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Ivy Cassa - Contrato de Previdência Privada - Ano 2009

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Possibilita ao participante es­
4. Contrato de previdência privada - 4.0.3. Fin mnios «I................... nu .!(<■ 1 1
colher o valor de suas contribuições, conforme sua capacidade de 
poupança, a data para o recebimento do benefício, o tipo de investi­
mento que deseja realizar e, ainda, tem toda a flexibilidade que um 
|)lano de entidade aberta pode oferecer. Assim, observadas as regras 
pertinentes à carência e eventuais regras de vesting, no caso dos pla­
nos coletivos instituídos, é facultado ao participante transferir seus 
recursos para outra entidade quando bem entender.
O PGBL tem, ademais, uma característica tributária interes­
sante, que é o diferimento fiscal. O participante desfruta de uma 
vantagem no momento do aporte, que c a possibilidade de deduzir 
até 12% (doze por cento) do valor das contribuições efetuadas ao 
plano sobre sua renda bruta no cálculo do Imposto de Renda. Por­
tanto, é indicado para pessoas que declaram o Imposto de Renda no 
formulário completo. Além disso, o pagamento de impostos sobre a 
reserva do PGBL somente ocorre quando há resgate ou pagamento 
de benefícios. Por isso, diz-se que existe o diferimento fiscal, ou seja,
o pagamento do imposto posterior, o que permite que os rendimen­
tos sejam ainda maiores, pois os recursos ficam no fundo de inves­
timento obtendo rendimentos e livres do pagamento do imposto 
nesta fase, multiplicando-se a reserva acumulada.
Contudo, da mesma forma como o participante desfruta de 
uma grande vantagem no momento da “entrada” no plano, que é a 
possibilidade de dedução no Imposto de Renda, tem ele de arcar, como 
contraprestação, com a cobrança do tributo sobre o valor total do res­
gate ou do benefício, e não apenas sobre o valor da rentabilidade.
H á ainda outros produtos da mesma “família” que o PGBL, 
com as mesmas características tributárias, porém com algumas pe­
culiaridades com relação ao período de acumulação, que os dife­
renciam entre si.
São eles: (i) PAGP (Plano com Atualização Garantida e Perfor­
mance), que garante, durante o período de diferimento, atualização 
dos recursos da reserva matemática pelo índice de atualização de va­
lores previsto no regulamento; (ii) PRGP (Plano com Remuneração
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( ..uani ida e Performance (PRGP), que garante, durante o período 
di ililt i u n e m o , remuneração dos recursos da reserva matemática por 
L is a dc j i n o s efetiva anual e índice de atualização de valores, confor­
m e picvisto no regulamento; (iii) PRSA (Plano com Remuneração 
( ..uantida sem Atualização, que garante, durante o período de dife-
i imento, remuneração dos recursos da reserva matemática pelo índi­
ce de juros previsto no Regulamento; e o (iv) PRI (Plano de Renda 
Imediata), que garante, mediante contribuição única, o pagamento 
de benefício por sobrevivência sob a forma de renda imediata.
4.0.3.2.3.4.0.3. Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL)
O VGBL surgiu em 2001, como uma alternativa tributária ao 
modelo estabelecido pelo então recém-criado PGBL.
Trata-se de um plano de benefício dc natureza previdenciária, 
de contribuição variável, que foi estruturado como um seguro de 
vida com cobertura por sobrevivência.
Nessa modalidade de seguro, diferentemente do que ocorre 
nos seguros de morte, é o fato de o segurado sobreviver após deter­
m inado prazo estabelecido entre as partes que faz surgir para a segu­
radora a obrigação do pagamento da indenização.
Contudo, embora o VGBL também tenha como fato gera­
dor do pagamento do benefício (aqui chamado de “capital segura­
do”) a sobrevivência do participante (aqui, “segurado”) e, portanto, 
guarde algum tipo de similitude com esse tipo de contrato, defini­
tivamente não se trata de um seguro, pois apresenta características 
bastante diferentes.
Os elementos que compõem o seguro, conforme veremos 
adiante em capítulo específico, são: prêmio, empresarialidade, risco, 
interesse segurável e garantia.
4. Contrato de previdência privada - 4.0.3. Flrmnitns d n « min um I
O VGBL possui prêmio, pois a contribuição do segurado 
(participante), neste produto, reveste-se dessa roupagem. A entida 
de aberta, que na grande maioria dos casos é a seguradora, compõe 
o elemento empresarialidade. A seguradora presta a garantia de que
o segurado receberá um benefício, desde que este cumpra com suas 
obrigações, ou seja, pague o prêmio devido. O segurado tem interesse 
em atingir a data prevista para a concessão do benefício. H á o risco de 
que ele não atinja. Contudo, o fato de o segurado vir ou não a sobrevi 
ver à data prevista, não necessariamente altera o contrato.
Isso porque, se ele, durante o período de diferimento, o j > i ar por 
resgatar os recursos, é permitido. Sendo assim, o VGBL f u n c i o n a r i a 
como uma poupança ou um mero investimento. Se ele não atingir a 
data prevista, os recursos de sua reserva matemática serão transferidos 
para seu beneficiário. E, se ele estiver vivo ao término do período de 
diferimento, terá direito ao recebimento de um beneficio. Não se trata 
de um contrato de seguro propriamente dito. Durante o período de 
diferimento e até mesmo durante o recebimento do benefício, depen­
dendo da opção de renda do segurado, não há sequer mutualismo.
Com o ensinam Ernesto Tzirulnik, Flávio de Queiroz Bezerra 
Cavalcanti e Ayrton Pimentel133:
“AJesse passo, conveniente estabelecer as diferenças entre o seguro 
de vida individual por sobrevivência e os denominados PGBL 
(Plano Gerador de Benefícios Livre) e VGBL (Vida Gerador de 
Benefícios Livre). Nesses planos, o valor da prestação da segura­
dora não é definido no ato da contratação, sendo uma mera meta 
a ser atingida. O prazo contratado é mera referência, sendo que 
os aportes financeiros realizados podem ser feitos no valor que o 
titular do plano desejar e quando desejar. O benefício ao fin a l do 
prazo será estabelecido em razão do valor poupado. Tais planos 
não são, a rigor, seguros, pois, no prazo de diferimento, não há 
nenhum elemento de risco. E mera acumulação financeira. ”
" Op. cit. p. 156.
i t U N I It AM i I U l ' l ' I \ II il N< IA PRI V A D A
I muno comum, no mercado, a técnica de dar um nome 
mais .11 i.icnte ao produto. N o entanto, chamar um plano de previ- 
dcm ia pi ivada de seguro, ou de qualquer outra coisa, não lhe retira
o isiiatcr previdenciário. Por isso, entendemos, permanece sendo 
essa a sua natureza.
A rthur Weitraub134 defende tratar-se de um plano híbrido, 
n ma vez que abarca um misto de previdência privada e seguro de 
vida, pois, para ele, nos planos VGBL, uma parte dos recursos aplica­
dos pelo segurado vai compor a reserva para cobrir o risco de morte, 
e a outra parte será destinada à aposentadoria, sendo alocada em um 
fundo de investimento (com as aplicações delimitadas pela SUSEP).
Discordamos do entendimento acima exposto, pois, em pri­
meiro lugar, o que define o VGBL não é a contratação conjunta de 
uma cobertura de risco de morte; o produto pode ser adquirido in­
dependente da opção por referida cobertura, que é acessória. Além 
disso, porque a contratação da cobertura também pode ocorrer num 
PGBL, e nem por isso ele deixa de ser um plano de previdência e 
passa a ser um seguro.
Assim como o PGBL, o VGBL também apresenta duas fases 
bem distintas. Na fase de acumulação (diferimento), os recursos da 
reserva matemática são remunerados pela rentabilidade do fundo de 
investimento especialmente constituído para o plano, e o segurado 
pode optar pela modalidade mais adequada ao seu perfil (conserva­
dor, moderado ou agressivo). Na fase de concessão de benefício, ele 
também pode escolher o tipo de renda (vitalícia ou por prazo certo, 
com ou sem reversão ao beneficiário).
A diferença tributária que apresenta com relação ao PGBL é 
que, por ter sido estruturado como seguro - ainda que, bem