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Patricia Vianna Meirelles Freire e Silva - Princípios no Processo Administrativo Previdenciário - Ano 2007

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"Los principios ordenan que algo debe ser realizado en la mayor
medida posible, teniendo en cuenta las posibilidades jurídicas y
fácticas. Por lo tanto, no contienen mandatos definitivos sino sólo
prima facie. Del hecho de que un principio valga para un caso no se
infiere que lo que el principio exige para este caso valga como
resultado definitivo. Los princípios presentam razones que pueden
 
143 Celso Ribeiro Bastos; Ives Gandra Martins. Comentários à Constituição do Brasil,
p.348.
144 José Joaquim Gomes Canotilho. Direito Constitucional, pp.167-168.
145 In Teoría de los derechos fundamentales. Trad. Ernesto Garzón Valdés. Madrid.
Centro de Estudos constitucionais,1993.
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ser desplazadas por otras razones opuestas. El princípio no
determina cómo há de resolverse la relación entre una razón y su
opuesta. Por ello, los principios carecen de contenido de
determinación com respecto a los principios contrapuestos y las
posibilidades fácticas.
Totalmente distinto es el caso de las reglas. Como las reglas exigem
que se haga exactamente lo que en ellas se ordena, contienen una
determinación en el ámbito de las posibilidades jurídicas y fácticas.
Esa determinación puede fracasar por imposibilidades jurídicas y
fácticas, lo que puede conducir a su invalidez; pero, si tal no es el
caso, vale entonces definitivamente lo que la regla dice”
Desta forma, em se verificando eventual conflito entre os princípios,
a solução a ser dada será diversa da colisão entre regras. Isto porque,
para as últimas não há que se falar em harmonização entre elas, sendo
apenas uma considerada válida.
Podemos, assim, concluir que não obstante princípios e regras
serem reconhecidos como normas jurídicas, eles não se confundem,
apresentando a doutrina diversos critérios para diferenciá-los.
No entanto, não se pode afirmar que dentre os critérios
apresentados exista um melhor ou mais correto. Na realidade, ao se
elaborar determinadas classificações agrupam-se coisas diversas com
características comuns. Assim, cada critério utilizado possui o mérito de
auxiliar na distinção entre princípios e regras.
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3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Inicialmente, insta ressaltar que o termo princípio possui diversos
sentidos, assumindo diferente significado de acordo com o enfoque
utilizado pelo intérprete146.
Assim, o conceito de princípio tanto pode ter uma vertente vulgar
ou comum, como também pode ser analisado sob prisma científico ou
culto. No presente trabalho abordaremos tão somente seu sentido
científico ou culto.
No sentido jurídico, é possível dizer que a noção de princípio é
aquela que associa o sentido lógico ao normativo, isto é, uma proposição
básica decorrente da ordenação sistemática e coerente de normas de
procedimento, com caráter de validade universal.
Da mesma forma, diversas são as formas de conceituação jurídica
do termo princípio pela doutrina, como veremos no capítulo seguinte.
Independentemente do conceito, porém, pode-se afirmar que a
 
146 Marcelo Harger, ao citar Genera R. Carrió, aponta onze significados que podem ser
atribuídos à expressão “ princípios jurídicos”, a saber:
a)Os princípios jurídicos são pautas de segundo grau que versam sobres regras
jurídicas de primeiro grau;
b) Os princípios jurídicos servem para separar aspectos jurídicos importantes de um
ordenamento jurídico;
c) Os princípios jurídicos servem para expressar generalizações ilustrativas das regras
do sistema;
d) Os princípios jurídicos referem-se à finalidade de uma norma ou conjunto de normas;
e) Os princípios jurídicos expressam pautas às quais é atribuído um conteúdo justo;
f) Os princípios jurídicos estabelecem os requisitos formais ou externos aos quais todo o
ordenamento jurídico deve satisfazer;
g) Os princípios jurídicos expressam diretrizes dirigidas ao legislador;
h) Os princípios jurídicos servem para aludir a certos juízos de valor que expressam
exigências de justiça e moral positivas e que se baseiam em uma consciência jurídica
popular;
i) Os princípios jurídicos referem-se a máximas oriundas da tradição jurídica;
j) Os princípios jurídicos são a fonte geradora que se encontra por detrás das regras do
sistema jurídico;
k) Os princípios jurídicos representam enunciados derivados da essência dos conceitos
jurídicos.
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normatividade dos princípios jurídicos é majoritariamente147 aceita pela
doutrina, encontrando-se esses princípios, em sua maior parte, na
Constituição Federal.
Logo, o seu estudo se mostra essencial para que possamos
compreender e interpretar o sistema normativo.
3.1 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DOS PRINCÍPIOS
Consoante amplamente demonstrado, os princípios são normas
jurídicas. No entanto, nem sempre a validade normativa dos princípios foi
aceita, eles tinham apenas um caráter informativo ou sugestivo.
De fato, tal característica é recente, como observamos no
pensamento de Carmem Lúcia Rocha148:
“A normatividade jurídica dos princípios constitucionais é uma
qualidade contemporânea do Direito Constitucional. Se é certo que o
constitucionalismo moderno – como todo e qualquer sistema
normativo jurídico - sempre teve princípios magnos fundamentais, é
identicamente correto afirmar que a principiologia constitucional nem
sempre foi considerada dotada de vigor jurídico definitivamente
impositivo, mas muito mais sugestivo ou meramente informativo para
efeito de hermenêutica da Constituição. A eficácia jurídica dos
princípios constitucionais foi sendo construída a partir da idéia de ser
a Constituição uma lei e, como tal, carregada da coercitividade que
domina todas as formas legais. Daí que os princípios fundamentais
foram crescendo em importância e eficiência nos últimos séculos,
até adquirir foros de ordem definida e definidora de todas as
regulações jurídicas”.
Assim, superada a concepção tradicional, os princípios jurídicos
passaram a ser dotados de normatividade. E, da mesma forma que os
princípios positivados, os princípios implícitos também passaram a ser
 
147 Em sentido contrário, podemos citar o posicionamento de Karl Larenz, segundo o
qual os princípios, mesmo servindo de base para o nascimento de regras, carecem de
positivação. Eles seriam apenas pensamentos diretores que possibilitam a interpretação
e o desenvolvimento de uma regulação determinada por eles (função positiva) e que
excluem normas cujos valores lhes sejam contrários (função negativa)., Karl Larenz.
Derecho justo: fundamentos de ética jurídica. Tradução por Luis Díez-Picazo. Madrid:
Civitas, 1993, p. 54.
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considerados como normas jurídicas e, portanto, dotados dos atributos a
elas pertinentes.
Com efeito, pode-se afirmar que existem princípios implícitos no
ordenamento posto. Isto porque há alguns princípios normativos
pertencentes ao plano jurídico que, embora não estejam expressamente
sancionados, podem ser deduzidos das normas particulares vigentes por
via indireta.
Conforme esclarece Enrico Spagna Musso, “consagrados
implicitamente pelo ordenamento jurídico, esses princípios funcionam
como o denominador comum de toda uma legislação”149.
Os princípios implícitos não são criados pela doutrina ou pela
jurisprudência, mas tão-somente descobertos e declarados por elas,
especialmente, mas não apenas, para dar solução àqueles casos em que
não exista uma norma particular e específica regulando