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Suzani Andrade Ferraro - Equilibrio Financeiro e Atuarial nos Regime de Previdência Social - Ano 2010

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pela Emenda Constitucional n. 20/1998, em razão de essa regra aplicar-se aos servidores que ingressaram no serviço público antes da publicação da EC n. 20/1998, desde que, concomitantemente, o servidor tenha 35 anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher; 25 anos de efetivo exercício no serviço público, 15 anos de carreira e cinco anos no cargo em que se dará a aposentadoria e, ainda, possibilita o abatimento de um ano no requisito idade para cada ano a mais do preenchimento do pressuposto do tempo de serviço, mantendo para esse servidor a regra da integralidade da última remuneração e da paridade das vantagens previstas para os ativos.
			O § 4º do artigo 40 teve nova redação dada pela EC n. 47/2005, que passou a prever a possibilidade de lei complementar adotar critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos servidores portadores de deficiência e que exerçam atividade de risco e de insalubridades, como, por exemplo, policiais.[94] A inserção do § 21 ao artigo 40 dada pela EC n. 47/2005 criou imunidade diferenciada para a contribuição de aposentados e pensionistas, dos regimes próprios de Previdência Social, portadores de doenças incapacitantes, ou seja, a alíquota da contribuição só incide sobre a parte dos proventos que superar o dobro do limite máximo para o pagamento do benefício no Regime Geral de Previdência Social.
			Por último, adicionou novos critérios para a base de cálculo e alíquotas das contribuições sociais dos empregadores, empresas e atividades a elas equiparadas previstos no artigo 195, caput e alíneas da Constituição Federal e incluiu o direito a benefícios para as donas-de-casa de baixa renda[95] com contribuições diferenciadas, que deverão ser instituídos por lei.[96]
			Dessa forma, a Emenda Constitucional n. 47/2005 criou novas relações jurídicas previdenciárias e tributárias. No entanto, a lei que regulamentar essas relações deverá respeitar o preceito constitucional que ordena o caráter contributivo e o equilíbrio financeiro e atuarial.
			1.5. Considerações sobre as reformas previdenciárias no direito estrangeiro
			O objetivo deste tópico é traçar um panorama geral dos diversos países que reformaram seus sistemas previdenciários. Este estudo é dividido em duas partes. Na primeira faz-se um painel da Reforma Previdenciária pública no mundo, sem que haja qualquer preocupação de sistematizar cronologicamente os sistemas previdenciários. Neste pronto, utilizo-me do excelente estudo feito por Sarah M. Brooks.[97] Na segunda parte do estudo faço uma avaliação dos países da América Latina, da Europa e dos Estados Unidos, apontando como cada país enfrentou o processo de reforma previdenciária. 
			Sarah M. Brooks empreende um estudo dos fundamentos políticos e econômicos da privatização da previdência pública em 57 países do mundo. A partir de dados estatísticos, a autora demonstra que as razões que conduziram os países a privatizar a previdência pública não são uniformes. Foram diferentes as causas das reformas nos países desenvolvidos e nos países em processo de desenvolvimento. 
			As reformas no sistema previdenciário público dos países avançados industrialmente foram geradas pelas seguintes causas:
			a) envelhecimento da população que triplificou entre 2000 e 2050 com pessoas com mais de 60 anos; b) aumento da expectativa de vida; c) declínio da mortalidade infantil; d) crescente volume de segurados das gerações do pós-guerra; e) processos de desindustrialização nas economias altamente desenvolvidas; f) desemprego; g) exemplos de privatizações bem sucedidas na Inglaterra (1988) e Suíça (1985).[98]
			No contraponto, a necessidade de reforma previdenciária nos sistemas públicos dos países em desenvolvimento foi resultado dos seguintes fatores:
			a) crises de endividamento desde a década de 1980 que importaram na corrosão das reservas previdenciárias e majoraram as demandas por benefícios públicos; b) liberalização de controles de capital e desregulamentação dos mercados de títulos no início de 1990 que refletiu nos fluxos de capitais; c) escassez, vulneração e fuga de capital interno; d) dependência do capital estrangeiro que se tornou mais dispendiosa na década de 1990; e) aumento da poupança interna para minorar a exposição a fluxo de capitais voláteis; f) a reforma da previdência passou a ser considerada (1990) como uma política que fosse capaz de impulsionar a poupança e o crescimento internos; g) os investidores de Wall Street e o Banco Mundial incluíram a privatização como prognóstico fundamental para um compromisso de um Estado com as reformas pró-mercado; h) o exemplo da privatização bem sucedida no Chile; i) pressões fiscais; h) dificuldades para financiar o custo dos grandes planos de previdência pública.[99]
			Nas décadas de 1980/1990, as reformas da previdência estatal foram mais do que mudanças paramétricas (revisão de benefícios, taxas de distribuição e requisitos de habilitação). Muitos países fizeram reformas estruturais em que a responsabilidade pelo financiamento dos benefícios foi assumida diretamente pelos segurados e pelo mercado, de acordo com o seguinte esquema: a) as reformas previdenciárias implicaram a redução ou eliminação de benefícios previdenciários pagos pelo Estado para a maioria dos trabalhadores; b) criação de um plano de previdência financiado totalmente com contribuição definida. A diferença básica entre os modelo tradicional de benefício definido (os benefícios previdenciários definidos resultam de um percentual de renda do trabalho) e o novo paradigma (contribuição definida) é que somente a taxa de contribuição é definida de forma prévia, variando o benefício de acordo com as contribuições individuais ao se levar em consideração à duração da vida e os rendimentos auferidos do investimento feito pelo segurado.
			A reforma previdenciário estrutural baseada na lógica da privatização implica que a contribuição descontada em folha de pagamento e vinculada à aposentadoria é destinada a uma conta individual com contribuição definida regulada por um novo plano. Este modelo de privatização da previdência tem as seguintes características: a) as aposentadorias por idade são integralmente custeadas por contribuições individuais sobre a folha de pagamento e administradas, na maioria das vezes, por empresas privadas; b) é um meio de proteger os benefícios das pressões demográficas e políticas; c) aumentam a taxa de retorno dos valores individualmente investidos; d) os ricos de investimento e renda migram da sociedade como um todo, que é a base do sistema público, e se centraliza no indivíduo, que passa a ser o responsável por seu próprio benefício; e) enquanto o sistema público tem como objetivo a redistribuição de renda e risco sob a égide de um seguro coletivo, a privatização propugna por eficiência e crescimento macroeconômico mediante uma poupança compulsória.[100]
			Registre-se que a privatização da previdência pública não foi pacífica dentre os países do mundo. Apenas um conjunto de 18 países aderiu, na década de 1990, à reforma estrutural da previdência pública. A dimensão da privatização variou de país a país. Assim, Chile, Bolívia e Casaquistão incorporaram sistemas de previdência exclusivamente privados em que os segurados se aposentam com benefícios correspondente a 100% de contribuições vinculadas a uma conta individual. Já na Suécia, os planos compulsórios de contribuição definida financiam menos que um quarto da renda da aposentadoria do assalariado médio. Há, ainda, as categoriais intermediárias de reforma da previdência, que são os denominados sistemas mistos de previdência. México e Uruguai optaram pelo sistema misto em que o trabalhador mexicano se aposenta e recebe um benefício oriundo do sistema privado (90%), enquanto que o trabalhador do Uruguai pode receber apenas 40% decorrentes do sistema privado.
			As reformas previdenciárias ocorridas nas décadas de 1980 e 1990 representam uma verdadeira revolução nos antigos paradigmas previdenciários. O marco jurídico que sintetiza