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Suzani Andrade Ferraro - Equilibrio Financeiro e Atuarial nos Regime de Previdência Social - Ano 2010

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das prestações previdenciárias. São Paulo: LTR, 1997, p. 64).
				
				
					[87] MARTINEZ, op. cit., p. 78. Também MARTINS, op. cit., p. 78.
				
				
					[88] Artigo 194, § único, inciso VI. 
				
				
					[89]Constituição da República Federativa do Brasil, op. cit., pp. 97-8.
				
				
					[90] A idéia de democracia e descentralização na administração do sistema de Seguridade Social foi operacionalizada da seguinte maneira:
					 a) criação do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), previsto no art. 3º da Lei n. 8.213/91, e dos Conselhos Estaduais e Municipais de Previdência Social, conforme art. 7º da mesma lei;
					 b) criação do Conselho Nacional de Assistência Social, e também os conselhos estaduais, municipais e do distrito federal de assistência social, previstos no artigo 16 da Lei n. 8.742/93;
					 c) criação do Conselho Nacional de Seguridade Social (CNSS), que fora previsto pelo art. 6º da Lei n. 8.212/91, que foi extinto pela medida provisória n. 1.911-12, de 25/11/1999, que passou a ter nova redação dada pela Lei n. 9.711/98, que hoje dispõe sobre a Ouvidoria-Geral da Previdência Social.
				
				
					[91] Lei n. 8.212/91, regulamentando o art. 198 da Constituição Federal.
				
				
					[92] O professor Paulo Bonavides define os direitos sociais como direitos de segunda geração.
				
				
					[93] O professor Paulo Bonavides faz a distinção entre os termos geração e dimensão, aduzindo que “o vocábulo dimensão substitui, com vantagem lógica e qualitativa, o termo geração, caso este último venha a induzir apenas sucessão cronológica e, portanto, suposta caducidade dos direitos das gerações antecedentes, o que não é verdade [...]” (op. cit., pp. 571-2). 
				
				
					[94] TAVARES, André Ramos. As tendências do direito público no limiar de um novo milênio. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 390. 
				
				
					[95] PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. 4ª ed. São Paulo: Max Limonard, 2000, 35. 
				
			
		
	
	
		
			Capítulo 3
Regimes Jurídicos Previdenciários na Constituição Federal Brasileira
			3.1. Sistema jurídico de Previdência Social no Brasil
			O sistema jurídico constitucional de Previdência Social no Brasil comporta duas divisões: o público e o privado.[1] O sistema público de previdência está previsto nos artigos 40 e 201 da Constituição Federal, e se diferencia do privado, previsto no artigo 202 do mesmo diploma legal, por seu caráter institucional (não-contratual), de filiação compulsória e financiamento mediante contribuições sociais e recursos orçamentários. 
			A Carta Maior consagra no capítulo “Da Ordem Social” dois modelos públicos: o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que congrega todos os trabalhadores da iniciativa privada e é gerido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e o Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPSP), organizado e gerido por cada uma das entidades estatais (União, estados, distrito federal e municípios), que reúne servidores que exercem ou já exerceram cargos públicos efetivos.[2] 
			O artigo 202 dispõe do regime privado supletivo de previdência, denominado “previdência privada”, que, apesar de seu caráter privado, também integra o sistema de Seguridade Social. Conforme traçado na Constituição Federal, o sistema de previdência privada tem caráter complementar e facultativo e deve se organizar de forma autônoma em relação ao Regime Geral de Previdência Social. Esse tipo de sistema se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado e regulado por lei complementar. O professor Wagner Balera enfatiza:
			Integram o quadro de componentes do Sistema de Seguridade Social brasileiro os entes de previdência privada. Servem, os entes supletivos, como estruturas de expansão do arcabouço de proteção, formando, como já se costuma dizer em França, segunda rede de seguridade social, em estreita colaboração com o Poder Público, no interior do aparato do bem-estar. Mas não perdem os traços característicos que são peculiares às pessoas privadas.[3]
			Por fim, o artigo 203 e o artigo 6º da Constituição Federal enunciam:
			Art. 203 – A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I – a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II – o amparo às crianças e adolescentes carentes; III – a promoção da integração do mercado de trabalho; IV – a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V – a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. 
			Art. 6º: São direitos sociais à educação, à saúde, ao trabalho, à moradia, ao lazer, à segurança, à Previdência Social, à proteção à maternidade e à infância, à assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.[4]
			A assistência social é prestada a quem precisar, independentemente da contribuição para a seguridade. Assim, só quem a sociedade reconhece como necessitado e desamparado pode utilizar a assistência social. Conclui-se, de acordo com tal raciocínio, que o sistema de proteção social, expresso na Constituição Federal de 1988, ainda possui características diversas da acepção do Welfare State, pois a garantia do seguro social mediante prévia contribuição e filiação obrigatória seleciona a população; somente podem ter acesso à Previdência Social os indivíduos que contribuírem e se filiarem ao sistema de Seguridade Social. Ademais, as duas dimensões fundamentais do Welfare State são a segurança e a igualdade, que possui o caráter fundamental da universalidade referente aos sujeitos a serem protegidos em relação a todos os riscos sociais passíveis de cobertura. 
			A Seguridade Social, no direito brasileiro, é o conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social, tendo como objetivo principal a preservação do primado do trabalho e o alcance do bem-estar e da justiça sociais, garantindo vida digna ao ser humano.[5]
			3.2. Regimes jurídicos previdenciários da Constituição brasileira de 1988
			O ordenamento jurídico brasileiro, como dito anteriormente, prevê três tipos de regimes[6] previdenciários, ou seja, três níveis diferenciados de proteção social. São vertentes do sistema de Seguridade Social: o Regime Geral de Previdência Social, o Regime Próprio de Previdência Social concedido aos servidores públicos civis e militares, e o regime de previdência privada.
			Moacyr Velloso Cardoso de Oliveira, ao tratar da terminologia da Previdência Social, definiu de modo claro e sucinto a figura de seu regime jurídico: “Para caracterizar-se como regime, dentro de um sistema, deve ter custeio e prestações específicas, asseguradas a beneficiários determinados”.[7] Para o ilustre doutrinador, a Previdência Social assim se define:
			A organização criada pelo Estado, destinada a prover as necessidades vitais de todos os que exercem atividade remunerada e de seus dependentes, e, em alguns casos, de toda a população, nos eventos previsíveis de suas vidas, por meio de um sistema de seguro obrigatório, de cuja administração e custeio participam, em maior ou menor escala, o próprio Estado, os segurados e os dependentes.[8]
			Nesse sentido, ainda, o professor Orlando Gomes caracteriza a Previdência Social, principalmente, pelo caráter público e obrigatório e tem como objetivo proporcionar aos destinatários renda com o intuito de prover as necessidades básicas de tais indivíduos. Nesse sentido, ensina o referido professor:
			O seguro social é, no entanto, um instituto de direito público, regulado imperativamente em todos os seus aspectos e vicissitudes; tem como fonte imediata à própria lei, que o impõe, tornando-o obrigatório;