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Priscila Tanaca - O Contrato de Trabalho e Previdência Privada - Ano 2006

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deste mesmo artigo quanto à obrigatoriedade da adminis-
tração financeira ser terceirizada.
Essas exigências estabelecidas às entidades fechadas de previdência com-
plementar instituídas pelos instituidores demonstram uma preocupação com o con-
trole estatal de garantir o bom funcionamento destas entidades em virtude da proteção
social.
“A exigência de terceirizar diz respeito à transferência da gestão dos
recursos do plano de benefícios previdenciários. Esta tarefa será entregue
a uma instituição especializada, tendo em vista a profissionalização da ad-
ministração dos recursos. São elas instituições financeiras confiáveis medi-
ante os resultados e a sua tradição no mercado. A gestão dos recursos não
se confunde com a administração da própria entidade fechada de previdência
privada. Esta continua sob a responsabilidade da instituidora, os recursos
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garantidores compreendem os ativos patrimoniais relativos às reservas
técnicas e as provisões.”120
Há uma obrigatoriedade das instituidoras no que se refere à gestão dos recur-
sos que devem ser terceirizados. Assim determina o texto da Resolução CGPC nº3 de
2003, art. 1º, que alterou a redação do §2º do art. 3º da Resolução CGPC nº 12/2002:
“§ 2º. A EFPC constituída por instituidor deverá terceirizar a gestão dos
recursos garantidores das reservas técnicas e provisões mediante a
contratação de instituição especializada na gestão de recursos de terceiros
autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil ou outro órgão compe-
tente;”
Pelo fato de não poder assumir qualquer responsabilidade financeira por even-
tuais déficits apurados pela entidade, pois o plano de benefício instituído não abran-
gerá necessariamente todo o universo de seus associados, esses planos de
benefícios são oferecidos facultativamente a todos os empregados das patrocinado-
ras e a todos os associados ou membros, sem qualquer restrição, com exceção dos
planos em extinção, com acesso vetado a novos participantes.
Observa-se uma diferença entre os planos dos instituidores dos já existentes
pois nascem da vontade originária dos trabalhadores que objetivam uma garantia a
mais para suas vidas. Não havendo a figura da patrocinadora a relação que se forma
com o participante é direta, sendo que eventuais contribuições dos empregadores
não irá caracterizar obrigação como ocorre na relação de patrocínio”121 .
Estabelece o art. 2º da Resolução CGPC nº12/2002:
120 CORREIA, Marcus Orione Gonçalves. “Previdência Privada – Doutrina e Comentários à Lei Comple-
mentar n.109/01”. Editora LTR, 2005, p. 283.
121 Op.cit. p. 208.
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“Art. 2° Considera-se Instituidor a pessoa jurídica de caráter profissional,
classista ou setorial, que oferecer plano de benefícios previdenciários aos seus
associados.
Parágrafo único. Poderão ser Instituidores:
I - os conselhos profissionais e entidades de classe nos quais seja necessá-
rio o registro para o exercício da profissão;
II - os sindicatos, as centrais sindicais e as respectivas federações e
confederações;
III - as cooperativas que congreguem membros de categorias ou classes de
profissões regulamentadas;
IV - as associações profissionais, legalmente constituídas;
V - outras pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, não
previstas nos incisos anteriores, desde que autorizadas pelo órgão fiscalizador.”
Segundo Ana Claúdia Pompeu Torezan Adreucci,122 são várias as vantagens ofe-
recidas com a instituição e participação de uma entidade fechada de previdência com-
plementar para os trabalhadores e patrocinadores. A autora elenca as seguintes vantagens:
a) para os participantes
- direito à complementação dos benefícios pagos pela Previdência Social Oficial;
- abatimento do imposto de renda do total das contribuições feitas ao fundo;
- maior segurança e credibilidade em um futuro que está por vir;
- possibilidade de participar do fundo, mesmo quando não esteja mais na empre-
sa ou então opte pela retirada do dinheiro com as devidas correções;
122 ANDREUCCI, Ana Cláudia Pompeu Torezan. “A Organização Institucional das Entidades Fechadas
de Previdência Privada”. Revista de Direito Social n. 8, ou/dez 2002, p. 73.
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b) para os patrocinadores
- ganho de produtividade, pois a preocupação com o futuro dos empregados es-
timula os trabalhadores que terão mais credibilidade e tranqüilidade no porvir;
- redução da rotatividade de empregados.
As entidades fechadas estão vinculadas ao Ministério de Previdência Social que
é o responsável pela sua regulação, tendo sua constituição, organização, funcionamento
e fiscalização submetidos à Secretaria de Previdência Complementar (SPC).
A aplicação dos estatutos e regulamentos das entidades de previdência privada
fechada está sujeita à autorização do órgão regulador e fiscalizador. O estatuto estabe-
lece a forma com que se apresenta e organiza gestão da entidade. O estatuto é um ato
constitutivo que gera direitos e obrigações para as partes. Conforme art. 2º da Resolu-
ção CGPC nº 08/2004 o estatuto deverá conter:
“Art. 2º. O estatuto das entidades fechadas de previdência complementar de-
verá dispor sobre:
I - denominação, sede e foro;
II - objeto da entidade;
III - prazo de duração, que deverá ser indeterminado;
IV - indicação das pessoas físicas ou jurídicas que, na qualidade de partici-
pante, assistido, patrocinador ou instituidor, podem se vincular a plano de bene-
fícios administrado pela entidade;
V - estrutura organizacional – órgãos e suas atribuições, composição, forma
de acesso,duração e término do mandato dos seus membros”.
Depende de prévia e expressa autorização do órgão regulador e fiscalizador:
- a constituição e o funcionamento da entidade fechada de Previdência Comple-
mentar, bem como a aplicação dos respectivos estatutos, dos regulamentos dos pla-
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nos de benefícios e suas alterações;
- as operações de fusão123 , cisão124 , incorporação125 ou qualquer outra forma de
reorganização societária da entidade fechada;
- as retiradas de patrocinadores; e
- as transferências de patrocínio, de grupos de participantes, de planos e de re-
servas entre entidades fechadas.
A autorização para funcionamento das entidades fechadas será concedida me-
diante portaria do Ministério da Previdência Social. Para que a entidade tenha existên-
cia legal deve obedecer aos requisitos legais, pois, conforme preceitua o art. 119 da
Lei 6.015//73, é preciso o registro de seus atos constitutivos e obtido mediante aprova-
ção da autoridade da qual depende o seu funcionamento. Conforme explica Walter
Ceneviva, “o ato constitutivo é a inequívoca manifestação escrita da vontade, individual
(na instituição de fundações) ou coletiva (nas sociedades e associações), com ânimo
de criar pessoa jurídica, sob forma permitida em lei, para realização de objetivo deter-
minado, para obtenção do registro imprescindível.”126
Os dispositivos da Lei de Registros Públicos e a LC 109/2001 (art. 33) estão em
perfeita sintonia ao preceito do art. 45 do Código Civil que estabelece:
“Art. 45: Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado
com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando
123 Conforme art. 1.119 do CC: “A fusão determina a extinção das sociedades que se unem, para formar
sociedade nova, que a elas sucederá nos direitos e obrigações.”
124 Conforme art. 229 da Lei 6.404/76: “A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcela do
seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extin-
guindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu
capital, se parcial a versão.”
125 Conforme art. 1.116 do CC: “Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra,
que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo aprová-la, na forma estabelecida