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Léo Amaral Filho - Previdência Privada Aberta - Ano 2005

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é uma demonstração que visa so­
lucionar um determinado problema.”2
A forma escolhida para esta reflexão foi abordar a questão a par­
tir da Constituição Federal e dos direitos sociais, por meio de refe­
rências doutrinárias e alguns registros históricos, para então adentrar 
as disposições do direito brasileiro sobre seguridade social e, por meio 
de raciocínio dedutivo, chegar ao cerne da questão, de modo a buscar
Antônio Joaquim Severino. Metodologia do habalho científico/ p. 73 e 75
PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
uma forma de solução para a sua implementação, equivalente a se 
dizer, como pode a sociedade exigir que o Estado3 tome realidade o 
comando hipotético da disposição constitucional elementar sobre o 
assunto.
Em virtude das premissas que acima ficaram estabelecidas, a 
seqüência em que a questão é tratada passa pela abordagem histórica 
do tema, pela análise de conceitos doutrinários, independentemcnli­
de sua origem (nacional ou estrangeira). Em seguida, a observação 
recai sobre a localização dos direitos sociais e da seguridade social no 
universo do ordenamento jurídico brasileiro, a constatação de sua 
referência máxima na Constituição Federal de 1988 e os diversos 
significados dessa disposição no altiplano das normas jurídicas. A 
isso se segue de imediato a determinação da essência dos direitos 
sociais, para que daí se enfrente o problema e se apontem formas 
para sua solução.
Trata-se, pois, de demonstrar a inserção da seguridade social 
no contexto dos direitos sociais; verificar a inserção da previdência 
social como elemento integrante da seguridade social, para delineai 
sua natureza e limites, investigar acerca da previdência privada e d a s 
entidades que a exercem, para daí fixar sua finalidade, caracterísi i< as, 
limites de abrangência e garantias oferecidas a quem dela rccone 
como instrumento apto a proporcionar uma melhoria de condições 
no futuro. Para tanto, foi necessário demonstrar a característica con 
tratual da previdência privada, seus impactos e relações com o siste­
ma financeiro nacional.
3 No livro Introdução ao direito financeiro, p. 9 e 10, José Souto Maior Borges a d v e i ie
para a ambigüidade do termo "Estado" e os problemas decorrentes de sen uso I v.is 
termo é aplicado neste trabalho com o sentido adotado por aquele Professor "(...)<<» 
munidade jurídica total ou nacional e uma organização pré-ordenada à realiza<tao de 
certos fins, no exercício de suas atribuições desenvolve, através de seus agenies e <>i 
gàos, atividades do nalureza diversa (políticas, sociais, administrativas, e< < >nómi< .r. is 
linaiu eiras, e I< .)".
L éo d o A m a r a l F ilh o
Ainda que a doutrina não tenha produzido uma quantidade subs­
tancial de trabalhos relacionados à previdência privada, entendemos 
que o material até agora existente permite o desenvolvimento e a 
solução do problema posto. Essa percepção instigou o trabalho de 
pesquisa, compilação e reunião de dados, típicos das dissertações de 
mestrado, bem como a produção de um trabalho acadêmico que não 
ultrapasse seus limites pré-concebidos a ponto de adentrar na esfera 
da originalidade, típica das teses de doutorado. Essa limitação inse- 
re-se no contexto da evolução que se pretende em qualquer trabalho
> realizado no campo do conhecimento, especialmente se tivermos em 
mente que “a educação é um processo contínuo> no qual o estudante deve 
adotar um a atitude ativ a e não apenas reativa às proposições teóricas e 
práticas em torno do conhecimento que lhe é apresentado como válido em 
sua área de form ação”.A
Com todos esses limites e premissas, pretendemos obter um 
roteiro, de conteúdo científico, destinado a avaliar a essência da pre-' 
vidência privada, desde o seu primeiro fundamento de validade até 
situações que envolvam sua aplicação e alcance de finalidade. Para 
tanto, e na medida do possível, limitou-se a exposição a abstrair con­
ceitos e transpô-los para o trabalho, de forma a trabalhar num plano 
um pouco distante do mundo empírico, ciente que aoprocesso de abs­
tração e reprodução da realidade numa linguagem compreensível certa­
mente apresentará deformidades, posto que o mundo real jam ais apresentarei 
a sua essência quando representado sim bolicam ente5
Esclarecemos que a limitação de abrangência admitida neste 
estudo fez com que excluíssemos a análise dos fundos complementa­
res estatais, referidos no art. 40, §§ 14 e 15 da Constituição Federal
4 Loussia Penha Musse Félix. Apontamentos sobre a iniciação científica em direito: a
formação das habilidades para pós-graduação e carreiras jurídicas. In: Iniciação cien­
tifica em direito: A experiência da Faculdade de Direito da UNB, v. 1, p. 15.
5 Giovanni Martins Seabra. Pesquisa científica: o método em questão, p. 13.
PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
de 1988, bem como as entidades mencionadas na Lei Complemen­
tar n° 108, de 29/5/2OO1, que dispõe sobre a relação entre a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, suas autarquias, funda­
ções, sociedades de economia mista e outras entidades públicas e suas 
respectivas entidades fechadas de previdência privada. A previdência 
privada, como se verá, é implementada por meio das entidades fe­
chadas e abertas. Interessa-nos o estudo destas últimas. Referências 
às primeiras somente são feitas quando se tratar de abordagens ge­
néricas ou quando se fizer necessária uma alusão comparativa.
Capítulo I
C o n c e it o e E x t e n s ã o d a 
S e g u r id a d e S o c ia l c o m o 
B a s e d o E s t u d o
PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
1.1 C o n st it u iç ã o F ed eral , P r o teç ã o e D ireitos
SOCIAIS
1.1.1 C onsiderações sobre os direitos sociais
A história passada e recente são recheadas de exemplos que de 
monstram que os fatos e eventos dotados de grandeza são os verda 
deiros formadores das grandes escolas de pensamento nas mais 
diversas áreas do conhecimento.
O estudo da história ocidental contemporânea demonstra que 
as manifestações políticas, econômicas e sociais de relevo são pro 
dutos de uma determinada estrutura social, nas suas diversas con 
junturas.
O que nos importa é chamar a atenção para o fato de que, 11o 
mais das vezes, a sociedade no seu processo histórico usa dos meios 
que lhe estão disponíveis, produzindo alterações capazes de determi 
nar mudanças no direito, para o fim de satisfazer seus anseios e nc 
cessidades. Isso pode ser verificado em diversos episódios da história, 
tais como a promulgação da Carta de João-Sem-Terra em 1215, a 
Revolução Francesa de 1789, dentre outros.
L éo d o A m a r a l F ilh o
Embora o tema pudesse ser objeto de maior detalhamento, é 
necessário tratarmos de questões presentes para que assim possamos 
alcançar, de maneira mais rápida, o ponto central da discussão. Nos 
tempos mais recentes, as alterações de cunho social têm ganho signi­
ficado de maior abrangência, fruto de um longo caminho percorrido 
pela humanidade com incontáveis lutas travadas. O século XX foi o 
século da questão social, dadas as inúmeras e intensas mudanças ocor­
ridas com vistas à melhoria das condições de vida e de trabalho. Sa­
lienta-se que desse ponto em diante se verá que em nosso 
entendimento o chamado direito social nos dias de hoje — não só no 
âmbito do direito brasileiro, mas também em sua concepção mais 
ampla - abrange uma imensa gama de outros direitos. Todavia, o 
direito ao trabalho, assim entendido como o conjunto de princípios e 
normas que regem as relações laborais, foi e continua sendo o grande 
fator de impulso desse conjunto denominado “direito social”.
Como alterações ocorridas em nível internacional, destacamos 
a publicação da Constituição mexicana em 1917, a Constituição de 
Weimar em 19196, o “Informe Beveridge” na Inglaterra (1942) e os 
feitos de Bismarck no século anterior (1881); estes dois últimos