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Pierre Moreau - Responsabilidade Jurídica na Previdência Complementar - Ano 2011

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concordata de cross-border.
O Basel I foi substituído pelo Basel II, sistema no qual foram con 
ciliadas ferramentas que conjugam o controle do risco de gestão e o 
exercício da governança, com a supervisão e a transparência de dados,
criando um modelo (.standard) para o cálculo do risco de crédito, cujas 
ferramentas foram elaboradas considerando três pilares181:
(a) o primeiro pilar im plem enta um efetivo e abrangente siste­
m a de gestão de risco, que inclui as informações sobre a 
estrutura organizacional, políticas, procedim entos e os lim i­
tes para o crédito, para o mercado e o risco operacional;
(b) o segundo pilar é o de revisão do processo, que envolve a va- 
loração da solidez da instituição financeira diante dos riscos 
assumidos, validando o processo. Os supervisores terão a opor­
tunidade de verificar se a instituição financeira está devida­
mente capitalizada para enfrentar os riscos que assumiu;
(c) o terceiro pilar é o de disciplina de mercado, o qual assegura 
que o mercado foi provido com informações suficientes para 
conhecer os riscos a que estão expostas as instituições fi­
nanceiras, desenvolvendo a transparência das operações.
i » - r - n u m n^nnmi ii »r i» mu pii n pia rw rv n >m< ia v i i M miAK
Three Pillar of Basel II182
Pillar 1 Pilar 1 Pillar 2 Pilar 2 Pillar 3 Pilar 3
Minimun
Capital
Requirement
Resquisito de 
um mínimo de 
capital
Supervisory 
Review Process.
Processo de 
avaliação de 
supervisor
Market
Discipline
Disciplina de 
mercado
Risk-based 
capital rule 
reflecting:'1
- Market Risk;
- Credit Risk;
- Operacional
Risk.
Regra de capital 
baseada no 
risco, 
refletindo:3
- Risco do 
Mercado;
- Risco do 
Crédito;
- Risco
operacional.
Regulatory
Compliance.
Reporting 
obligations 
leading to more 
transparency and 
accountability.
Cumprimentos de 
regulações.
Responsabilidade 
de relatório 
levando a uma 
maior 
transparência e 
obrigações.
Meaningful
Disclosure
Descobertas
signicativas
Fonte: Bank for International Settlements, 2006.
1 81 BRUNNER, Greg. HINZ Richard e ROCHA, Roberto. Risk-Based Supervision of Pension Funds -
Emerging Practices and Challenges. Washington: The World Bank, 2008.
1 82 Tradução: Os Três Pilares da Base II.
Para a área de seguros, a Associação Internacional de Superviso 
res de Seguros {InternationalAssociation o f Insurance Supervisors - 1AIS) 
está desenvolvendo um sistema de avaliação de risco específico para o 
setor - Solvency II - in troduzindo critérios qualitativos para a gestão 
interna, a gestão de risco, m odelo de validação e checagem de eontio 
les internos da seguradora.
Fundada em 1994, a IA IS possui profissionais de seguros, como 
observadores, os quais representam associações industriais, segurado 
ras, consultores e instituições financeiras internacionais. Nesta forma, a 
IA IS recebe estreita colaboração do setor financeiro, bem como das 
organizações financeiras internacionais, a fim de promover a estabilida 
de financeira.
Salienta-se ainda, que o IA IS trata das principais questões globais 
de seguros, desenvolvendo normas e documentos e orientando nas qucs 
tões relacionadas com a supervisão de seguros.
Alguns países vêm introduzindo o sistema RBS em seus sistemas 
de previdência privada, tais como a Austrália, o M éxico, a Dinamarca e 
a H olanda, motivados pelos seguintes fatores:
(i) política de redução de riscos não cobertos, de insolvência 
dos planos de Benefício D efinido, ou dos planos de Con t ri 
buição D efinida com garantias, decorrentes de movimen 
tos de preços súbitos e adversos;
(ii) política de limitação das perdas máximas para os partici 
pantes dos planos de Contribuição Definida, devido a mo 
vimentos adversos no preço dos ativos;
(iii) busca por eficiência nos ganhos, especialm ente daqueles 
oriundos do incentivo à relação risco/retorno;
(iv) crescimento da complexidade dos instrum entos financeiros 
e de mercado;
(v) esforço na alocação eficiente dos recursos financeiros, com 
o uso dos instrum entos de supervisão;
I7í> RlM'11NSAIIIIII )AI >1 |l ÜWW A NA 1’líl VII ifNl IA C(IMI'I IMINIAI'
(vi) inspiração na supervisão das instituições financeiras, m odi­
ficada depois da integração com a agência reguladora das 
entidades de previdência privada183.
Os principais elementos que integram os modelos de RBS que vêm 
sendo adotados por diversos países para as entidades de previdência pri­
vada são:
(i) a elaboração pelos órgãos de supervisão, de diretivas gerais 
sobre o risco de gestão dos recursos garantidores;
(ii) o estabelecimento das margens de solvência do plano, con­
sideradas as premissas de longevidade da massa, os fatores 
de desconto, o patam ar m ínim o de solvência e a volatilida­
de dos investimentos;
(iii) o desenvolvimento de sistemas de supervisão de risco adap­
tado para a previdência privada;
(iv) o controle das partes (terceiros) que se relacionam com as 
entidades de previdência privada;
(v) a estruturação de agências de supervisão, autônomas ou in­
tegradas às entidades governamentais.
N o Brasil, como antes observado, já foram introduzidas regras de 
supervisão das entidades de previdência privada e dos planos de benefí­
cios da natureza previdenciária que adm inistram , especialmente para 
regular e controlar a gestão dos recursos garantidores das entidades fe­
chadas, conforme lançadas na Resolução C G P C n° 13, de 2004, e na 
Resolução C M N n° 3.456, de 2007. Estas iniciativas, do ponto de vista 
normativo, ainda são incipientes, ainda mais quando considerada a com­
plexidade dos atuais instrum entos financeiros e de mercado.
Q uando avaliada a questão da responsabilidade dos gestores das en­
tidades de previdência privada, função supervisora que ganha especial re­
levância, é a de um sistema próprio de supervisão de riscos, mediante a
183 BRUNNER, Creg. H INZ Richard e ROCHA, op. cit., 2008. p. 10.
introdução de lérrainentas de avaliação objetiva da performance dos in 
vestimentos dos planos de benefícios.
Tais sistemas de avaliação, inspirados nas premissas do Basel 11 
do Solvencyl das instituições financeiras e das seguradoras, é alimenta 
do por informações globais sobre as entidades de previdência privai li 
que form am a base de avaliação:
Ali supervisorJ gain an understanding of the riJkprofile of penJion 
fundJ through their normal activities. Any baJic supervision 
framework involves the collection of data frorn pension funds. This 
can be as baJic aJ the collection of data frompenJion fundJ. This can 
be as baJic aJ the collection of annual accountJ; more typically ií 
involves collection ofdata through a set of standardforms designed by 
the supervisor and submitted by the pension funds on regular basis. 
Through the analysis of collected data supervisorJ will have apicture 
of the financial strength of the funds that can be supplemented by the 
collection of additional information from onsite inspections and the 
market. This information can be combined for the computation of 
overall risk scores for each institution.m-ws
Os métodos de RBS vêm ganhando aceitação em diversos paísq 
porque criam standards que devem ser seguidos para a redução do risd 
de insolvência, sem a perda de eficiência na busca dos resultados pata < 
investimentos, dem onstrando as responsabilidades, de m aneira objet; 
va, de cada um dos sujeitos da complexa relação que se forma na gestj 
financeira dos recursos garantidores dos planos de benefícios admini 
trados pelas entidades de previdência privada.
1 84 BRUNNER, Creg. H INZ Richard e ROCHA, op. cit., 2008. p. 25.
185 Tradução: Todos os supervisores ganham instruções do perfil de risco dos fundos <lc .ipni
tadoria por meio das suas atividades normais. Qualquer estrutura de supervisão bási< a rnv<] 
a