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Suzani Andrade Ferraro - Equilibrio Financeiro e Atuarial nos Regime de Previdência Social - Ano 2010

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na forma da lei.
			Já o artigo 44 veda “a aplicação da receita de capital derivada da alienação de bens e direitos que integram o patrimônio público para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada por lei aos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos”. Acresça-se que as regras supramencionadas são considerados, uma das mais importantes da Lei de Responsabilidade Fiscal, pois possui a finalidade de impedir a prática ilícita dos maus administradores pátrios. 
			Vale ressaltar que a Emenda Constitucional n. 20, de 15.12.1998, acrescentou o inciso XI ao artigo 167 da Carta Política. A partir de então é vedada “a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral da previdência social de que trata o art. 201”. Porém, na redação original do dispositivo constitucional constava que é vedada a “utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos orçamentos fiscais e da seguridade social para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art. 165, § 5º” (inciso VIII do art. 167 da CF/88).
			A Lei de Responsabilidade Fiscal, prevê, também, que “as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos” (art. 50, inc. IV). Além disso, há previsão de relatórios de execução orçamentária, a cada bimestre, e de gestão fiscal, a cada quadrimestre, (arts. 52 e 54, respectivamente), que funcionarão como mecanismos eficazes de controle da utilização dos recursos públicos. Finalmente, há regras específicas a respeito da prestação de contas e da fiscalização da gestão fiscal (arts. 56/58 e 59, respectivamente), que também contribuiu para trazer publicidade ampla a aplicação das receitas.
			Tudo isso aliado à compreensão lógica de que a previsão de orçamento próprio e desvinculado, com composição detalhada em lei, impede o administrador de desviar os recursos da seguridade social para outras finalidades
			A Emenda Constitucional n. 20/98, no artigo 250 da Lei Maior determinou a criação de um fundo para o pagamento de benefícios concedidos pelo Regime Geral de Previdência Social que foi efetivado no art. 68 da Lei Complementar 101/2000 como o Fundo do Regime Geral da Previdência Social com a finalidade de prover recursos para o pagamento dos benefícios do regime geral da previdência social estabelecendo que:
			§ 1º O Fundo será constituído de:
			I - bens móveis e imóveis, valores e rendas do Instituto Nacional do Seguro Social não utilizados na operacionalização deste;
			II - bens e direitos que, a qualquer título, lhe sejam adjudicados ou que lhe vierem a ser vinculados por força de lei;
			III - receita das contribuições sociais para a seguridade social, previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195 da Constituição;
			IV - produto da liquidação de bens e ativos de pessoa física ou jurídica em débito com a Previdência Social;
			V - resultado da aplicação financeira de seus ativos;
			VI - recursos provenientes do orçamento da União.
			Este fundo tem como objetivo principal controlar despesas e equilibrar as contas públicas. Portanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal representa um instrumento importante para a concretização dos mais valiosos postulados democráticos, conforme afirma Antonio Roque Citadini, não existe país democrático sem um órgão de controle com a missão de fiscalizar a boa gestão do dinheiro público.[37]
			Mas é preciso registrar algumas omissões da LRF, pois o referido diploma legal deveria ter sido mais específico com relação à proibição de se utilizar receitas destinadas à seguridade social para outras finalidades. Ademais, a LRF traz conceitos e regras voltadas quase que unicamente às questões econômicas, sem qualquer cuidado com aspectos sociais. 
			Sendo assim, enquanto o texto Constitucional preocupou-se em atender as necessidades públicas coberta pela prestação dos serviços públicos, efetivando a aplicação dos direitos fundamentais com a intervenção na economia e com outras atividades governamentais fundadas no Estado social ou de prestações, a Lei Complementar 101/2000 está voltada para atender as exigências do Estado fiscal, em que a prioridade de atendimento é o “serviço da dívida”. Neste diapasão para Factury Scaff,[38] citado por Andreas Krell, diz:
			a Lei de Responsabilidade Fiscal só visa a responsabilização dos administradores pela ultrapassagem de limites e metas, sem observar a qualidade dos serviços prestados, preocupa-se apenas com a quantidade, olvidando-se da qualidade.
			Destarte, é importante salientar que a Lei Complementar n. 101/2000, Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelece critérios para a feitura do orçamento anual: 
			Art. 5º – O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar:
			I – conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas constantes do documento de que trata o § 1º do art. 4º;
			II – será acompanhado do documento a que se refere o § 6º do art. 165 da Constituição, bem como das medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado;
			III – conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante, definida com base na receita corrente líquida, será estabelecida na lei de diretrizes orçamentárias, destinada ao:
			a) (VETADO)
			b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.
			A seguir, passo a dissertar sobre os três modelos de orçamento, dando prioridade ao orçamento da Seguridade Social, que faz parte do núcleo central do objeto deste trabalho. 
			4.2. O Orçamento da Seguridade Social
			O orçamento fiscal engloba (art. 165, § 5º, I) os poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. As normas complementares estão regulamentadas pela Lei n. 4.320/64 e nas leis de diretrizes orçamentárias anuais. O orçamento de investimento das empresas controladas direta ou indiretamente pela União visa a obstar transferências de recursos do Tesouro, bem como as emissões de inflacionárias, para suprir as deficiências das gestões das referidas empresas. 
			O orçamento da Seguridade Social foi criado pela Constituição de 1988 e está integrado na lei orçamentária anual, segundo o princípio da unidade que abrange (art. 165, III) todas as entidades e órgãos da administração direta ou indireta e os fundos e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. A complementação que regulamenta o dispositivo constitucional são as LDO anuais, na ausência de uma lei complementar sobre o orçamento.
			De acordo com a que a LDO para 2006 (Lei n. 11.439, de 29/12/2006), o orçamento da Seguridade Social compreende as seguintes rubricas:
			Art. 57 – O orçamento da Seguridade Social compreenderá as dotações destinadas a atender às ações de saúde, previdência e assistência social, obedecerá ao disposto nos arts. 167, inciso XI, 194, 195, 196, 199, 200, 201, 203, 204, e 212, § 4º, da Constituição, e contará, entre outros, com recursos provenientes:
			I – das contribuições sociais previstas na Constituição, exceto a que trata o art. 212, § 5º, e as destinadas por lei às despesas do orçamento fiscal;
			II – da contribuição para o plano de Seguridade Social do servidor, que será utilizada para despesas com encargos previdenciários da União;
			III – do orçamento fiscal; e
			IV – das demais receitas, inclusive próprias e vinculadas, de órgãos, fundos e entidades, cujas despesas integram, exclusivamente, o orçamento referido no caput. (grifos nossos)
			O artigo 58 dispõe, por sua vez, sobre os recursos orçamentários necessários ao atendimento do reajustamento