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Léo Amaral Filho - Previdência Privada Aberta - Ano 2005

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(potencial participante), não há a obrigatorieda­
de de filiação nos mencionados planos de aposentadoria e benefícios, 
fazendo com que o acordo de vontades que firme a relação tenha 
cunho de relação volitiva.
333 . Contratos mercantis, p. 95-96.
334 Com o exem plo, cita-se o art. 28, § 9 °, a línea "p " da Lei ns 8.212/91 
(...)
Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição:
(...)
9 ° N ão integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivam ente: (Re­
dação dada pela Lei n9 9.528, de 10/12/1997)
p) o va lo r das contribuições efetivamente pago pela pessoa juríd ica relativo a progra­
ma de prev idência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalida­
de de seus em pregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9 ° e 468 da 
CLT; (A línea inc lu ída pela Lei nQ 9.528, de 10/1 2/1997).
P r ev id ên c ia P r iv a d a A berta
O entendim ento de que os planos de benefícios constituídos 
pelas entidades abertas de previdência privada, semelhantes aos pia 
nos das entidades fechadas, correspondem a verdadeiros contratos 
de adesão é corroborado por Sergio PlNTO MARTINS:
“Na previdência aberta os planos são feitos por compa­
nhias seguradoras ou sociedades anônimas de previdên­
cia, sendo fiscalizadas pela Superintendência de Seguros 
Privados (SUSEP). Os planos devem ser pagos por 10,
15, 20 ou 25 anos para que o beneficiário faça jus a algum 
direito. Alguns fatores são sopesados como: idade de in­
gresso, idade de saída e a renda mensal que se pretende a 
título do benefício. Há planos de contribuição definida, 
em que o valor do benefício a ser concedido dependerá do 
total acumulado. Existem planos livres, em que o próprio 
participante faz os depósitos por ele determinados. A pes­
soa pode recolher quanto tempo quer pagar, quanto vai 
pagar, quanto quer receber e a partir de quando irá come­
çar a receber o benefício. Normalmente, é um contrato dc 
adesão”.335
Conclui-se, portanto, que os planos de benefícios são c o n l ia io s 
de adesão por meio dos quais recursos são vertidos para as entidade:, 
de previdência privada, para fins de formação de reservas técnicas, 
provisões e fundos, os quais são destinados a assegurar o pagamento 
de futuros benefícios previdenciários.
Os recursos destinados ao custeio dos planos de previdência pri 
vada são de propriedade dos participantes, não integrando, port un i < >, 
o,patrim ônio das entidades de previdência privada.
N a oportunidade, faz-se necessário determ inar a propriedade/ 
titularidade dos recursos adm inistrados pelas entidades abertas de
Léo d o A m a r a l F ilh o
previdência privada. De acordo com o art. 1.228 da Lei n° 10.406, 
de 10/1/2002 (Código Civil), “O proprietário tem afacu ldade de usar; 
g o zar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que 
injustamente a possua ou detenha”.
Os participantes dos planos fazem uso de suas prerrogati­
vas e dispõem de seus recursos, colocando-os sob gestão das 
entidades de previdência privada. Vale ressaltar que os institui­
dores e/ou os participantes, na qualidade de proprietários de tais 
recursos, detêm o poder de reavê-los conforme prevêem os arti­
gos 14 e 27 da L C 109/01, este último aplicável às entidades 
abertas.
Outro aspecto igualmente importante é a caracterização ou não 
da transferência de propriedade de tais recursos dos participantes do 
plano para as entidades de previdência privada.
Vale notar que para fms de caracterização da transferência 
de propriedade dos recursos - coisas móveis - há necessidade de 
um acordo de vontades das partes com a finalidade de transfe­
rência, não sendo suficiente que os instituidores e/ou partici­
pantes entreguem as contribuições para as entidades de 
previdência privada.
Não há qualquer acordo de vontade entre os patrocinadores, 
instituidores, participantes e as entidades de previdência privada 
no sentido de transferir, por meio da tradição, a propriedade dos 
recursos. Trata-se, somente, de tradição para fms de gestão dos 
recursos.
Por esse motivo, os recursos vertidos para as fechadas entidades 
de .previdência privada são de propriedade dos patrocinadores, insti­
tuidores e participantes, representando parcela de seu patrimônio 
afetada ao custeio dos planos de benefícios.
Como já dito, tal entendimento é corroborado pelo art. 27 da 
L C 109/01 que, ao disciplinar os planos de benefícios das entidades
PREVIDÊNCIA PRIVADA A b ERTA
abertas, assegura a portabilidade dos recursos e o direito ao seu res 
gate, conforme se pode verificar a seguir336 :
“Art. 27. Observados os conceitos, a forma, as condições e os cri­
térios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos participantes
0 direito à portabilidade, inclusive para plano de benefício de en­
tidade fechada, e o resgate de recursos das reservas técnicas, provi­
sões e fundos, total ou parcialmente.
§ I o A portabilidade não caracteriza resgate.
§ 2° E vedado, no caso de portabilidade:
1 - que os recursos financeiros transitem pelos participantes, sob 
qualquer forma; e
II - a transferência de recursos entre participantes”.
Considerando que os participantes dos planos de benefícios pre 
videnciários têm (i) o direj.to de dispor dos próprios recursos aporta 
dos, o que é demonstrado pela possibilidade de transferência entre
336 Também nesse sentido, o art. 14 da LC 109/2001, relativam ente às entidades lei lud .r. 
de prev idência privada: "Art. 14. O s planos de benefícios deverão prever os seguinle'. 
institutos, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscali/adm
I - beneficio proporcional diferido, em razão da cessação do v ín cu lo empreg.ití< io . om
o patrocinador ou associativo com o instituidor antes da aquisição do direilo ,io liene 
fício p leno, a ser concedido quando cum pridos os requisitos de elegibilidade;
II - portab ilidade do direito acum ulado pelo participante para outro plano;
III - resgate da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante, des. on 
tadas as parcelas do custeio administrativo, na forma regulam entada; e
IV - facu ldade de o participante manter o va lo r de sua contribu ição e a do pairo, in.i 
dor, no caso de perda parcial ou total da rem uneração recebida, para assegurar a pei 
cepção dos benefícios nos níveis correspondentes àquela rem uneração ou em oulios 
definidos em no,m as regulamentares.
§ I a N ão será adm itida a portab ilidade na inex istência de cessação do v í ix u lo 
em pregatício do participante com o patrocinador.
( . . . )
§ 4 O instituto de que trata o inciso II deste artigo, quandò efetuado para enlidade 
aberta, somente será adm itido quando a integralidade dos recursos financeiros com-, 
pondentes ao direito acum ulado do participante for utilizada para a contratação de 
renda mensal vita líc ia ou por prazo determ inado, cu jo prazo m ín im o não poderá '.ei 
inferior ao período em que a respectiva reserva foi constituída, lim itado ao m ínim o de 
quinze anos, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador.
L éo d o A m a r a l F ilh o
entidades de previdência distintas, tendo a LC 109/01 denominado 
esse direito de portabilidade; e (ii) o direito de reaver os recursos, o 
que se consuma por meio do seu resgate; não há que se questionar a 
sua propriedade.337
De fato, tais direitos dos participantes encontram-se previstos 
na disciplina dos direitos dos proprietários. Dessa forma, por se ca­
racterizarem como recursos de propriedade dos participantes, fica 
claro que tais valores integram o seu patrimônio.
Ainda sobre a dicotomia entre universalidades de direito e de 
fato, transcrevemos as lições de ORLANDO GOMES:
“Universalidade de fato é o conjunto de coisas singula­
res, simples ou compostas, agrupadas pela vontade da 
pessoa, tendo destinação