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Ivy Cassa - Contrato de Previdência Privada - Ano 2009

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razão pela qual se desenvolve um sistema volta­
do a atender, cada vez mais, às necessidades de quem se preocupa com 
o futuro. Além disso, constitui-se como ferramenta de importância 
crescente para a promoção do desenvolvimento social.
2.4. Crescimento da demanda pela previdência privada
Vários são os fatores que explicam o crescimento da demanda 
pela previdência privada observado nos últimos anos. Entre eles, pode­
mos destacar, na esteira de Leonardo Paixão, o aumento da expectativa
1 Título V III "Da Ordem Social”, Capítulo II, “Da Seguridade Social”, Seção III “Daprevidência social”,
.ni.202
C O N T K A K l 1)1 1’KI V Il >I N( IA PR IV AD A
cie v ida, as del iciências do regime geral de previdência social, o ambien- 
t c macroeconômico positivo e o ambiente regulatório favorável12.
2.4.1. Aumento da expectativa de vida
O aumento da expectativa de vida da população brasileira nas 
últimas décadas tem ocorrido graças a mudanças que afetam toda a 
vida do indivíduo, inclusive antes mesmo do nascimento.
Dentre essas, podemos destacar o desenvolvimento da medici­
na, que propiciou o surgimento de novas vacinas, com amplo acesso 
à população; o estímulo do controle do exame pré-natal; a melhoria 
da qualidade média da alimentação do brasileiro; e a ampliação do 
acesso ao saneamento básico.
Além disso, a biotecnologia trouxe notáveis avanços, tais como 
o sequenciamento do genoma humano, que abriu caminho para a 
criação de novos tratamentos para diversas doenças de origem ge­
nética. Ademais, o advento e disseminação de novas tecnologias de 
comunicação em massa proporcionaram a celeridade e a eficiência na 
transmissão de informações sobre saúde.
Todos esses fatores, elencados apenas exemplificativamente, 
respondem pela melhoria da qualidade de vida e pelo aumento da 
longevidade do brasileiro.
Por fim, a m udança de mentalidade que acompanha o pro­
cesso de urbanização brasileiro fez com que a taxa de fecundidade 
caísse e, consequentemente, aumentasse a proporção de idosos em 
relação às pessoas de idade mais jovem. Deste modo, a pirâmide 
populacional brasileira, seguindo a trilha dos países desenvolvi­
1 PAIXÃO, Leonardo, "A Previdência Associativa e o Capitalismo Social” in Papel dos fundos de pensão na 
formação da economia brasileira, São Paulo, Abrapp 1 ICSS / Sindapp, 2007, p. 53-80, disponível no site 
| w vv w. i n pa s. gov.br].
2. SEGURIDADE SOCIAL - 2.4 Crescimento da demanda pela previdência privada 47
dos, aproxima-se da inversão, com o alargamento do topo e estrei­
tamento da base.
Ora, o aumento do número de idosos conjugado a uma di­
minuição da taxa de natalidade, do ponto de vista da previdência, 
significa um aumento do número de inativos e uma diminuição do 
número de ativos. Essa inversão tendencial impacta decisivamente a 
estrutura da previdência social.
2.4.2. Deficiências do regime de previdência social
O desenvolvimento da previdência privada também está asso­
ciado à insegurança de parcela da população brasileira com relação 
ao regime oficial de previdência social.
Dentre outras razões, porque o Regime Geral de Previdência 
Social (RGPS) possui um patamar máximo para o pagamento do 
benefício. Por conta disso, uma parcela da população, cujos rendi­
mentos são superiores a esse teto, fica desprotegida, pois não recebe 
a complementação a fim de manter o poder aquisitivo que tinha no 
momento da atividade.
Nas palavras de Leonardo Paixão13:
“Embora para a maioria dos beneficiários o valor pago pelo IN SS 
seja muito significativo, a ponto de se considerar o regime geral de 
previdência como um fator importante para a redução da desi­
gualdade de renda no país, para algumas famílias de maior po­
der aquisitivo os benefícios são considerados muito modestos.”
Idem supra.
CO N T R A TO DF. PR I-VII )I;.NCI A PRIVADA
Portanto, alguns segurados do RGPS temem que, no futuro, 
no momento de inatividade, o atual regime seja incapaz de lhes asse­
gurar a manutenção de seu padrão de vida.
Além disso, como ocorre um achatamento do valor dos be­
nefícios, no momento da aposentadoria, com relação ao salário que 
recebiam, esse fator também contribui para a queda no padrão, de 
modo que, até mesmo aqueles que recebem valores inferiores ao teto, 
sentem-se prejudicados pela perda do poder aquisitivo no momento 
da aposentadoria.
Por fim, o grande número de reformas também acaba por 
gerar insegurança com relação ao sistema. Depois de passar a vida 
contribuindo para um sistema, o participante atinge a idade para 
a aposentadoria sem saber ao certo quais serão as condições que 
lhe serão oferecidas.
Frise-se que, em matéria de direito previdenciário, o direito só 
se considera adquirido quando o participante efetivamente preenche 
os requisitos necessários para a concessão da aposentadoria. Antes 
disso, está-se sujeito a todo tipo de mudanças de funcionamento do 
sistema que as reformas legislativas trazem.
Por tudo isso, cada vez mais os brasileiros buscam alternativas 
na iniciativa privada.
2.4.3. Ambiente macroeconômico positivo
O crescimento do PIB verificado nos últimos anos, fruto de 
um cenário macroeconômico positivo, aliado à progressiva estabili­
dade econômica e ao controle da inflação, estimulou a acumulação 
de recursos a longo prazo, favorecendo a incorporação do tema da 
previdência à agenda governamental.
(lunsidere-se ainda a diminuição da desigualdade social como 
icsiiltado dc uma melhoria na distribuição de renda, ainda que dis-
i reta. Nota-se, como resultado desses fatores, um número um pouco 
maior de pessoas cuja faixa de remuneração é superior ao teto da pre­
vidência, e que demandam, por isso, uma complementação da renda 
na aposentadoria.
2. SEGURIDADE SOCIAL — 2.4 Crescimento da demanda pela pn-vidim 1.1 |n iv.nl,i
2.4.4.Ambiente regulatório adequado
A nova legislação que regulamenta a previdência privada 
adaptou-se a uma série de inovações que surgiram no mercado, e que 
não tinham sido previstas na lei n° 6.435177.
Nas palavras de Devanir Silva14:
A previdência complementar brasileira encontra-se à beira de 
ingressar em um novo ciclo de crescimento, talvez mais rápido 
do que a trajetória que seguiu nos últimos 20 anos de vida regu­
lamentada. As leis complementares que dão a nova moldura de 
atuação dos fundos de pensão (...) abriram perspectivas ainda 
mais encorajadoras para um sistema que já era conhecido por 
seu extenso potencial. ”
Por outro lado, a nova legislação representou também a exi­
gência de certos ajustes nos estatutos das entidades e nos regulamen­
tos dos planos, a fim de incorporar as inovações trazidas.
No contexto de passagem para esse novo ambiente norma­
tivo, foi também fundamental a elaboração de um conjunto de 
normas regulamentadoras pelo C G PC e CNSP, com a comple­
mentação dos atos normativos da SPC e SUSEP. Nas palavras de 
Leonardo Paixão:
14 SILVA, Devanir. De 1977a 2002: reflexões para o a tual momento de transição, in Fundos de pensão em 
debate, REIS, Adacir (Org.), Brasília: Brasília Jurídica, 2002, p. 41.
C O N T R A T O D E PREVIDÊNCIA PRIVADA
“ldentifica-se um pico de atividade regulatória e a passagem, em 
um momento subseqüente, para um cenário de estabilidade de 
regras pelo qual os atores do setor de previdência complementar 
ansiavam há muito. ”
Sc, antes da LC 109101, o tempo médio de vigência das 
Resoluções era de poucos meses, as normas posteriores passaram 
a alcançar prazo médio de vigência bem mais extenso. A mesma 
preocupação com a elaboração de regras duradouras e adaptadas à 
nova legislação também se refletiu no Conselho M onetário Nacio­
nal, na Comissão de Valores Mobiliários e na Secretaria da Receita 
da Fazenda.
Situado o setor da previdência privada no Brasil em relação 
à seguridade social, no passado e no presente, e apresentadas