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Léo Amaral Filho - Previdência Privada Aberta - Ano 2005

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para a previdência 
sobre 20 salários mínimos, e tendo os mesmos iniciado os 
respectivos benefícios à época em que ainda vigorava o D e­
creto n° 89.312184, que previa tal limite, não pode o IN SS, 
sob o argumento de revisão de benefício sob a égide da nova 
lei, reduzir aquele para 10 salários mínimos quando da fixa­
107 Ihidem, p. 20.
108 Ibiilcm, p. 20.
109 Sistema dc seguridade social, p. 2 I
L éo d o A m a r a l F il h o
ção da nova RM I, visto que o autor tem direito adquirido a 
permanecer com o teto anteriormente fixado”.110
No inciso V do art. 194, encontra-se o princípio que determina 
a “eqüidade na forma âe participação no custeio”. De igual forma, esse 
princípio determina que o legislador deve “definir a iusta proporção 
entre as quotas com que cada um dos atores sociais há de contribuirpçira a 
satisfação da seguridade social ”.111
Esse valor é particularmente importante porque devemos aten­
tar para a seguridade social direcionada a atender a todos, da maneira 
mais abrangente possível, sempre voltada para a preocupação na evo­
lução dos limites de sua atuação. Disso concluímos que os efeitos do 
princípio da eqüidade se projetam como meio de redução de desi­
gualdades: exige que quem pode mais, pague mais.112
Não há, de outra forma, como dissociá-lo do princípio da isono- 
mia, pois sua atuação conjunta permitirá que se implemente um siste­
ma que atenda ao sobreprincípio da justiça social: o sistema oferecerá 
tratamento igualitário a todos, mediante a cobrança de contribuições 
que devem ser desiguais, na proporção da capacidade de pagamento 
dos cidadãos, mediante a aplicação de critérios pré-fixados poj: lei.
110 Processo ns 98.05.33107-5.
Entretanto, esse decisão foi reformada pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Espe­
cial nQ 270.424 - Relator Min. Fontes de Alencar - Diário de Justiça da União 09.12.2002) 
que entendeu válida a limitação, por tratar do valor do benefício prevista pela própria 
Lei. Com a devida vênia, não nos parece correto esse entendimento, uma vez que a 
relação de pagamento de benefícios estava validamente constituída e foi precedida do 
- pagamento de contribuições destinadas ao benefício de 20 salários mínimos. A nova 
regra não poderia ser aplicada aos novos benefícios. Em julgamento do Supremo Tribu­
nal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade nQ 1.441, rel. Min. Octávio Gallotti, 
Diário da Justiça de 06/3/1998.
111 Wagner Balera, Sistema de seguridade social, p. 21.
112 Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal entendeu que a fixação em lei estadual de
alíquotas diferenciadas de acordo com a remuneração dos servidores, à razão de 8 % e 
16% dos vencimentos, de além da limitação da participação do Estado e dos Municípios 
com os gastos de pessoal não ofende o princípio da eqüidade. Ação Direta de
Inconstitucionalidade n91.425, rel. Min. Marco Aurélio, Diário da Justiça de 00/9/1999.
PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
WAGNER BALERA, com propriedade ímpar, consegue delinear a 
questão e descrevê-la em poucas linhas, sem deixar passar despercc 
bida a necessidade de que a gradação contributiva deva ser estabelc 
cida por lei:
“A necessária congruência estrutural entre isonomia e eqüida­
de exige o ponto de equilíbrio entre a capacidade econômica 
do contribuinte e o esforço financeiro que dele será cobrado 
para a constituição do fondo comum de proteção social.
Aplicado o critério em comento, esse meio indispensável 
para a concretização da seguridade, que é a forma de parti­
cipação do custeio, não se constituirá em outro elemento 
apto a propulsionar ou agravar as desigualdades sociais que, 
como fatores de risco, a ordem econômica acaba criando.
E m suma, a regra ordena que o legislador, ao produziria 
norma de custeio, atue com o propósito indireto de reduzir 
ag. desigualdades, mediante a p.rudente_ej^_quada_reparti- 
ção dos encargos sociais”.113
Em outro trabalho no qual abordou o mesmo assunto, dessa vez 
descendo a detalhes específicos sob a ótica da contribuição do cm 
pregador, aquele autor traçou um paralelo entre a medida da capaci 
dade econômica e o limite de fixação de percentual de cobrança, do 
que resultou uma interpretação clara e precisa do comando dirigido 
ao legislador infraconstitucional:
“A medida da capacidade econômica de certa empresa, e a 
carga fiscal que lhe incumbe suportar, estará relacionada, 
necessariamente, com o_lugar social que a mesma ocupa c 
com as repercussões da respectiva atividade no universo.da. 
seguridade social-
113 Sistema de seguridade soci.il, p. 21
L éo d o A m a r a l F il h o
O legislador deverá, sempre e necessariamente, em nosso 
entender, encontrar técnicas de tributação que não apenas 
revelem as riquezas existentes mas, além disso, identifiquem 
nelas parcelas que, excedendo o necessário, devem ser repar­
tidas com a comunidade na qual se insere o contribuinte.
(...)
Será compatível com a eqüidade a tributação que não iniba o 
desenvolvimento natural das atividades empresariais e que, no 
interesse social, imponha ao empregador ônus compatível com
o respectivo status nos cenários da relações econômicas”.114
Por sua vez, a contribuição do empregado tem como base o pres­
suposto que o salário pago pelo empregador contemple uma parcela 
destinada ao “seguro” que se destine a reparar os efeitos da perda não 
desejada da capacidade de ganhar.115
M arcos O rione G onçalves C orreia e É rica Paula B archa 
C orreia condensam os princípios da eqüidade e diversidade de bases 
de financiam ento, partindo da premissa da utilização da eqüidade como 
instrumento de promoção da redistribuição de renda por meio da 
seguridade social, e construindo analogia similar ao preceito encon­
trado no direito tributário:
“Por esse princípio, semelhante ao existente no direito tri­
butário, cada um irá contribuir para a manutenção do siste­
ma, segundo a sua capacidade econômica.
D aí a existência de faixas contributivas para assalariados, que 
aumentam à medida que há alteração do valor da faixa con­
siderada. D o mesmo modo, há diversidade, por exemplo, na 
forma de contribuição da empresa e de seu empregado.
114 Wagner Balera. A contribuição social sobre o lucro. In: Revista de direito tributário 
ne 67, p. 294/295.
115 Armando de O liveira Assis. Em busca de uma concepção moderna de "risco social". 
In: Revista dos industriários nQ 18, p. 25.
PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
Esse princípio corresponde à necessidade, já anunciada an­
teriormente, de que se promova à redistribuição de renda 
por meio da seguridade social”.116
O princípio da eqüidade pode ser encontrado na criação do legisla 
dor constituinte, que consignou, na redação da Emenda Constitucional 
n° 2011998, a introdução do § 9o do art. 195, cujo texto atribui a reduçiú >, 
por lei, das contribuições dos empregadores em razão do grau de utiliza 
ção da mão-de-obra ou da atividade econômica desenvolvida.117
Vale dizer, que a aplicação desse princípio também é encontrada- 
no subsistema da assistência social. Isto porque, embora os que dela se 
valham não necessitem contribuir para o sistema, é pressuposto que 
não o façam (ou não o fizeram) por absoluta falta de condições. Dessa 
forma, aqueles que podem contribuir o fazem em retribuição aos mais 
necessitados.
Destacamos que alguns autores encontram implícito no in te ri (>r 
desses princípios o da solidariedade,118 Ele se manifesta pela idéia do 
sistema previdenciário, que admite a existência de geraçõcs aluais 
sustentando gerações pagsadas, e de gerações futuras dando su por1 e 
às gerações atuais. Se assim admitirmos, veremos a solidariedade com o 
valor decorrente da conjugação da isonomia, eqüidade, seldividuti■ <• 
distributividade, de tal modo a admitir como decorrente da propi ia 
concepção de seguridade social, destinada a “abranger toda uma coleii 
vidade, tendo