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Katia Cilene Balugar Firmino - Portabilidade da Previdência Complementar

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denotando a possível mobilidade do capital acumulado pelo participante graças à 
liberdade quanto à escolha da melhor proposta de planejamento, durante todo o tempo em que se 
executa o contrato previdenciário. Isso, sem dúvida, é novidade em matéria de previdência 
privada no Brasil. 
Veja a respeito as observações de Jerônimo Jesus dos Santos: 
“Este inciso confirma a modernização do regime de previdência complementar 
que passa, necessariamente, pelo caminho da flexibilização, ao reconhecer a 
dinâmica do mercado de trabalho no Brasil. 
O legislador desta LC n. 109, de 2001 introduz a figura da portabilidade, que, 
como vimos, se constitui na possibilidade de o participante de uma entidade de 
previdência complementar, em razão do término de seu vínculo com o 
patrocinador ou instituidor, transferir sua poupança acumulada para o plano de 
benefícios de outra entidade, seja aberta ou fechada. 
Assim, a portabilidade não caracterizará o resgate de poupança e sua 
conversão em liquidez, mas tão-somente uma transferência inter-institucional 
de ativos, evitando que haja perdas súbitas de solvência no regime de 
previdência complementar. É a consagração do princípio da não-surpresa 
econômica no regime de previdência complementar.”37
Em se tratando de plano de benefício de entidade fechada, ainda que varie 
conforme o regulamento dos diversos planos, a regra é de que os valores acumulados em 
decorrência das contribuições do patrocinador não integrarão o montante a ser resgatado, 
enquanto na portabilidade a soma será composta pelas contribuições do participante e pelos 
aportes do patrocinador, em conformidade à tese defendida neste estudo. 
Jerônimo Jesus dos Santos assim define resgate: 
“Define-se o instituto resgate como sendo a obrigação da seguradora que 
opera no seguro vida ou da EAPC (durante o período de diferimento fase de 
acumulação), efetuar ao segurado ou ao participante o pagamento dos 
 
37 SANTOS, Jerônimo Jesus dos. Previdência privada. 2 ed. Rio de Janeiro : Editora e Livraria Jurídica do Rio de 
Janeiro, 2005, p. 255. 
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recursos da Provisão Matemática de Benefícios a Conceder e da Provisão 
Técnica de Excedentes Financeiros, quando for o caso, por sua expressa 
solicitação ou, no caso de sua morte, ao beneficiário. 
Assim, entende-se por resgate o instituto que faculta ao participante o 
recebimento de valor decorrente do seu desligamento do plano de 
benefício.”38
A portabilidade envolve o participante, a entidade primitiva e aquela que 
administra o plano que receberá os valores portados, ao passo que no resgate os sujeitos da 
relação resumem-se no participante e na entidade em relação à qual será efetuada a retirada. 
O resgate importa no desligamento do regime de proteção da previdência 
complementar; a portabilidade é premissa de que o participante continuará a desfrutar de 
cobertura, porém perante outra entidade. 
A esse respeito, observa Wladimir Novaes Martinez: 
“No resgate sobrevém liberdade total de uso do seu conteúdo, o segurado 
dispõe do recurso financeiro como desejar; na portabilidade isso só acontecerá 
no futuro, quando da fruição do benefício no fundo de pensão receptor. Logo, o 
resgate não é idéia previdenciária, mas a portabilidade sim.”39
Já o benefício proporcional diferido ou vesting é “instituto que faculta ao 
participante, em razão da cessação do vínculo empregatício com o patrocinador ou associativo 
com o instituidor antes da aquisição do direito ao benefício pleno, optar por receber, em tempo 
futuro, o benefício decorrente dessa opção”, conforme definição colhida da resolução CGPC n. 
6/03. 
Em conceituação apresentada por Jerônimo Jesus dos Santos, temos a seguinte 
definição de benefício proporcional diferido: 
“Entende-se, pois, por Benefício Proporcional Diferido – BPD o instituto que 
faculta ao participante, em razão da cessação do vínculo empregatício com o 
patrocinador ou associativo com o instituidor e antes da aquisição do direito ao 
benefício pleno programado, optar por receber, em tempo futuro, benefício de 
renda programada, calculado de acordo com as normas do plano de 
benefícios, consoante dispõe o art. 2o da Res. CGPC n. 06, 2003. ”40
A opção pelo benefício proporcional diferido não impede posterior opção pela 
portabilidade ou pelo resgate, conforme previsto na resolução CGPC n. 6/03, em seu art. 3o. 
 Aqui o ponto de contato com a portabilidade é a oportunidade à opção pelo 
benefício proporcional diferido, a qual, da mesma forma que o resgate, ocorre em razão da 
 
38 SANTOS, Jerônimo Jesus dos. Previdência privada. 2 ed. Rio de Janeiro : Editora e Livraria Jurídica do Rio de 
Janeiro, 2005, p. 14. 
MARTINEZ, Wladimir Novaes. Portabilidade na Previdência complementar. São Paulo : editora LTr, 2004, p.56. 
40 SANTOS, Jerônimo Jesus dos. Previdência privada. 2 ed. Rio de Janeiro : Editora e Livraria Jurídica do Rio de 
Janeiro, 2005, p. 237. 
 56
interrupção na busca pelo benefício pleno, mas com uma especificidade, também identificada na 
hipótese de portabilidade operada na previdência complementar fechada: o abandono do plano 
deriva da cessação do vínculo empregatício. 
Rompido tal vínculo, abre-se a oportunidade à portabilidade ou ao benefício 
proporcional diferido, desde que preenchidos certos requisitos. 
Todavia, a semelhança do benefício proporcional diferido com a portabilidade, 
identificada na oportunidade ao exercício, não vai além desse aspecto, já que, conforme definição 
do instituto, enquanto o vesting significa direito a um benefício diferente do contratado, 
benefício proporcional de concessão diferida, a portabilidade garante ao participante manter-se 
engajado ao regime de previdência complementar com o fim de possibilitar o recebimento do 
benefício inicialmente estipulado, ou seja, o benefício pleno. 
Na esteira das observações de Wladimir Novaes Martinez “o vesting prorroga o 
momento de fruição da poupança realizada, enquanto a portabilidade é ato instantâneo, ainda 
que os seus efeitos previdenciários sejam protelados para a data da reunião dos elementos da 
elegibilidade”.41
Observa-se que, no que toca ao benefício proporcional diferido ou vesting, o art. 
14, inciso I, da Lei Complementar n. 109/01 prevê expressamente que tal instituto terá espaço 
desde que rompido o vínculo com o patrocinador ou o vínculo associativo com o instituidor; essa 
circunstância não é repetida pelo inciso II, complementado pelo § 1o, de modo que para a 
portabilidade a previsão legal contida na referida lei complementar limita-se exclusivamente à 
cessação do vínculo empregatício com o patrocinador, silenciando quanto ao rompimento do 
vínculo associativo com o instituidor, expressamente exigido na hipótese do vesting. 
Há que se investigar se esse silêncio importa em distinção de regimes jurídicos 
entre a portabilidade e o benefício proporcional diferido. 
Ademais, enquanto no vesting a lei prevê como condição a seu exercício a 
cessação do vínculo antes da aquisição do direito ao benefício pleno (art. 14, I, Lei 
Complementar n. 109/01), na portabilidade ela silencia, restando saber se o participante poderá 
exercer a portabilidade no caso de encontrar-se em situação de elegibilidade, mas ainda não no 
exercício da pretensão à prestação previdenciária. 
 
41 MARTINEZ, Wladimir Novaes. Portabilidade na previdência complementar. São Paulo : editora LTr, 2004, p. 
57. 
 57
Todas essas questões serão tema de abordagem no correr deste estudo, sendo aqui 
adiantadas no intuito de evidenciar as dúvidas que suscita o instituto da portabilidade tão-só pelo 
confronto do quanto sobre ele dispõe a Lei Complementar