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Ivy Cassa - Contrato de Previdência Privada - Ano 2009

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regime geral e pelo regime próprio70."
Portanto, a ideia central da previdência privada é justamente 
de complementar aquele valor pago pelo RGPS ou pelo RPPS para 
aquelas pessoas que auferem rendimentos superiores ao teto ofereci­
do por aquele sistema.
68 POVOAS, Manuel Soares. Previdência Privada - planos empresariais, v. I, Rio de Janeiro: Fundação 
Escola Nacional de Seguros, 1991, p. 191.
69 Idem, p. 192.
70 BALERA, Wagner. Sistema de seguridade social. 4.ed. São Paulo: LTr, 2006, p. 15.
3. Previdência Privada - 3.4. Natureza jurídica da previdciu i.i |u iv.ul.i
Não obstante, pode ainda ser utilizada como um sistema su­
plementar, ou seja, proporcionando aos seus participantes um valor 
ainda maior do que aquele que recebiam no momento de atividade.
Pode, ainda, atuar como o único sistema de previdência, e, 
assim, como a única fonte de renda, para o caso daquelas pessoas que 
não são vinculadas a nenhum sistema oficial.
Nas palavras de Eliane R. Costa71:
O significado “complementar” compreende um modelo paralelo 
ao básico, destinado a “adicionar” o bem - estar dos trabalha­
dores. O bem-estar é serviço previdenciário opcional, custea­
do com contribuições adicionais conforme redação anterior à 
Emenda constitucional n.20. O bem - estar suplementar - 
privado eqüivale ao campo não preenchido pelas políticas pú ­
blicas de seguridade e de previdência social básicas. Trata - se 
da majoração dos benefícios de caráter previdenciário fundados 
no contrato, como poupança de capitalização ou como conta de 
capitalização previdenciária.
Caracteriza-se também pela constituição de reservas, isto é, 
pela formação de um patrimônio constituído pelos recursos aporta­
dos (contribuições), destinado a financiar o recebimento de benefí­
cios contratados, sistema este denominado de capitalização. É como 
se o participante constituísse um a poupança em seu nome, com seus 
recursos identificados e segregados.
É diferente do que ocorre no RGPS e do RPPS, que pressu­
põem fundamentalmente o sistema financeiro de repartição simples, 
em que o pagamento das contribuições é destinado ao pagamento 
das aposentadorias dos inativos, não havendo a constituição de uma 
reserva individual.
71 COSTA, Eliane Romeiro. Op. Cit. , p.43.
C O N TR A IX) I >1 PRI VII >1N< IA PRIVADA
Sua adcsao e facultativa. A relação jurídica nasce de um con­
trato e rege-se pelo Direito Privado, de acordo com o princípio da 
autonomia da vontade.
O participante não pode ser obrigado a fazer parte de um pla­
no de previdência privada, gozando de plena liberdade para aceitar 
ou recusar a contratação do plano.
Já na previdência social, a relação jurídica entre o segurado ou 
beneficiário e o Estado é oriunda da lei e rege-se pelo Direito Públi­
co, em face da compulsoriedade da filiação.
Por fim, ainda que, no caso das entidades fechadas e dos planos 
coletivos das entidades abertas, a relação que se estabelece entre o par­
ticipante e a entidade decorra da sua relação de trabalho, o parágrafo 
segundo do art. 202 da Constituição Federal estabelece que o contra­
to de previdência privada não integra o contrato de trabalho:
As contribuições do empregador, os benefícios e as condições 
contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de 
benefícios das entidades de previdência privada não integram 
o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção 
dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos par­
ticipantes, nos termos da lei.
Deste modo, a relação de previdência privada é tratada no 
âmbito do Direito Civil e não do Direito do Trabalho, pois a ade­
são a um plano, ainda que instituído pelo empregador, exige m ani­
festação de vontade do empregado e não se confunde com a relação 
de trabalho72.
72RessaJve-se, porém, haver manifestações jurisprudenciais em sentido contrário, afirmando, confor­
me expusemos anteriormente, a possibilidade de matéria de previdência privada submeter-se à Justiça 
do Trabalho.
3. Previdência Privada - 3.5. Agentes e reguladores da previdciK i.i \u iv.ul.i '>
V5. Agentes e reguladores da previdência privada 
Nos termos do art. 74 da LC 109,
“A té que seja publicada a lei de que trata o art. 5o desta Lei 
complementar, as funções do órgão regulador e do órgão fis ­
calizador serão exercidas pelo M inistério da Previdência e 
Assistência Social, por intermédio, respectivamente, do c o n ­
selho de Gestão da Previdência complementar (C G Pc) e da 
Secretaria de Previdência complementar (SPc), relativa­
mente às entidades fechadas, e pelo Ministério da Fazenda, 
por intermédio do conselho Nacional de Seguros Privados 
(cN SP ) e da Superintendência de Seguros Privados (SU­
SEP), em relação, respectivamente, à regulação efiscalização 
das entidades abertas. ”
Trata-se, pois, de um dispositivo de caráter provisório. 
Portanto, atualmente, as entidades fechadas de previdência 
privada estão vinculadas ao M inistério da Previdência e Assistên­
cia Social e possuem como órgão regulador o Conselho de Gestão 
da Previdência Complementar (CGPC) e como órgão fiscalizador a 
Secretaria de Previdência Complementar (SPC).
As entidades abertas são vinculadas ao M inistério da Fazen­
da e possuem como órgão regulador o Conselho Nacional de Segu­
ros Privados (CNSP) e como órgão fiscalizador a Superintendência 
dos Seguros Privados (SUSEP).
Ademais, atuam como órgãos reguladores do sistema, tanto 
das entidades abertas quanto das fechadas, o Conselho Monetário 
Nacional (CM N), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a 
Secretaria de Receita da Fazenda (SRF).
C O N T R A T O Dl PIUVII >IN( IA PRIVADA
3.5.1. C G PC
O Conselho de Gestão de Previdência Complementar 
(CGPC) é um órgão colegiado que integra a estrutura do M inisté­
rio da Previdência Social e cuja competência é regular, normatizar 
e coordenar as atividades das Entidades Fechadas de Previdência 
Complementar (fundos de pensão). Também cabe ao C G PC julgar, 
como última instância, os recursos interpostos contra as decisões da 
Secretaria de Previdência Complementar.
3.5.2. SPC
A Secretaria de Previdência Complementar foi criada cm 
1978 e é o órgão responsável pelo licenciamento prévio, monitora­
mento financeiro e atuarial, cadastro e fiscalização dos fundos de 
pensão. Enquanto a SUSEP, no âmbito das entidades abertas, é uma 
autarquia, a SPC é ainda uma Secretaria e integra a administração 
direta centralizada.
Atualmente, tramita no Congresso Nacional um projeto de 
lei (396212008), a respeito da conversão da SPC cm uma Superin­
tendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).
Nos termos do que se propôs, a PREVIC seria uma autarquia 
de natureza especial, gozando de autonomia administrativa, finan­
ceira e com patrimônio próprio.
Constituir-se-ia por quadros técnicos especializados, contra­
tados a partir de concurso público, que conduziriam políticas está­
veis de longo prazo que ampliem a proteção social e contribuam para
o desenvolvimento econômico do país.
3. Previdência Privada - 3.5. Agentes e reguladores da previdêm 1.1 pi tv.nl.i
\.S.3. CNSP
É o órgão responsável por fixar as diretrizes e normas da po- 
lírica de seguros privados; é composto pelo M inistro da Fazenda 
(Presidente), representante do M inistério da Justiça, representante 
do Ministério da Previdência Social, Superintendente da Superin­
tendência de Seguros Privados, representante do Banco Central do 
brasil e representante da Comissão de Valores Mobiliários.
Dentre suas funções estão: regular a constituição, organiza­
ção, funcionamento e fiscalização dos que exercem atividades su­
bordinadas ao SNSP, bem como aplicar as penalidades previstas; 
fixar as características gerais dos contratos de seguro, previdência 
privada aberta, capitalização e resseguro; estabelecer as diretrizes 
gerais das operações de