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Marcos Sérgio de Souza - Financiamento Indireto da Previdência Social - Ano 2005

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do homem da indigência e da miséria, objetivo concretizado pela 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembléia Geral 
das Nações Unidas de 10 de dezembro de 1948. 
 
 
2 Celso Barroso Leite, Conceito de seguridade social, p. 17. 
3 Ilídio das Neves, Direito da segurança social..., p. 19. 
4 Wagner Balera, A seguridade social na Constituição de 1988, p. 34. 
5 José Manuel Almansa Pastor, Derecho de la seguridad social, p. 63. 
 6
As finalidades da seguridade social foram enumeradas pela 
Organização Internacional do Trabalho no final da década de 1950, e são as 
seguintes: 
 
“a) cobrir de maneira completa e coordenada todas as eventualidades 
capazes de levar o trabalhador, sem culpa sua, a perder o salário, temporária 
ou definitivamente, completando essa proteção pela assistência médica e 
pelos abonos familiares; 
b) estender a proteção a todas as pessoas adultas, na medida de sua 
necessidade, e aos seus dependentes; 
c) prover prestações que, embora de montante moderado, permitam aos 
beneficiários manter nível de vida aceitável, e que sejam outorgadas em 
virtude de um direito nitidamente definido em lei; 
d) financiar o sistema por métodos tais que tornem o beneficiário 
suficientemente consciente do custo das prestações que recebe, aplicando 
amplamente o princípio da solidariedade entre os pobres e ricos, entre 
pessoas que gozam saúde e aqueles de saúde abalada, entre homens e 
mulheres, entre pessoas em atividade e os velhos demais ou jovens demais 
para trabalhar.”6
 
Essas finalidades formam, segundo José do Reis Feijó Coimbra7, 
a concepção da função do Estado, assim desenhada de forma a abrir espaço 
para intervir na economia, no sentido de ser responsável pela proteção dos 
membros da coletividade atingidos por contingências que eliminam ou 
diminuem sua capacidade de auto-sustentação. Se essas contingências têm 
repercussão social e causam necessidades, e se o futuro amedronta a todos 
que dependem do próprio trabalho para sobreviver, o Estado, como principal 
artífice do bem-estar e da justiça sociais, tem responsabilidade pela proteção, 
em face dessas ocorrências. 
 
Como resultado, receptiva se torna a consciência da coletividade 
à idéia de que o bem comum é o fim do Estado, cabendo a este disciplinar os 
interesses individuais, conciliando-os com os da sociedade. Nesse sentido, a 
 
6 Celso Barroso Leite e Luiz Paranhos Velloso anotam que a tradução para o vernáculo desses 
objetivos foi publicada na Revista dos Industriários, n. 70, ago. 1959 (Previdência social, p. 76). 
7 José dos Reis Feijó Coimbra, Direito previdenciário brasileiro, p. 7. 
 7
ação dos governos já não se limitaria, portanto, à garantia dos direitos civis e 
políticos, à ordem interna e defesa do país na esfera internacional, devendo 
voltar-se para a proteção de outros direitos, denominados então de sociais e 
econômicos. 
 
Para Wagner Balera, tendem ao “objetivo último da justiça social 
todas as políticas sociais que, com instrumental da seguridade social, o Estado 
e a sociedade implementarão, em obediência aos comandos do Estatuto 
Fundamental”.8
 
Analisando a Carta Magna e os ensinamentos aqui discutidos, 
somos levados a concluir acerca da existência de um regime jurídico típico e 
que as normas jurídicas que tratam da seguridade social são unidas pela 
finalidade de seu objeto, a razão de existir do próprio sistema protetivo, e 
então tanto a proteção quanto o custeio devem estar sob a égide do princípio 
da contrapartida. 
 
Esse preceito constitucional previsto no parágrafo 5º do artigo 
195 da Constituição Federal de 1988, é a pedra de toque de todo o conjunto de 
normas constitucionais relacionadas ao financiamento. O dispositivo citado 
revela a existência de um regime jurídico específico para a seguridade social 
e, nessa condição, não pode ser desintegrado ou recortado pelos que tratam 
das prestações, por um lado, e pelos que tratam do custeio, de outro lado, uma 
vez que não é possível compreender o que será necessário para o custeio de 
um conjunto de prestações se não soubermos o quanto será gasto. 
 
 
8 Wagner Balera, Sistema de seguridade social, p. 16. 
 8
Muito menos será possível defender a extensão subjetiva ou 
objetiva de prestações se não tivermos a noção do caixa e dos recursos que 
para ali devem ser destinados. 
 
A Organização Internacional do Trabalho definiu nos seguintes 
termos os objetivos da seguridade social: 
 
“39 - No nosso entender, a seguridade social tem objetivos mais amplos que 
prevenir ou aliviar a pobreza. Ela constitui resposta a uma aspiração de 
segurança no sentido mais abrangente. Seu propósito fundamental é dar aos 
indivíduos e às famílias a tranqüilidade de saber que o nível e a qualidade de 
sua vida não serão significativamente diminuídos, até onde for possível 
evitá-lo, por nenhuma circunstância econômica ou social. Para isso é preciso 
não só atender às necessidades, à medida que surjam, mas também começar 
por prevenir os riscos e, ao mesmo tempo, ajudar os indivíduos e as famílias 
a se adaptarem da melhor maneira a qualquer incapacidade ou situação 
desfavorável não evitada ou que não teria sido possível evitar. Por isso, a 
seguridade social não depende apenas de dinheiro, mas também de extensa 
gama de serviços sociais e de saúde(...). O que verdadeiramente importa é 
permitir a segurança, e não os procedimentos que venham a ser escolhidos 
para esse efeito: custeio mediante contribuições ou impostos, benefícios ou 
serviços e entidades públicas ou privadas e de fins lucrativos ou não. 
Considerações de eficiência econômica e de participação, a tradição 
nacional, o maior ou menor grau de aceitação pelos usuários e a existência 
de determinadas instituições podem fazer com que em determinado país 
algumas modalidades sejam mais indicadas que outras. Mas não devemos 
confundir os meios com os fins.”9
 
Importante refletir que o sistema social é constituído por toda a 
sociedade brasileira, com destaque para a classe trabalhadora e os 
aposentados e pensionistas, e que se busca uma forma de financiamento eficaz 
visando garantir os direitos da seguridade social. 
 
Nos dias atuais, são as reformas sociais de base o instrumento 
maior de que dispõe a sociedade brasileira para se libertar do Estado opressor, 
 
9 Celso Barroso Leite, Conceito de seguridade social, p. 19. 
 9
cujos efeitos incidem sobre os trabalhadores e os aposentados e pensionistas 
do sistema previdenciário. 
 
É necessária uma maior participação da comunidade nos seus 
destinos, o que implica, conseqüentemente, em acesso a mais direitos e 
aumento da cidadania. 
 
O país atualmente suporta um ônus de aproximadamente 5.600 
sistemas previdenciários diferentes. Senão, vejamos: 
 
• Regime Geral de Previdência Social (RGPS), mantido pelo 
INSS para os trabalhadores em geral (um único regime); 
• Previdência do servidor da União (um único regime); 
• Previdência dos servidores de cada Estado, com normas 
diferenciadas (27 Estados); 
• Previdência dos Municípios, que têm autonomia para 
legislar sobre sua própria previdência (± 5.560 municípios); 
• Previdência dos militares (um único regime). 
 
Leny Xavier de Brito e Souza, analisando o tema, esclarece que: 
 
“São previdências demais para um só país. Com essa implantação 
indiscriminada de sistemas sem um estudo atuarial sério de sua viabilidade, 
no momento de ‘pagar a conta’, ou seja, de manter benefício prometido, a 
entidade, não conseguindo honrar esse compromisso, corre a solicitar 
‘repasse’ da União. Se