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Patricia Vianna Meirelles Freire e Silva - Princípios no Processo Administrativo Previdenciário - Ano 2007

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uma decorrência imediata
desta última.
Não obstante reconheça-se a existência de uma processualidade
inerente a todas as funções, por outro lado não se pode negar a presença
de um núcleo comum inerente a todas as funções.
Como elementos essenciais deste núcleo comum podemos
apontar: a sucessão desencadeada de atos; pluripessoalidade; produção
de um resultado unitário e a disciplina do exercício do poder.Vejamos.
 
21 Odete Medauar. Processualidade no Direito Administrativo, p. 16.
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Primeiramente não se pode negar que o processo apresenta como
característica básica sua dinâmica, objetivando um vir a ser, um fazer, um
resultado final. Para que tal resultado final possa ser alcançado é preciso
a concretização de fases e etapas, compostas de atos, os quais sucedem
uns aos outros em busca do objetivo final almejado. Verifica-se, assim, a
existência de uma sucessão desencadeada de atos.
A referida sucessão de atos, no entanto, para que possa ser válida,
necessita estar previamente disciplinada pela ordem jurídica, cabendo,
ainda, aos órgãos estatais responsáveis submissão e respeito a ela.
Por outro lado, característica que também pode ser apontada no
núcleo da processualidade é a denominada pluripessoalidade, vale dizer,
diversos são os sujeitos que participam da relação processual.
Com efeito, nas fases inerentes ao trâmite do processo, órgãos e
sujeitos, sejam eles públicos ou privados, podem ocupar posições
jurídicas distintas, exercendo, assim, poderes, deveres, obrigações,
direitos e ônus em consonância com disposições previamente
estabelecidas.
Entretanto, apesar da participação de múltiplos sujeitos, o ato final
deve ser imputado à entidade estatal, como fruto de sua manifestação de
vontade.
Elemento igualmente importante é a produção de um resultado
único. De fato, o processo não representa um fim em si mesmo, mas, sim,
possui caráter instrumental, objetivando a produção de um ato final, que
se manifesta de acordo com a função estatal exercida em sentença, lei ou
ato administrativo.
Todos os atos do processo possuem a peculiaridade de terem o
mesmo objetivo, qual seja, o resultado final. As garantias constitucionais
estabelecidas, da mesma forma, também almejam proporcionar a
formação do resultado mais legítimo e correto.
Finalmente, a processualidade deve ser vista como uma forma de
regulamentação do poder. Uma das características do Estado
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Democrático é o disciplinamento do exercício do Poder Estatal, que se
realiza de diversas formas, dentre elas, através do processo
administrativo.
O processo atua, assim, como um mecanismo de garantia e, por tal
razão, sua noção está correlacionada com o fim de todas as funções
estatais, ou seja, a persecução do interesse público.
Como afirmam Ada Pellegrini Grinover, Antonio Carlos de Araújo
Cintra e Cândido Rangel Dinamarco22:
“Processo é um conceito que transcende ao direito processual.
Sendo instrumento para o legítimo exercício do poder, ele está
presente em todas as atividades estatais(processo administrativo,
legislativo) e mesmo não estatais(processos disciplinares dos
partidos políticos ou associações, processo das sociedades
mercantis para aumento de capital etc.)”.
Desta feita, a processualidade está intimamente ligada com
regramento do poder estatal. O processo funciona assim como garantia
da legalidade e da legitimidade do uso do poder. É preciso que o poder se
exercite dentro dos padrões fixados nas leis e na Carta Constitucional,
para que haja respeito ao Estado Democrático de Direito.
Assim sendo, não se pode mais negar a presença de uma
processualidade inerente a todas as funções estatais, sem, contudo,
deixar de aceitar que, simultaneamente, há um núcleo comum desta
processualidade, mas com características distintas, próprias da atuação
de cada um dos três Poderes Estatais.
1.2. CONCEITO DE FUNÇÃO E PROCESSO ADMINISTRATIVO
A partir do momento em que se admite a existência do processo
em todas as atividades estatais, observa-se a presença de um núcleo
comum pertinente ao exercício de todas as atividades estatais.
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O núcleo comum mostra-se, conforme dito, dentre outros aspectos,
como a própria necessidade de contenção do poder estatal. Isto porque,
não apenas o juiz exerce função, mas também o administrador público e o
legislador. Como explica Odete Medauar23:
“... A processualidade, então, vincula-se à disciplina do exercício do
poder estatal. A seiva do tronco comum da processualidade é o
poder, que permeia todos os ramos, onde inexiste poder, inexiste
utilidade metodológica de uma concepção de processualidade
ampla”.
Para que os agentes possam exercer suas funções, a lei lhes
confere certas atribuições e finalidades. Devem, pois, estar adstritos às
ditas finalidades, atuando nos limites de sua competência24. O processo é
o modo de garantir a observância desses limites.
De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello25:
“Competência pode ser definida como “o círculo compreensivo de
um plexo de deveres públicos a serem satisfeitos mediante o
exercício de correlatos e demarcados poderes instrumentais,
legalmente conferidos para a satisfação de interesses públicos”.
A competência pode, portanto, ser entendida como poder-dever
conferido às pessoas jurídicas, órgãos e agentes, fixados pelo direito
positivo a fim de os mesmos busquem alcançar as finalidades públicas
determinadas pela lei.
Assim, as competências são outorgadas a fim de que determinado
escopo público seja satisfeito, cabendo ao administrador atuar apenas
 
22 Antônio C. de Araújo Cintra; Ada P. Grinover; Cândido R. Dinamarco. Teoria Geral do
Processo, p.280.
23 Op. cit, p.28.
24 O modo de agir dos órgãos e agentes públicos se realiza de forma diversa ao dos
particulares, isto porque enquanto aos primeiros só lhes é lícito atuar em consonância
com os limites legais previamente estabelecidos, em relação aos particulares verifica-se
o inverso. Vale dizer, podem fazer tudo aquilo que a lei não proíba.
25 Op. cit., p. 134.
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dentro de tais limites em prol dos objetivos coletivos almejados e
previamente estabelecidos.
Como observa Carlos Ari Sundfeld26:
“Os agentes públicos exercitam poderes em nome de finalidade que
lhes é estranha; desempenham função. Função é o poder outorgado
a alguém para o obrigatório atingimento do bem jurídico disposto na
norma. A lei, a sentença e o ato administrativos são unilaterais, sua
produção não estando condicionada à concordância dos particulares
atingidos. Estas duas características das atividades públicas –
constituírem função e gerarem atos unilaterais invasivos da esfera
jurídica dos indivíduos – exigem a regulação do processo formativo
da vontade que expressam. A atividade estatal é função, submetida
a fins exteriores ao agente. O legislador, o juiz, o administrador, não
dispõe de poderes para realizarem seus próprios interesses ou
vontades. Seus atos valem na medida em que alcançam os fins