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Ivy Cassa - Contrato de Previdência Privada - Ano 2009

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receberá um bene­
ficio por toda a vida, desde que cumprida a meta atuarial, isto é, 
desde que seja feito o pagamento das contribuições fixadas, e que 
não tenha ocorrido nenhum tipo de imprevisto no decorrer da re­
lação. N o entanto, tais planos podem term inar por frustrar essa ex­
pectativa, pois é grande a exposição ao risco de déficit atuarial. Num 
caso como esse, porém, não se poderá alegar que o participante foi 
enganado, pois o déficit integra o risco da operação, assumido, desde 
logo, quando do ingresso no plano.
Logo se notou, portanto, que a segurança era apenas aparen­
te, pois o participante sabe o valor programado para o benefício, 
mas esse cálculo é feito levando-se em conta algumas premissas 
atuariais, as quais podem não se confirmar. Desse modo, o partici­
pante não sabe se chegará efetivamente a receber o benefício con­
tratado. Assim, pelo risco que representam - para o participante 
e para a patrocinadora, portanto - , esses planos acabaram caindo
X C O N I K A I d I >1 HU VII >1 N< IA PRIVADA
i in desuso e vêm sendo, frequentemente, substituídos pelos planos 
de ( I ).
4.0.3.2.3.3.1.2. Contribuição definida (CD)
Os planos de C D surgiram depois dos planos de BD, somente 
na década de 80. A Secretaria de Previdência Complementar - SPC, 
preocupada com a segurança dos participantes, reconheceu que tais 
planos, embora não garantissem valores para os benefícios futuros, 
eram a melhor maneira de controlar os custos pertinentes aos pla­
nos, garantindo a solvência das entidades e elevando o nível de segu­
rança olcrccido aos participantes.
Nesta modalidade, o valor das contribuições e o prazo de pa­
gamento nao cstao atrelados a nenhum cálculo atuarial, gozando o 
participante, portanto, de liberdade para predeterminar aquilo que 
lhe lor mais conveniente.
O participante não conhece previamente o valor do beneficio, 
mas apenas o da contribuição.
Prevalece a característica de poupança individual de cada par­
ticipante, não havendo entre eles mutualismo, mas tão somente as 
vantagens decorrentes do agrupamento.
Nas palavras de Marília Vieira Machado da Cunha Castro124,
“Por esse motivo, a permanência ou não do participante no pla­
no não interfere no seu equilíbrio, bem como o pagamento, em 
qualquer condição, do valor acumulado em seu nome não inter­
fere no resultado do plano, devendo haver, entretanto, preocu­
pação quanto à liquidez financeira.”
L 1 ( '.ASTRO, Marília Vieira Machado da Cunha. Op. cit., p. 145.
4. Contrato de previdência privada - 4.0.3. lílcmciuns d<> tnnu.int I
O valor do benefício decorre diretamente do montante acu
i nu lado pelas contribuições aportadas e pela rentabilidade obtida 
durante o período de diferimento. Não se pode tecnicamente falar 
em déficit nem tampouco em superávit, mas apenas em “saldo de 
. onta” (maior ou menor).
Ao térm ino do período de diferimento, a entidade calcula o 
valor do benefício e retira a importância das provisões matemáticas 
de benefícios a conceder transferindo-o, se o beneficio tiver a forma 
de renda (pagamento periódico), para a provisão matemática de be­
nefícios concedidos..Se, no entanto, o beneficio se revestir da forma 
de pagamento único, a entidade se limitará a entregar o montante ao 
participante como compensação final de sua inscrição no plano125.
De uma perspectiva jurídica, os planos de C D aproximam-se 
da obrigação de meio, pois a entidade não promete um resultado, 
mas um meio para atingi-lo.
E comum, ainda, um modelo dc plano C D misto, chamado 
também de “C D com target”, em que o participante define o valor 
de sua contribuição, mas sempre tomando por base um determina­
do patamar de benefício que pretende atingir. Também nessa moda­
lidade não há mutualismo e a obrigação da entidade continua sendo 
de meio. O fim é uma obrigação do participante consigo mesmo, 
uma meta que ele estabelece para si mesmo, e não para a entidade.
Por outro lado, é preciso notar que a responsabilidade da enti­
dade nunca será superior à expressão monetária que recebeu do con­
tratante. Assim, quando o participante atinge o evento predetermi­
nado, será apurada a reserva acumulada e o beneficio será calculado 
de acordo com as regras fixadas no contrato.
Se o contratante não realizar o pagamento de suas contribui­
ções, o valor de seu benefício, por conseqüência, será reduzido, mas 
tal não configurará, necessariamente, inadimplência da parte con­
tratante, como ocorreria em um plano de benefício definido.
125 ARRUDA, M aria da Glória Chagas. Op. cit., p. 98.
( ( >NTRAT( 11 H PKI VII >I N< IA PRIVADA
1 )evc restar claro, pois, que essa modalidade de plano previ­
denciário c limitada pela relação entre as contribuições pagas e os 
benel ícios concedidos. As contribuições não são tecnicamente de- 
Imidas, mas, depois de serem levadas à formação de provisões ma­
u máticas de benefícios a conceder, tomarão a sua expressão final 
quando da definição do benefício.
4.0.3.2.3.3.1.3. Contribuição variável (CV)
Os planos de contribuição variável caracterizam-se por não 
pressuporem regularidade no valor das contribuições, nem periodi­
cidade dclmida, de modo que o participante efetua os aportes de 
acordo com a sua conveniência.
() cálculo do valor do benefício é feito de maneira bem pare­
cida com o plano de contribuição definida, com base no saldo acu­
mulado durante o período de diferimento.
Q uanto maiores e mais freqüentes forem os aportes, por ób­
vio, maior será o valor do benefício.
Esta modalidade de plano tem a vantagem de não criar difi­
culdades financeiras para o contratante, que pode contribuir para o 
plano somente quando suas condições econômicas o permitirem.
4.0.3.2.3.3.1.4. Migração de planos BD para CD
As patrocinadoras, cientes da existência de déficit atuarial em 
seus planos e de que teriam de arcar, juntamente com os participantes 
e assistidos, com o seu equacionamento, preferiram induzi-los os a 
migrar para planos mais seguros, que seriam os de contribuição defi­
nida, sujeitos apenas ao risco de déficit financeiro, mas não atuarial.
Segundo Rita Pasqual Anzolin126, na década de 90 o sistema
I 'icvidenciário privado brasileiro testemunhou uma avalanche de mi- 
l’,i ações de planos de benefício definido para planos de contribuição 
dclmida, como forma de solucionar o problema de déficit nos planos.
Contudo, as migrações dos planos não surgiram apenas porque
> x istiam planos deficitários. Surgiu também em virtude da desconfian- 
i,a dos participantes em relação ao gerenciamento dos patrimônios co­
letivos existentes. O desvio de recursos na Previdência Social colaborou 
para o descrédito do sistema previdenciário, muito embora o regime
II nanceiro adotado naquele órgão seja diferente do regi me apl icado aos
I undos de pensão. Além disso, a oportunidade de o participante ver o 
seu crédito individualizado despertou o interesse pela mudança, ainda 
que sem o esclarecimento de que o custo seria m aior.127
Assim, é prática comum no mercado as patrocinadoras ofe­
recerem a seus empregados e dirigentes um “crédito de migração”, 
que é uma forma de estimulá-los a migrarem de planos, conscienti- 
zando-os dos riscos existentes no plano atual e buscando eliminar 
riscos futuros.
Entretanto, é importante destacar que a migração de planos 
deve respeitar a facultatividade e levar em conta o direito acumu­
lado por cada participante, sob pena de afronta à ordem jurídica e 
desrespeito ao ato jurídico perfeito.
4. C ontrato dc previdência privada - 4.0.3. líkmrntns «In * oiiimim
4.0.3.2.3.3.1.5. Independência patrim onial entre planos 
de benefícios
Cada plano, ao ser executado, gera a acumulação de uma re­
serva matemática (“poupança”). Atende a premissas e riscos distin-
126 A N ZO LIN , R ita Pasqual Anzolin. A individualização das reservas matemáticas no processo de
migração