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Ricardo de Castro Nascimento - Ato Administrativo de Concessão de Benefício - Ano 2006

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com base nos dados 
fornecidos pelo próprio contribuinte. O contribuinte informa 
eletronicamente as bases de cálculo, mediante a Declaração de 
Contribuições e Tributos Federais – DCTF, e a Secretaria da Receita 
Federal fica no aguardo do recolhimento do tributo para a devida 
imputação. Na hipótese de não-pagamento, o correspondente crédito 
tributário será inscrito em dívida ativa, dando início ao procedimento de 
cobrança e impedindo a emissão de certidão negativa de débito. O 
procedimento de fiscalização e cobrança está todo automatizado. 
A gestão previdência social, em particular, também 
está calcada em bancos de dados, onde são armazenadas informações 
dos segurados inscritos, das contribuições pagas e dos benefícios 
concedidos. Foi criada uma empresa pública específica, a DATAPREV 
– Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social, com o 
único objetivo de prestar os serviços de processamento de dados ao 
sistema de previdência social. 
Todos os atos são inseridos no sistema em rede, 
permitindo o automático desencadear de atos materiais subseqüentes. 
A ordem do primeiro pagamento é praticamente concomitante com a 
própria concessão de benefício. Pode-se afirmar, com convicção, que 
somente é possível gerir e controlar um regime previdenciário com o 
 
 
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pagamento mensal de 23.878.000 benefícios (268), em um ambiente de 
teleadministração. 
Teleadministração, expressão recente, é a 
“Administração Pública telemática, cuja atividade, dotada de valor 
jurídico, é exercida por meio de terminais de computadores conectados 
a uma central de dados, que compõem, por sua vez, uma rede nacional 
de Administração Pública, com várias centrais de dados” (269). Os 
meios técnico-jurídicos atuam hoje no ambiente virtual com rapidez que 
seria inimaginável na época do surgimento da teoria do ato 
administrativo. As informações circulam agora em tempo real. A 
diferença entre o ato administrativo e o respectivo ato material passa a 
ser quase imperceptível no tempo. Os comandos hierárquicos passam 
a ser meros comandos eletrônicos. 
A teleadministração pressupõe a existência de ato 
administrativo eletrônico, com garantia de autenticidade e validade 
jurídica que extrapola o ambiente digital, produzindo efeitos jurídicos 
como qualquer outro ato administrativo. Em relação à própria 
Administração, os atos administrativos por ela emanados têm forma 
eletrônica e desencadeiam uma série de atos subseqüentes, também 
eletrônicos. 
 
(268) Boletim Estatístico da Previdência Social – BEPS, de outubro de 2005. 
(269) Marcus Vinícius Filgueiras Júnior. Ato Administrativo Eletrônico e 
Teleadministração. Perspectivas de Investigação, p. 248. 
 
 
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O Regime Geral de Previdência Social possui 
banco de dados de todos os segurados e benefícios concedidos. Na 
prática, o próprio ato de concessão de benefícios pelo servidor do INSS 
constitui um lançamento no sistema de dados, que automaticamente 
emite correspondência ao beneficiário. 
O ato continua a ser praticado por servidor público e 
não pela máquina, pois é o comando do primeiro que faz a segunda 
agir. Quanto à forma do ato, permanece escrita em relação ao 
particular beneficiário, mas em relação à própria Administração 
Previdenciária, a forma é eletrônica. A emanação do ato é apenas um 
lançamento no sistema feito por servidor possuidor de senha, que torna 
presumida a competência para a prática do ato. 
Em artigo específico sobre o tema, Marcus Vinícius 
Filgueiras Júnior divide os atos administrativos eletrônicos em: “a-) ato 
administrativo eletrônico tradicional, que é aquele ato emanado por um 
agente público, cuja forma é eletrônica; b-) ato administrativo 
eletrônico automático, que é aquele ato administrativo cuja forma é 
também eletrônica, mas foi gerado pelo próprio sistema informático de 
modo automático, sem intervenção imediato do servidor (270)”. 
No ato eletrônico tradicional, o sujeito emissor do 
ato é identificado por meio digital de autenticação ou certificação de 
firma eletrônica, o que permite o controle de eventual vício de 
 
(270) Op.cit., p. 252. 
 
 
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competência. Apenas a forma é eletrônica, não havendo alteração 
substancial nos demais elementos do ato. 
Já no ato administrativo eletrônico automático, a 
própria máquina é a geradora do ato e não um servidor. Na primeira 
leitura, configura ato com sujeito inexistente, mas pode-se admitir a 
existência do sujeito na elaboração do programa ou simplesmente a 
própria máquina. O exemplo já clássico é o do semáforo programado 
por computador para emitir os respectivos sinais em função da média de 
veículos nos vários horários do dia. Quem é o sujeito do ato 
administrativo que paralisa o trânsito com o sinal vermelho? É a 
máquina, o programador do computador, ou é simplesmente 
inexistente? (271). 
Com o fito de garantir a integridade e autenticidade 
dos documentos produzidos ou transmitidos eletronicamente, foi criada 
a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP–Brasil, pela 
Medida Provisória nº 2.200/2001, em tramitação na forma da Emenda 
Constitucional nº 32/01. Após a certificação pelo ICP-Brasil, as 
respectivas declarações presumem-se verdadeiras, nos exatos termos 
do art. 10 da Medida Provisória nº 2.200/2001 (272), constituindo prova 
 
(271) Celso Antônio Bandeira de Mello. Op. cit., p. 541. 
(272) Art. 10. Consideram-se documentos públicos ou particulares, para todos os fins 
legais, os documentos eletrônicos de que trata esta Medida Provisória. 
§ 1º. As declarações constantes dos documentos em forma eletrônica, produzidos 
com a utilização de processo de certificação disponibilizado pela ICP-Brasil, 
presumem-se verdadeiras em relação aos signatários, na forma do art. 131 da Lei 
nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 – Código Civil. 
 
 
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inclusive em relação a terceiros. É um sistema análogo ao notarial, com 
o fito de assegurar a autenticação de documentos eletrônicos. 
2 – CNIS 
O Cadastro Nacional do Trabalhador, criado pelo 
Decreto nº 97.936/89, constitui o maior banco de informações de 
interesse do trabalhador. Com a Lei nº 8.490/92, alterou-se sua 
denominação para Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS. 
O atual CNIS é a consolidação de informações 
constantes em vários outros cadastros (PIS - Programa de Integração 
Social; FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; PASEP - 
Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público; RAIS - 
Relação Anual de Informações Sociais, CAGED – Cadastro Geral de 
Empregados e Desempregados; CGC - Cadastro Geral de 
Contribuintes e dados de arrecadação previdenciária), formando um 
banco de dados único para fins previdenciários, especialmente para 
comprovação da qualidade do segurado e comprovação de tempo de 
serviço. Por ser um banco público, os dados têm presunção de 
legitimidade, principalmente em relação à própria Administração 
Previdenciária. 
Nele há dados de empregadores, trabalhadores, 
empregados, contribuintes individuais, domésticos, avulsos e 
 
 
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facultativos, inclusive com discriminação da remuneração e das 
contribuições da empresa e do segurado. Com os dados do CNIS, 
mesmo sem carteira profissional, o trabalhador pode possuir meios de 
provar seu tempo de serviço e qualidade de segurado. 
Com a Lei nº 10.403/02, que acresceu o art. 29-A à 
Lei nº 8.213/91 (273), o INSS passou a, obrigatoriamente, utilizar os 
dados do CNIS para fins de concessão e cálculo de benefício.