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Suzani Andrade Ferraro - Equilibrio Financeiro e Atuarial nos Regime de Previdência Social - Ano 2010

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29 de maio de 2001”. Publicação RPS, ano XXV – (250), set./2001, pp. 645-6.
				
				
					[52] CONDE, Newton Cezar. “Portabilidade e vesting”. In: REIS, Adair (org.). Fundos de pensão em debate. Brasília: Brasília Jurídica, 2002, p. 68. Sobre o assunto ver, ainda, JÚNIOR, Miguel Horvart. “Benefício proporcional diferido”. Revista do Terceiro Congresso Brasileiro de Previdência Complementar. São Paulo: LTR, 2003.
				
				
					[53] BALERA, Wagner (org.). Comentários à lei de previdência privada, 2005, pp. 107-9.
				
				
					[54] O órgão com competência normativa das entidades abertas é o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNPS), colégio que enquanto não for implementado o artigo 5º da LC n. 109/2001 (agência governamental responsável pelo controle do setor) e a competência executiva da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), a quem compete atuar com poderes de fiscalização e que se vincula à estrutura orgânica do Ministério da Fazenda. Assim, o CNPS e a SUSEP são órgãos regulador e fiscalizador, respectivamente, com competência disposta no artigo 29 da LC n. 109/2001 ( art. 74 da LC n. 109/2001). 
				
			
		
	
	
		
			Capítulo 4
O Princípio do Equilíbrio Financeiro e Atuarial da Seguridade Social
			4.1. Planejamento e orçamento da Seguridade Social
			4.1.1. Planejamento orçamentário
			Planejamento é um dos princípios que regem a administração federal, de acordo com o inciso II do artigo 6º do Decreto-Lei n. 200/1967. Segundo a lição de Manuel de Oliveira Franco Sobrinho, planejamento é definido nos seguintes termos:
			É um plano que define objetivos, qualifica recursos materiais e humanos, oferece métodos e formas de organização, estabelece equações de tempo e medidas quantificadoras, determinando espaços para o limite das atividades administrativas, além de outros possíveis requisitos necessários ao racional comportamento de pessoas e órgãos, sejam centrados e descentralizados.[1]
			O planejamento tem a noção de ordenação sistematizada e racional e se desdobra nas seguintes características: a) uma ordenação sistemática dos propósitos; b) a racionalização do trabalho; c) a fixação de certos fins determinados.[2] 
			Os princípios que regem planejamento são dois: “o princípio da unidade, para que as partes se vejam integradas no conjunto; o princípio da previsão, que permite que uma orientação segura quanto às medidas e aos objetivos de maior alcance no tempo”.[3]
			Como o ato de planejar não é um fim em si mesmo, há que se afirmar que o objetivo do planejamento é buscar a organização da administração pública centralizada e descentralizada, bem como todos os órgãos que integram direta e indiretamente a estrutura do Estado.[4] Porém, o artigo 7º do Decreto-Lei n. 200/1967 dá ao planejamento um objetivo que transcende o conceito limitado de organização interna.
			Art. 7º – A ação governamental obedecerá a planejamento que vise a promover o desenvolvimento econômico-social do país e a segurança nacional, norteando-se segundo planos e programas elaborados, na forma do Título III, e compreenderá a elaboração e atualização dos seguintes instrumentos básicos:
			a) plano geral de governo;
			b) programas gerais, setoriais e regionais, de duração plurianual;
			c) orçamento-programa anual; [5]
			d) programação financeira de desembolso. 
			Por fim, cabe dizer que o planejamento sempre pressupõe uma ação de coordenação em que se destacam as variadas funções administrativas descentralizadas, delegadas e de controle que visam sempre à eficiência do Estado.
			Vale ressaltar, no entanto, o conceito de Eros Roberto Grau,[6] que entende que planejamento como atividade meio, um método que tem como objetivo prover comportamentos econômicos e sociais futuros e definir meios de ação estatal:
			Conceituo o planejamento econômico assim, como a forma de ação estatal, caracterizada pela previsão de comportamentos econômicos e sociais futuros, pela formulação explícita de objetivos e pela definição de meios de ação coordenadamente dispostos, mediante a qual se procura ordenar, sob ângulo macroeconômico, o processo econômico, para melhor funcionamento da ordem social, em condição de mercado.
			Neste sentido, destaca-se que a atividade de planejamento engloba tanto a formulação de conteúdo quanto a execução de seus comandos. Desta forma, primeiramente temos os objetivos definidos e os meios e instrumentos possíveis, e, posteriormente, temos a concretização e uma possível adaptação do plano às mudanças do contexto atual.[7]
			Assim, para Eros Grau, o planejamento apresenta-se como um meio, pelos quais os objetivos a serem atingidos são dimensionados e os seus meios de consecução elencados.
			4.1.2. Orçamento público
			O objetivo primordial do orçamento público é buscar a concretização do princípio do planejamento ou da programação cuja principal característica é a realização do equilíbrio entre as receitas[8] e as despesas[9] realizadas pelo Estado. O orçamento é resultado da fixação ordenada da receita fiscal e a patrimonial que, por sua vez, autoriza (tem a finalidade) a realização (despesas) das políticas públicas mediante a outorga de prestações sociais como educação, saúde, seguridade e transportes, entre outras, visando sempre à realização do desenvolvimento econômico, o equilíbrio da economia e da redistribuição de renda. Por outro lado, há uma verdadeira integração ordenada da receita pública, dos investimentos e das despesas que devem ser pautados de acordo com planos anuais ou plurianuais.[10] 
			Existem três modelos de planejamentos orçamentários previstos no artigo 165 da Constituição Federal, quais sejam: a) o plano plurianual, b) as diretrizes orçamentárias e c) o orçamento anual. Estes paradigmas se conjugam de forma concertada, “devendo a lei orçamentária anual respeitar as diretrizes orçamentárias, de acordo com o orçamento plurianual ( artigos 165, § 7º, 166, § 4º, 167, § 1º). E têm os três que se compatibilizar com o planejamento global – econômico e social ( art. 165, § 4º)”.[11]
			Ricardo Lobo Torres utiliza a expressão “constituição orçamentária” para realçar a relevância das normas orçamentárias no âmbito da Constituição de 1988. Há duas formas de serem interpretadas a “constituição orçamentária”. Ora atende as carências atuais do país ou se mostra em desacordo. O texto constitucional brasileiro, inspirado na Constituição da Alemanha, caracteriza-se pela presença de normas principiológicas que têm a vantagem de propiciar uma interpretação equilibrada do orçamento. O texto constitucional de 1988 apresenta a característica básica de ter se inspirado na Constituição da Alemanha. Daí resulta a sua ambivalência, que apenas poderá ser superada com uma interpretação que se afaste dos pressupostos teóricos contemporâneos à elaboração do modelo germânico e arrede o patrimonialismo e o cartorialismo, bem como impeça a utilização indiscriminada dos incentivos fiscais, para que propicie a transparência dos gastos e a moralidade das finanças públicas. 
			A interpretação da “constituição orçamentária” não se dá de forma isolada, mas multidisciplinar. Isto significa que há uma interconexão com os diversos subsistemas do direito, como as constituições financeira e tributária, além da interface que a constituição orçamentária se apresenta com a política e a economia. Frise-se que em matéria de orçamento público há uma constante tensão entre o controle que se exerce do orçamento pelos poderes Executivo e Legislativo. Naturalmente que todas as divergências e tensões existentes serão resolvidas mediante um processo de negociação política perfeitamente legítimas em um Estado Democrático.
			Outro aspecto que merece relevo é a relação que se dá entre a constituição orçamentária e a constituição social. A maior dificuldade é reconhecer quais são os direitos sociais que merecem a proteção efetiva do Estado por meio de prestações positivas e quais direitos sociais não podem ser fornecidos diretamente pelo Estado. De qualquer forma, a realidade dos Estados nacionais