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Léo Amaral Filho - Previdência Privada Aberta - Ano 2005

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No plano BD os cálculos são feitos levando 
em conta o total da massa de participantes. Existe aqui o 
chamado ‘mutualismo’.
O plano na modalidade contribuição definida é aquele no 
qual o participante não conhece o valor do benefício, mas 
apenas o valor da contribuição. Em tal tipo de plano, o be­
nefício e' indefinido, pois o benefício decorrerá diretamente 
do montante acumulado pelas contribuições vertidas e pela 
rentabilidade obtida. No plano CD os cálculos são feitos
P r ev id ên c ia P r iva d a A berta
considerando isoladamente cada participante. Nesses pla­
nos não há um benefício previamente definido e não se 
poderá tecnicamente falar em déficit nem tampouco em 
superávit, mas apenas em ‘saldo em conta’.
O plano misto combina as características dessas duas mo­
dalidades de planos”.309 (destaques em itálicos do original; 
negritos nossos)
E bom esclarecer que de acordo com a disposição constante do 
art. 26 da LC 109/2001 é aberta a oportunidade para que outros 
planos possam ser desenhados de acordo com a criatividade (no sen 
tido técnico) dos administradores, sempre de maneira obediente a< >s 
ditames legais e infralegais e às condições do mercado.
Em linhas gerais, os sistemas de previdência podem contemplar p la 
nos de benefício definido (B D ) eplanos de contribuição definida ( CD). No 
primeiro, sabe-se que o benefício a receber será um valor previamente 
fixado ou referido a algum montante que possa ser definido por sim 
pies operação aritmética ou facilmente referenciado. Em virtude des 
sas características, necessitam de contribuições variáveis que se adeqüen i 
às necessidades financeiras obtidas pelas avaliações atuariais e com visi as 
à manutenção de equilíbrio. Por outro lado, os planos de contribui 
ção definida podem ou não ter valor de contribuição prefixado, a d 
mitindo aportes adicionais.310 Podem, igualmente, admitir, com uma 
combinação de valores, que estará sujeita às variações do grupo no 
que se refere a custeio.
Há a necessidade de se diferenciar os períodos de formação dc 
reservas, dos períodos de percepção de benefícios. Tal diferenciação c 
fundamental do ponto de vista da análise finalística da previdência 
privada. N o primeiro, a entidade fará a gestão dos recursos, com o
l()‘l lemas centrais da nova legislação, Fundos de pensão em debute, p. 20.
110 I lávio Martins Rodrigues. Fundos de pensão de servidores públicos, p. I ü
L é o d o A m a r a l F il h o
objetivo de fazê-los aumentar; ao passo que, no segundo, verificar- 
se-á “o total poupado, calculando-se, neste momento, com base em perspec­
tivas atuariais, o montante passíyçl^defagam ento como renda mensal 
vitalícia ou renda por prazo determinado”? 11 No segundo, haverá a per­
cepção de benefícios, de acordo com o que estiver estabelecido em 
contrato.
Os comentários de F lá VIO M a rtin s RODRIGUES, relativamente 
à moderna e freqüente opção pelos regimes de capitalização, apli­
cam-se aos planos de previdência privada das entidades abertas. A s­
sim sendo, destacamos:
“Outras sociedades seguem fazendo alterações estruturais 
mais radicais, como se pode observar em alguns países da 
América Latina e da Europa Oriental, que entenderam por 
transformar o antigo sistema de previdência pública, finan­
ciado em regime de repartição simples, em um novo sigte­
ma privatizado e de capitalização compulsória”.312
Tendo essa idéia como premissa, tem-se que o custo para a ob­
tenção de planos de benefício definido beira à inviabilidade, não sob 
a ótica jurídica, mas sim econômica.
Nunca é demais lembrar a função e os limites da previdência 
social, admitida em sua concepção lata, e quais expectativas pode e 
deve gerar, no que diz respeito à fase de concessão de benefícios. Ao 
comentar os impactos que a chamada Reforma da Previdência313 pode 
causar, W a g n e r BALERA traçou um verdadeiro paradigma, ao res­
ponder um questionamento em entrevista:
311 Fundos de pensão de servidores públicos, p. 15.
312 Ibidem, p. 16.
313 O termo "reforma da previdência" vem sendo utilizado de maneira ambígua nos últi­
mos dois anos. Isto porque as reformas que ocasionaram a alteração da Constituição 
introduzida pela Emenda Constitucional ns 41/03 dizem respeito ao setor público c 
nada atingem os filiados ao regime geral de previdência, senão para alterar o tolo do 
valor dos benefícios pagos para R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais).
PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
“Em nenhum lugar do mundo a aposentadoria é integral.
Por uma razão muito simples: a Previdência não existe para 
melhorar a situação do trabalhador quando ele se aposenta 
e sim para permitir que mantenha o padrão de vida. Quan- 
do alguém se aposenta, os gastos com a atividade profissio- 
nal deixam de existir. Não há mais despesas com transpor­
te, alimentação, vestuário e ferramentas. Ele se recolhe aos 
seus aposentos”.314
2 .2 .9 F ina lid ad e das entidades de previdência p rivada
Como se vê, as entidades de previdência privada são as posso,i 
jurídicas que se destinam à implementação e gestão de planos conJ 
plementares de previdência. As entidades abertas de previdência pi i| 
vada se propõem a administrar e gerir planos de benefícios destinado 
a uma ampla população de pessoas físicas, mediante a existência <1 
contrato prévio estabelecido nos moldes da legislação vigente, eoii 
tando com o aporte de contribuições de pessoas físicas e instilnidd 
ras e averbadoras. A finalidade de obtenção de lucro é regra p.ct~a I n J 
entidades abertas de previdência privada, de acordo com a nova Id
gíslãção (art. 36 da LC 109/2001).
/ — —— ------- — ■
Em parecer solicitado por uma entidade fechada de prcvidêiu 
privada, publicado na R evista de Direito Social n° 8, W agn kr li AI i-lí 
faz uma importante abordagem no que diz respeito à relação jnrídiij 
que une os participantes a uma determinada entidade de prcvidèi icj 
privada, além de incluir nessa relação a preocupação (do sistema) ei 
assegurar o benefício dos participantes. Após partir da premissa d 
que existem duas vias de proteção previdenciária (tal como se ad<>l<i 
neste trabalho), o autor afirma:
$14 I ntrevista concedida ao jornalista Reinaldo Antônio de Maria, para o jornal Irilmna i 
Direito nu 96, Encarte "l ivros", p. 2.
L éo d o A m a r a l F ilh o
“Mais precisamente, a seguridade social terá duas vias de 
proteção do tipo previdenciário: a) a via básica (o seguro 
social, que compreende a proteção dos trabalhadores em 
geral, de servidores públicos e dos dependentes desses dois 
grupos); e b) a via complementar (o seguro complementar 
facultativo do tipo fechado e do tipo aberto).
É traço significativo, no modelo contemporâneo de prote­
ção, esta combinação entre atuação do Poder Público e das 
entidades particulares no esforço de unificação das varia­
das políticas sociais para o setor.
Interessa examinar, aqui, com a brevidade que a urgência 
nos impõe, no universo da previdência privada, a natureza 
jurídica do patrimônio amealhado pela entidade de previ­
dência privada. E, determinado esse objeto, aferir a prote­
ção jurídica especial de que se reveste tal bem defronte à 
comunidade protegida e diante de terceiros que dela se apro­
ximam ou com ela se relacionam”.315
Parece-nos que da interpretação do texto da L C 109/2001, es­
pecialmente os art. 2o, 6o e 36, é possível extrair a verdadeira finali­
dade das entidades abertas, qual seja “instituir e executar planos_ de 
jbenefícios de caráter previdenciário”, "concedidos em fo rm a de renda con­
tin u ad a ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas”, “para 
os quais tenham autorização específica, segundo as normas aprovadas p elo 
órvão regulador efisca liz a dor”. A definição foi extraída de textos reti­
rados do texto da LC 109/2001, conforme a seguir:
“Art. 22 O regime de previdência complementar