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Ricardo de Castro Nascimento - Ato Administrativo de Concessão de Benefício - Ano 2006

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em lei. Trata-se de regime 
jurídico de direito público, marcado pela compulsoriedade de filiação e 
contribuição. Todo aquele que exerce atividade remunerada é 
obrigatoriamente filiado, passando a contribuir compulsoriamente para 
 
(103) Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado 
de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será 
facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício 
contratado, e regulado por lei complementar. 
§ 1° A lei complementar de que trata este Art. assegurará ao participante de 
planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às 
informações relativas à gestão de seus respectivos planos. 
§ 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais 
previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de 
previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim 
como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos 
participantes, nos termos da lei. 
§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas 
públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na 
qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição 
normal poderá exceder a do segurado. 
§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito 
Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de 
economia mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto 
patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada, e suas respectivas 
entidades fechadas de previdência privada. 
§ 5º A lei complementar de que trata o parágrafo anterior aplicar-se-á, no que 
couber, às empresas privadas permissionárias ou concessionárias de prestação 
de serviços públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas de 
previdência privada. 
§ 6º A lei complementar a que se refere o § 4° deste Art. estabelecerá os 
requisitos para a designação dos membros das diretorias das entidades fechadas 
de previdência privada e disciplinará a inserção dos participantes nos colegiados e 
instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de discussão e 
deliberação. 
 
 
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um dos regimes previdenciários, o regime geral gerido pela autarquia 
federal INSS ou, se servidor público, o regime próprio criado pela 
pessoa jurídica de direito público tomadora dos serviços. 
A compulsoriedade é de mão dupla. O Estado tem 
a obrigação de prestar o serviço de previdência social, conforme o 
determinado na Constituição, que consagra o direito a tal serviço como 
fundamental. Mas, o segura deve, compulsoriamente, contribuir para o 
sistema. 
Apesar de integrada no sistema maior, a 
previdência privada complementar, quando visa lucro do instituidor, 
constitui exploração do domínio econômico, decorrente da livre 
iniciativa. Não há obrigatoriedade de filiação ou contribuição; assim 
prevalecem a contratualidade e a facultatividade da relação entre o 
participante e a entidade de previdência complementar instituidora do 
plano de benefício. Trata-se de relação jurídica de direito privado, o 
negócio jurídico previdenciário regido pela autonomia de vontade, na 
expressão de Wagner Balera (104), e não de direito público, que marca a 
prestação de serviço público. 
Mesmo sendo de índole privada, a previdência 
privada, nas duas modalidades, é de interesse público. O negócio 
previdenciário deve estar baseado na constituição de reservas que 
 
(104) Op. cit., p. 70. 
 
 
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garantam o benefício contratado, principalmente considerando o 
contrato de adesão que o lastreia. 
Cabe à União o poder normativo, regulador e 
fiscalizador da atividade privada de previdência, consoante art. 173 c.c. 
art. 21, VIII, da CF (105). A própria Lei Complementar nº 109/01 prevê a 
criação de um órgão regulador e fiscalizador da atividade (106). Tudo 
aponta para a futura criação de mais uma agência reguladora. 
Enquanto não vem a lume o novo órgão regulador, 
a Lei Complementar estabelece que suas funções serão exercidas pelo 
Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC) e 
Secretaria de Previdência Complementar (SPC), órgãos do Ministério da 
Previdência Social, relativamente às entidades fechadas, e pelo 
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Superintendência de 
Seguros Privados (SUSEP), vinculados ao Ministério da Fazenda, em 
relação às entidades abertas (107). 
 
(105) Art. 21. Compete à União:(...) 
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de 
natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem 
como as de seguros e previdência privada; 
(106) Art. 5º. A normatização, coordenação, supervisão, fiscalização e controle das 
atividades das entidades de previdência complementar serão realizadas por órgão 
ou órgãos regulador e fiscalizador, conforme disposto em lei, observado o disposto 
no inciso VI do art. 84 da Constituição Federal. 
(107) Art. 74. Até que seja publicada a lei de que trata o art. 5º desta Lei 
Complementar, as funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador serão 
exercidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, por intermédio, 
respectivamente, do Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC) e 
da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), relativamente às entidades 
fechadas, e pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do Conselho Nacional de 
Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), 
em relação, respectivamente, à regulação e fiscalização das entidades abertas. 
 
 
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ATO ADMINISTRATIVO 
 
 
1- Meios Técnico-Jurídicos 
As atividades decorrentes do exercício da função 
administrativa, inclusive a prestação de serviços públicos de previdência 
social, exteriorizam-se no mundo jurídico mediante os seguintes meios 
técnico-jurídicos: regulamentos de caráter geral, contratos 
administrativos, processos administrativos e, sobretudo, atos 
administrativos (108). Tais meios técnico-jurídicos, de acordo com o 
direito positivo nacional vigente, estão sujeitos ao regime jurídico-
administrativo. 
Todavia, no aspecto material, os regulamentos 
emanados do Executivo, em virtude do caráter geral e abstrato, 
aproximam-se mais da função legislativa, mesmo considerando, no 
direito positivo brasileiro, sua subordinação à lei. Em face da abstração 
 
(108) Celso Antônio Bandeira de Mello. Op. cit., p. 307. 
 
 
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e generalidade, o regulamento afasta-se do conceito de ato 
administrativo, marcado pela aplicação da lei ao caso individual e 
concreto. André Gonçalves Pereira ressalta as profundas diferenças 
dos regimes jurídicos dos atos administrativos e dos regulamentos, no 
tocante à revogação e à impugnação (109). Cassagne, mesmo diante da 
classificação do regulamento como espécie de ato administrativo pela 
lei de procedimentos administrativos argentina (LNPA), reitera o 
entendimento de considerá-lo, no aspecto material, exercício da função 
legislativa (110). 
No Brasil, apesar de se aproximar no aspecto 
material à função legislativa, o regulamento, ato infralegal, está 
submetido ao regime jurídico-administrativo, por não poder inovar a 
ordem jurídica, mas apenas dar fiel execução à lei, nos termos da 
Constituição (111) -- esta sim, inovadora da ordem jurídica.