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Ricardo de Castro Nascimento - Ato Administrativo de Concessão de Benefício - Ano 2006

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de deferimento ou 
 
(259) Celso Antonio Bandeira de Mello. Op. cit., p. 380. 
(260) Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-
lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento 
pessoal; 
Pena – detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, multa. 
(261) Op. cit., p. 202. 
 
 
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indeferimento do pedido. Decorrido o prazo fixado, a lei tira do silêncio 
a conclusão de que ele significou assentimento, aprovação ou 
indeferimento” (262). 
Na hipótese de falta de previsão legal sobre os 
efeitos do silêncio administrativo, seguindo a trilha do direito português 
(263) e argentino (264), a ausência de manifestação tem, em nosso 
ordenamento jurídico, efeito equivalente ao indeferimento do pedido, 
principalmente quando a manifestação pretendida configura ato 
vinculado. 
No caso específico do requerimento de concessão 
de benefício, a lei é silente sobre o efeito da mora do agente público. 
Não se pode, entretanto, inferir, dado ao caráter vinculado do ato, que a 
inércia administrativa é geradora do direito ao benefício pleiteado. 
Somente a lei poderia dar tal efeito jurídico. No caso, o silêncio 
administrativo é negativo e equivale ao indeferimento. 
Sob outra ótica, os recursos financeiros da 
previdência social estão vinculados a finalidade determinada: dar 
cobertura social, nas hipóteses previstas em lei, à comunidade 
protegida, composta de segurados e dependentes. A concessão de 
 
(262) Silêncio no Direito Administrativo, p. 45. 
(263) “A regra é de que o silêncio equivale a indeferimento”. (Marcelo Caetano. Op. 
cit., p. 432.) 
(264) “Parece lógico admitir que o silêncio prolongado e injustificado da Administração 
pode ser considerado como indeferimento do pedido, e deixa aberto ao 
interessado o recurso à via jurisdicional”. (Manuel Maria Díez. Op. cit., p.203.) 
 
 
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benefício fora das hipóteses legais, em virtude da inércia da autarquia 
gestora, implica prejuízo de toda a comunidade protegida, que sofreria 
redução dos recursos disponíveis. Uma razão a mais para considerar a 
hipótese de silêncio negativo. 
A simples mora na manifestação da Administração, 
por outro lado, autoriza o interessado a buscar a via jurisdicional para 
suprir o ato de vontade estatal, pois se subentende que houve resposta 
negativa, e não positiva, na via administrativa. O particular prejudicado 
poderá demandar judicialmente, buscando diretamente o deferimento 
do pedido ou a fixação de prazo para cumprimento de obrigação de 
fazer, ou seja, simplesmente, de manifestar-se expressamente sobre o 
requerimento formulado, sob pena de fixação de multa diária (265). 
No curso do processo administrativo de concessão 
de benefício, se o requerente não apresentar todos os elementos 
necessários à comprovação dos requisitos do benefício pretendido, o 
agente competente deverá conceder prazo razoável (266) para a 
apresentação da documentação complementar. Tal prazo deve ser 
 
(265) “(...) o administrado poderá, conforme a hipótese, demandar judicialmente: 
a -) que o juiz supra a ausência de manifestação administrativa e determine a 
concessão do que fora postulado, se o administrado tinha direito ao que pedira, 
isto é, se a Administração estava vinculada quanto ao conteúdo do ato e era 
obrigatório o deferimento da postulação; 
b -) que o juiz assine prazo para que a Administração se manifeste, sob 
cominação de multa diária, se a Administração dispunha de discrição 
administrativa no caso, pois o administrado fazia jus a um pronunciamento 
motivado, mas tão somente a isto.” (Celso Antônio Bandeira de Mello. Op. cit., p. 
381.) 
(266) “Uma das idéias fixas do jurista de nossos tempos é a da consagração, e, na 
medida do possível, a delimitação, do chamado ‘prazo razoável’.” (Sérgio Ferraz e 
Adilson Abreu Dallari, Processo Administrativo, p. 39.) 
 
 
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fixado, sobretudo, com bom senso, considerando as dificuldades, no 
caso concreto, da produção da prova pretendida. Se transcorrido o 
prazo, sem a apresentação da documentação requerida, será encerrada 
a instrução processual e proferida decisão, através do respectivo ato 
administrativo. 
A não-apresentação da documentação completa 
por parte do interessado não é fato impeditivo da manifestação estatal. 
O agente público deve indeferir o pedido, tendo em vista o 
não-preenchimento dos requisitos legais da concessão do benefício 
pretendido. Por seu turno, o interessado poderá provocar nova 
manifestação, mediante a apresentação de novos elementos de prova, 
que por sua vez constituem novos motivos para o ato de concessão dos 
benefícios pretendidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ATO ADMINISTRATIVO ELETRÔNICO 
 
 
1 – Teleadministração 
A revolução digital vem alterando, em velocidade 
crescente, o dia-a-dia da Administração. As antigas fichas e 
memorandos em papel caminham, certamente, para o fim. Os arquivos 
e meios de comunicação serão exclusivamente eletrônicos. As reuniões 
presenciais vão dando lugar às teleconferências. Estamos no rumo de 
uma Administração sem documento-papel. 
O uso da máquina, como forma de poupar a energia 
do homem no trabalho, está presente desde o início da primeira 
revolução industrial. Com o computador, a substituição do homem pela 
máquina aumenta a abrangência, aproximando-se da totalidade. É a 
mecanização rumo à automação (267). A máquina vai substituindo o 
 
(267) “(...) por mecanização pode-se entender o emprego da máquina; por 
automatização, o emprego de máquinas automáticas que funcionam sob controle 
do homem e, por automação, a fase final da evolução, a saber: o emprego de 
máquinas automáticas que, graças aos conhecimentos de cibernética, são 
reguladas e controladas mecanicamente, de acordo com um programa elaborado 
 
 
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homem em fases mais próximas da própria manifestação da vontade 
estatal. 
As inovações tecnológicas devem estar 
coadunadas com as conquistas do estado democrático de direito. O 
acesso aos dados e as decisões governamentais, via Internet, ampliam 
a transparência e aprimoram os instrumentos de controle. O acesso 
aos bancos de dados estatais pela Internet possibilita ao cidadão 
comum, por exemplo, a fiscalização das contas públicas. 
A utilização da informática pela Administração 
implica racionalização do trabalho, simplificação do serviço e maior 
circulação de informações, o que vem ao encontro do princípio da 
eficiência. Entretanto, também há que completar o princípio da 
segurança jurídica, assegurando a autenticidade dos atos jurídicos sob 
forma eletrônica. 
O direito vem-se adaptando à nova realidade, 
assegurando validade aos novos atos em forma eletrônica. A 
comprovação dos atos jurídicos passa também a considerar o ambiente 
digital, inclusive no direito público, onde a formalidade e os instrumentos 
de controle são mais rígidos. 
No âmbito tributário da Secretaria da Receita 
Federal, por exemplo, a automatização da Administração Tributária 
 
pelo homem “ (Tomás Hutchinson, La Actividad Administrativa, La Maquina y El 
Derecho Administrativo, p. 38.) – T.A. 
 
 
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Nacional está bastante avançada. O trabalho humano foi 
profundamente substituído pelo computador. Os lançamentos fiscais, 
em sua maioria, são realizados por computadores,