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Ivy Cassa - Contrato de Previdência Privada - Ano 2009

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artigos 40, 201 e 202, deter­
mina que todo regime de previdência tem caráter contributivo, seja
< > regime público ou privado. A contributividade é sustentada pelo 
caráter financeiro - atuarial.
De acordo com a LC 109101:
Art. 201. A previdência social será organizada sob a form a de 
regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, 
observados sob critérios que preservem o equilíbrio financeiro 
e atuarial.
CONTRATO I )l‘. PRKVIl )|-N( d A PRIVADA
Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter comple­
mentar e organizado de forma autônoma em relação ao regime 
geral de previdência social, será facultativo, baseado na consti­
tuição de reservas que garantam o beneficio contratado.
Portanto, no domínio da previdência privada, assim como 
ocorre no RGPS, para que o participante tenha direito ao recebi­
mento de um benefício, é preciso que ele tenha efetuado o pagamen­
to das contribuições a que está adstrito. Diferente é o mecanismo da 
assistência, em que o segurado tem direito ao benefício, independen­
temente do pagamento de contribuições.
l) Finalidade previdenciária;
Assume-se a finalidade previdenciária do plano para que seja 
efetiva a proteção ao trabalhador. O princípio está inscrito clara­
mente nos artigos Io e 2o da LC 109101:
Art. I o. O regime de previdência privada, de caráter comple­
mentar e organizado de forma autônoma em relação ao regime 
geral de previdência social, é facultativo, baseado na constitui­
ção de reservas que garantam o beneficio nos termos do caput do 
art.202 da constituição Federal, observado o disposto nesta Lei 
complementar.
Art.2° O regime de previdência complementar é operado por 
entidades de previdência complementar que têm por objetivo 
principal instituir e executar planos de benefícios de caráter pre­
videnciário, na form a desta Lei complementar.
O princípio é autoexplicativo. Os planos de previdência pri­
vada possuem evidente finalidade previdenciária por serem uma 
extensão da previdência social e por assemelharem-se a benefícios 
oferecidos pelo RGPS.
3. Previdência Privada - 3.3- Princípios .iplu ,ívo
in) Equilíbrio financeiro e atuarial
As entidades somente podem instituir e oferecer planos se 
li.iuvcr um plano de custeio que lhes garanta equilíbrio atuarial, 
" que significa que, para a concessão do benefício, deve haver uma 
.. >i u raprestação, que é o pagamento da contribuição.
Este princípio está previsto no art. 7o da LC 109101:
“Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados 
pelo órgão regulador e fiscalizador, com o objetivo de assegu­
rar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio econômico- 
financeiro e atuarial. ”
Mais especificamente com relação às entidades fechadas, o 
legislador tam bém tratou do tema nos artigos 18 e seguintes da 
I.C 109101.
Art. 18. O plano de custeio, com periodicidade m ínima anual, 
estabelecerá o nível de contribuição necessário à constituição das 
reservas garantidoras de benefícios, fundos, provisões e à cober­
tura das demais despesas, em conformidade com os critérios f i ­
xados pelo órgão regulador efiscalizador.
§ 1 - 0 regime financeiro de capitalização é obrigatório para os 
benefícios de pagamento em prestações que sejam programadas 
e continuadas.
§ 2 1 Observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro 
e atuarial, o cálculo das reservas técnicas atenderá às peculia­
ridades de cada plano de benefícios e deverá estar expresso em 
nota técnica atuarial, de apresentação obrigatória, incluindo as 
hipóteses utilizadas, que deverão guardar relação com as carac­
terísticas da massa e da atividade desenvolvida pelo patrocina­
dor ou instituidor.
CON l RATO Dl 1'RI VIDI NCIA PRIVADA
0 •' . Is reservas técnicas, provisões e fundos de cada plano de be­
nefícios e os exigíveis a qualquer título deverão atender perma­
nentemente à cobertura integral dos compromissos assumidos 
pelo plano de benefícios, ressalvadas excepcionalidades defini­
das pelo órgão regulador efiscalizador.
Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas 
terão comofinalidade prover o pagamento de benefícios de cará­
ter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta 
Lei complementar.
Parágrafo único. As contribuições referidas no caput 
classificam-se em:
1 - normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios previs­
tos no respectivo plano; e
I I - extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, 
serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribui­
ção normal.
3.3.3. Princípios segundo os novos paradigmas da teoria 
do contrato
Por fim, para encerrar esse tópico sobre princípios, é fun­
damental evocar a doutrina de Teresa Negreiros, que com grande 
maestria trata dos novos paradigmas da teoria do contrato, desta­
cando três princípios que regem toda relação contratual: boa-fé, 
equilíbrio econômico e função social.
3. Previdência Privada - 3.3. Princípios ,'ivt r.
- Boa-fé
A boa-fé é um princípio jurídico colocado como elemento es- 
.encial para a caracterização dos contratos. Nosso direito passou a 
> ontemplá-la como regra específica apenas a partir de 1990, com o
< ódigo de Defesa do Consumidor. Embora o Código Comercial de 
1^50 já a trouxesse como cânone hermenêutico dos contratos, não 
ex istia no Código Civil de 1916 como cláusula geral.
O Novo Código Civil, por sua vez, incorporou-a como cláu- 
sii la geral no art. 113, com relação à interpretação dos negócios jurí­
dicos, e no art. 422, para execução e conclusão dos contratos.
De acordo com a doutrina de Judith M artins Costa49, trata- 
se de um padrão de conduta aos que entram numa relação obri- 
gicional e que vem sendo aplicado pela jurisprudência nacional 
como fonte de específicos deveres de conduta e como lim ite ao 
exercício de direitos
Como ensina Teresa Negreiros50:
“Oprincípio da boa-fé representa, no modelo atual de contrato, 
o valor da ética: lealdade, correção e veracidade compõem o seu 
substrato, o que explica a sua irradiação difusa, o seu sentido e 
alcance alargados, conformando todo o fenômeno contratual e, 
assim, repercutindo sobre os demais princípios, na medida em 
que a todos eles assoma o repúdio ao abuso da liberdade contra­
tual a que tem dado lugar a ênfase excessiva no individualismo 
e no voluntarismo jurídicos.
1,1 M ARTINS-COSTA, Ju d itli .^ boa-fé no direito privado: sistema e tópica no processo obrigacional. São 
P.mlo: Revistados Tribunais, 2000, p. 188.
lM NKGREIROS, Teresa. Teoria do contrato: novos paradigmas. Rio de Janeiro: Renovar, 2002, p. 116­
117.
C O N TR A TO 1 >1 N U V II >I.N( .1A PRIVADA
.1 /umlamentação constitucional do princípio da boa-fé assenta 
na cláusula geral de tutela da pessoa humana - em que esta não 
sc presume parte integrante de uma comunidade, e não um ser 
isolado, cuja vontade em si mesma fosse absolutamente soberana, 
embora sujeita a limites externos. Mais especificamente, épossí­
vel reconduzir o princípio da boa-fé ao ditame constitucional que 
determina como objetivo fundam ental da República a constru­
ção de uma sociedade solidária, na qual o respeito pelo próximo 
seja um elemento essencial de toda e qualquer relação jurídica. 
Neste sentida11, “a incidência da boa-fé objetiva sobre a disciplina 
obrigacional determina uma valorização da dignidade da pes­
soa, em substituição à autonomia do indivíduo, na medida em 
que se passa a encarar as relações obrigacionais como um espaço 
de cooperação e solidariedade entre as partes e, sobretudo, de de­
senvolvimento da personalidade humana”
Assim, uma vez entendido o seu conceito e a sua importância 
no âmbito dos contratos em geral, não se pode negar sua relevância 
nos contratos de previdência privada.
No campo das entidades fechadas justifica-se pelo fato de ser 
o próprio participante que assume