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Pierre Moreau - Responsabilidade Jurídica na Previdência Complementar - Ano 2011

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são atribuições da SPC: (i) propor as diretrizes bási 
cas para o Sistema de Previdência Com plem entar; (ii) harm onizar as 
atividades das entidades fechadas de previdência com plem entar com as 
políticas de desenvolvimento social e econômico-financeiro do Govcr 
no; (iii) fiscalizar, supervisionar, coordenar, orientar e controlar as ativi 
dades relacionadas com a previdência complementar fechada; (iv) decretar 
a administração especial em planos de benefícios operados pelas en t i 
dades fechadas de Previdência Com plem entar; (v) propor ao M inistro
da Previdência Social a decretação de intervenção ou liquidação das 
referidas entidades:
Sendo o órgão fiscalizador da Previdência Complementar ope­
rada pelas entidades fechadas, boa parte do trabalho da SPC 
está centrado na atividade de fiscalização.
Outras importantes atribuições dadas à SPC pela lei são as de 
autorizar previamente determinados atos, que dependem da 
aprovação da SPC para produzir seus efeitos na plenitude. Ao 
contrário da maior parte da atividade de fiscalização, a ativida­
de de autorização é sempre realizada pela SPC a partir de uma 
solicitação dos interessados, o que sempre gera nos cidadãos 
solicitantes a expectativa de um atendimento pronto e favorá­
vel ao pedido formulado.107
Com pete tam bém à Secretaria de Previdência Com plem entar esti­
mular a criação de planos de benefícios e a adesão de novos participan­
tes aos fundos de pensão, em um a visão de inclusão social, contribuindo 
para o desenvolvimento econômico e financeiro do país e para a con­
cretização do objetivo da universalidade da Seguridade Social.
A tualm ente, a principal norm a que rege os investimentos das enti­
dades fechadas de previdência privada é a Resolução C M N n° 3.456, de
I o de junho de 2007, parcialmente alterada pela Resolução C M N n° 
3.558108, de 27 de março de 2008, que im põe limites quantitativos aos 
investimentos dos recursos garantidores.
N o Regulamento que estabelece as diretrizes de aplicação dos re­
cursos garantidores dos planos de benefícios administrados pelas enti­
dades fechadas de previdência com plem entar está anexo à referida 
Resolução C M N n° 3.456, de 2007, estão especificados os segmentos 
possíveis para os investimentos, quais sejam: (i) segmento de renda fixa;
107 PAIXÃO. Leonardo André. A Previdência Complementar Fechada: uma visão geral. Disponí­
vel em: <http:üwww1 .previdencia.gov.br!docs/pdf!SPC-uma-visao-geral.pdf>. Acesso em: 
20 março 2008.
108 ANEXO VI.
(ii) segmento de tenda variável; (iii) segmento de imóveis; e (iv) scg 
m ento de empréstimos e financiamentos.
Cada um dos segmentos está dividido em carteiras, com a indica 
ção das espécies de investimentos que as integram e os respectivos limi 
tes de investimentos para cada um dos segmentos e carteiras.
O segmento de renda fixa é composto pelas seguintes carteiras: (i) 
de renda fixa com baixo risco de crédito; e (ii) de renda fixa com médio 
e alto risco de crédito. Já o segmento de renda variável é integrado pelas 
carteiras: (i) de ações em mercado; (ii) de participações; e (iii) de renda 
variável - outros ativos. Já o segmento de imóveis conta com as seguin 
tes carteiras: (i) de desenvolvimento; (ii) de aluguéis e renda; (iii) de 
fundos imobiliários; e de (iv) outros investimentos imobiliários. Final 
m ente, o segmento de empréstimos e financiam entos está composto 
por duas carteiras: (i) de empréstimos a participantes e assistidos; e (ii) 
de financiamentos imobiliários a participantes e assistidos.
As entidades fechadas estão autorizadas a realizar operações com 
derivativos em bolsa de valores ou em bolsa de mercadorias e de futuros, 
exclusivamente na m odalidade “com garantia”, observado o disposto 
no artigo 39 da Resolução C M N n° 3.456, de 2007:
(...)
I — as operações com o objetivo de proteção, subordinam-se, 
no âmbito de cada plano de benefícios, ao limite do valor das 
posições detidas à vista;
II — as operações que não tenham o objetivo de proteção das 
posições detidas à vista devem ter igual valor aplicado em 
títulos de emissão do Tesouro Nacional (art. 9o, inciso I), 
desde que estes não estejam vinculados a quaisquer outras 
operações;
III - para fins de verificação do enquadramento da entidade 
fechada de previdência complementar nos limites referidos nos 
incisos I e II, devem ser considerados:
a) o valor nominal das pontas passivas dos contratos, no caso 
de operações de swap, contratos a termo e contratos futuros; e
b) o preço de exercício acrescido ou reduzido do valor do prê­
mio pago ou recebido, respectivamente, no caso de operações 
com opções;
IV - é obrigatória a prévia existência de procedimentos de 
controle e de avaliação do risco de mercado e dos demais riscos 
inerentes às operações com derivativos, sendo que os docu­
mentos que fundamentaram tais procedimentos deverão per­
manecer na entidade fechada de previdência complementar à 
disposição do conselho fiscal e da Secretaria de Previdência 
Complementar do Ministério da Previdência Social.
Parágrafo único. O valor das posições em derivativos de que trata
o inciso II deverá ser adicionado ao valor das posições à vista para 
efeito de verificação dos limites estabelecidos neste regulamento.
As entidades fechadas, outrossim, tam bém estão autorizadas a in­
vestir em fundos de investimento e em cotas de fundos de investimento 
classificados, como de dívida externa, em direitos creditórios, previden­
ciários, em empresas emergentes, em participações, imobiliários, m ulti- 
mercado, sob a forma de condom ínio aberto ou fechado, incluídos no 
segmento de renda fixa e no segm ento de renda variável.
Os fundos de investimento devem ser registrados na C V M e ob­
servar as regras que os regem, tam bém estabelecidas pela C V M , sendo 
que encontram -se hoje elas consolidadas na Instrução C V M n° 409, de 
18 de agosto de 2004, alteradas pelas Instruções C V M nos 411, de 2004, 
413, de 2004, 450, de 2007, 456, de 2007 e 465, de 2008.
O s investimentos em fundos de investimentos tam bém sofrem li­
mitações gerais e específicas, tanto nos segmentos quanto nas carteiras 
que integram , equiparando-se às aplicações realizadas diretam ente pela 
entidade fechada aquelas efetuadas por meio de carteiras administradas 
ou por meio de fundos de investimento, que nos fundos de investimen­
to em empresas emergentes e fundos de investimento em participações 
(artigo 42, da Resolução 3.456, de 2007).
Iodos os investimentos realizados pela entidade fechada de previ 
dência privada devem pautar-se pela política de investimentos definid. 
para cada um dos planos de benefícios que administra, elaborada anual 
m ente pela diretoria executiva, aprovada pelo conselho deliberativo, pre 
viamente ao início do exercício a que se referir, e encam inhada à SPC 
devendo fazer menção expressa, nos termos do § I o, do artigo 6", d; 
Resolução C M N n°3.456, de 2007, no mínimo:
I — a alocação de recursos entre os diversos segmentos e cartei­
ras e segmentos, indicando os limites estabelecidos, de acordo 
com a estratégia de alocação de ativos e parametrizada com 
base nos compromissos atuariais;
II — aos objetivos específicos da gestão de cada limite estabele­
cido neste regulamento, diante das necessidades de cumpri­
mento da taxa mínima atuarial como referência de rentabili­
dade, no caso de plano constituído na modalidade benefício 
definido, e das necessidades de cumprimento do índice de re­
ferência, no caso de plano constituído em outra modalidade, e 
a conseqüente determinação do ponto ótimo na curva de ris- 
colretorno na alocação dos ativos;
III — aos limites utilizados para investimentos em títulos e 
valores mobiliários de emissão ou coobrigação de uma mesma 
pessoa jurídica;
IV — ã realização de operações com derivativos, indicando os 
limites estabelecidos e as condições