lei e na 
volição das pessoas”.
Dessa maneira, a autonomia privada, a exemplo da posição 
que ocupa no direito civil, constitui também a pedra angular do di­
reito previdenciário privado.
b) imprescritibilidade das prestações
Em consonância com esse princípio, entendemos que a presta­
ção da previdência privada é de caráter imprescritível. Assim, preen­
chidos os requisitos legais, pode o participante solicitar o beneficio.
Vale ressaltar, porém, que o direito ao benefício previdenciá­
rio não prescreve, mas prescreve o direito às prestações. Nos termos 
do art. 75 da LC 109101:
Sem prejuízo do benefício, prescreve em cinco anos o direito às 
prestações não pagas nem reclamadas na época própria, resguar­
dados os direitos dos menores dependentes, dos incapazes ou dos 
ausentes, na form a do código civil. ”
Portanto, as prestações não prescrevem, mas o direito àquelas 
que não forem pagas nem reclamadas na época própria prescrevem 
em cinco anos.
Por essa via interpretativa se consolidou também a jurispru­
dência, havendo entendim ento sumulado pelo Superior Tribunal de 
Justiça nesse sentido (Súmula 291):
A ação de cobrança de parcelas de complementação de aposen­
tadoria pela previdência privada prescreve em cinco anos. ”
Ressalve-se apenas que, quando o fato ocorrer anteriormente 
à LC 109101, o prazo prescricional é de 20 anos, conforme a legisla­
ção anterior. Confirm a-o a jurisprudência a seguir mencionada:
3. Previdência Privada - 3.3. Princípios ,i|>lu .ívcr.
"N/io se aplica o art. 75 da lei complementar 109/01 aos jatos 
pretéritos, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade 
d,i lei. ” (Apelação cível n 836 259.5/0, TJ-SP)
e) Conhecimento das normas pactuadas
1 rata-se do princípio que estabelece que ninguém pode escusar­
.. do cumprimento da lei alegando o desconhecimento da mesma.
Partindo dessa premissa, o participante não pode alegar des­
. onliccimento das normas, nem das regras pactuadas entre as par- 
ies, presumindo-se a leitura e a compreensão do contrato antes da 
aia assinatura.
Sobre esse assunto, assevera M artinez36:
“Princípio e, ao mesmo tempo, presunção, o participante deve 
tomar conhecimento do contratado. Não pode alegar desconheci­
mento do avençado, embora dejato seja natural ignorar particu­
laridades do calculo atuarial. A presunção do conhecimento da 
lei éprincipio, tal sua importância para a organização do direito.
0 principio da transparência impõe o conhecimento por parte do 
participante ou contratante, das regras ajustadas com as entida­
des de previdência complementar. O Regulamento Básico deve 
ser escrito e entregue aos interessados, de preferência sob recibo. ”
Todavia, não podemos ignorar a posição de hipossuficiência 
técnica do participante perante a entidade. Como a linguagem do 
regulamento é bastante específica e difícil de ser compreendida por 
quem não é especialista no assunto, é importante também a entrega
,f' M ARTIN EZ, W ladim ir Novaes. Primeiras Lições..., p. 59.
72 C O N T R A T O Dl l'KI V ID lN C IA 1‘RIVADA
do material explicativo, em linguagem simples, conforme determina 
a LC'. 109101 (art. 10, II).
d) Remissão à legislação
Além de relativamente recentes, as normas válidas em matéria de 
previdência privada não se encontram codificadas, apresentando ainda 
certas lacunas próprias da sua juventude. Por isso, cm muitos casos é 
necessário remeter a normas e preceitos de áreas afins, excetuando-se, 
é claro, disposições que confiitem com as suas normas especificas.
No caso das entidades abertas, a própria LC 109101 estabele­
ceu no art. 73:
As entidades abertas serão reguladas também, no que couber, 
pela legislação aplicável às sociedades seguradoras. ”
Além disso, em razão de alguns traços de semelhança com o 
Regime Geral de Previdência Social, frequentemente assistimos à 
utilização pela jurisprudência de normativos próprios da previdên­
cia social.
Contudo, essa remissão deve ser feita com bastante cautela. 
Com efeito, constitui questão espinhosa para o aplicador e intér­
prete saber quando pode lançar mão da remissão, dado o risco de 
desnaturar o sistema de previdência privada, aplicando-lhe normas 
incompatíveis com sua lógica.
E o que ocorre com relação às entidades fechadas. Com o ad­
verte Jerônimo Jesus37:
A contrário