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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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dos “planos C D ”, isto é, dos planos de contribuição definida.
Tais planos diferem dos anteriormente descritos, em razão de o pai 
ticipante não conhecer, previamente, a renda a ser paga a título de aposen 
tadoria, no futuro. O que há, nestes planos, é uma expectativa de renda, 
que será determinada apenas quando alcançado o período de gozo do be 
tiefício, ou seja, a base de cálculo do valor do benefício de aposcntadoi ia 
11r<>gramável corresponderá à totalidade das contribuições veilidas paia o 
plano de benefícios.
Nas planos CD, em geral, a reserva é individualizada por pariu i|i.m 
te, de forma que as provisões técnicas de um não impliquem diimimic,a.• 
<mi majoração das p n >visões técnicas mantidas para outro jiartii ipauti do 
mesmo platio.
70 - C o m en t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
Vale destacar que existem planos chamados “mistos” que combinam 
características dos planos BD e Ç D . Tal combinação, na maior parte das 
vezes, ocorre com a determinação de contribuição definida na fase de acu­
mulação e benefício na fase de gozo do benefício, ou seja, ao fim do período 
de acumulação, verifica-se o valor da reserva constituída pelo participante, e, 
com isso, determina-se a renda programada que ele deverá receber.
Em claras palavras, explica a obra de Luiz Gushiken, Augusto Tadeu 
Ferrari e Wanderley José de Freitas5:
“C omo regra geral, podemos compreender que toda vez que um de­
terminado risco é assumido individualmente pelo segurado, a sua caracte­
rização é de ‘C D ’. Já quando o mesmo é compartilhado entre os demais 
integrantes do plano, temos característica de ‘BD ’. Dessa forma, pode-se 
desenvolver milhares de modelos de planos mistos ‘misturando-se’ as ca­
racterísticas de ‘BD ’ e ‘C D ’ para os inúmeros riscos que os envolvem”.
Os planos de contribuição variável são aqueles nos quais os padrões 
para determinação do benefício são fixados previamente, sendo que o va­
lor da contribuição poderá variar, conforme a variação dos padrões pre­
fixados para o benefício assegurado. Tais modalidades de planos são ainda 
pouco desenvolvidas e estudadas pela doutrina.
A distinção entre as modalidades de planos de benefícios ganhou 
importância ainda maior com a edição da Lei n° 11.053, de 2004, que 
estabeleceu novo regime de tributação para os benefícios e resgates 
efetuados em planos de previdência complementar. Isto porque a referida 
Lei estabelece a possibilidade de, exclusivamente, os participantes dos pla­
nos estruturados na modalidade contribuição definida e contribuição va­
riável optarem pela tributação com base em alíquotas regressivas.6
5 “Previdência C om plem entar e Regime Próprio - Com plexidade & Desafios”, 
C âm ara Brasileira do Livro, São Paulo, 2002, p. 42.
6 “A rt. I o. E facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1E de janeiro 
de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas 
modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades 
de previdência com plem entar e das sociedades seguradoras, a opção por regi­
me de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos
C a p ít u lo II (A r t s . 6o a 30 ) - 7 1
Por fim, cabe mencionar que, além as diversas modalidades de planos de 
previdência complementar, o participante poderá ainda contar com diferentes 
l< Hmas de benefícios, a depender de cada plano: benefício em pagamento úni 
eo, em pagamento parcelado, vitalício, por tempo determinado etc.
r>. Beneficiários dos Planos de Previdência Complementar
Art. 8o. Para efeito desta Lei Complementar, considera-se:
I - participante, a pessoa física que aderir aos planos de
benefícios; e
II - assistido, o participante ou seu beneficiário em gozo
de benefício de prestação continuada.
- Lei 6.435, de 1977
O artigo I o, da Lei n° 6.435, de 1977, para os fins nela dispostos, 
conceituava participante como o associado, segurado ou beneficiário in
i In ido nos planos de benefícios de caráter previdenciário.
Interessante notar que os termos associado e segurado guardavam correia 
i, ai i, respectivamente, com a metodologia associativa das entidades de previdêi i
i ia complementar e com a possibilidade de sociedades seguradoras instituírem 
planos de benefícios previdenciários, desde que devidamente autorizadas pelo 
' aga< > regulador. É possível também que a expressão segurado tenha rdaçãu> com
i ts |ieciilios por morte ou invalidez oferecidos em determinados planos, os quais 
pi issiiem características semelhantes aos seguros do ramo vida.
I e i Complementar n° 109, de 2001
() artigo 8°, da 1 e i Complementar n° 109, de 2001, conccil ua jiai 11 
k ipantcs e assistidos, sem relacioná-los com segurados ou associados, tal
< ouio o la/ia a legislação anterior.
assistidos,a I ilnlo de benclícios ou resgates de vali>tes acumulados, sii|eiIam ■> a
........... i .....................i ............................. . 1. . ............ i .............i : . , , < ............. — , i .................. ..................................................
72 - C o m en t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P rivada
Para a Lei Complementar n° 109, de 2001, participante é a pessoa 
física que adere aos planos de benefícios e assistido é o participante ou seu 
beneficiário em gozo de benefício de prestação continuada.
A despeito de o caput do artigo 8o mencionar que o conceito nele 
descrito serve “para efeito da Lei”, a definição de participante e de assisti­
do prescritas no referido artigo deve ser adotada para interpretação das 
demais normas que disciplinam a previdência complementar no Brasil. 
Isto porque, considerando que Lei Complementar n° 109, de 2001, dispõe 
sobre o funcionamento e a organização do regime de previdência comple­
mentar, os conceitos nela descritos devem ser considerados como 
parâmetros para todas as demais disposições normativas sobre a matéria.
Um exemplo que podemos citar é o da Lei n° 11.053, de 2004, que 
trouxe novo regime de tributação para os benefícios e resgates em planos 
de previdência complementar. Tal Lei faz menção apenas aos participan­
tes e aos assistidos, sendo que seus efeitos devem ser aplicados tanto para 
a pessoa física que formalizou sua adesão ao plano, quanto para aquele que 
figura como beneficiário dos recursos, na fase de benefício.7
5.1. Participante
O participante, nos termos do artigo 8o em comento, é a pessoa física 
que aderiu ao plano de benefícios. Com isso, é possível afastar desde já 
qualquer possibilidade de pessoas jurídicas figurarem como participantes 
de planos de benefícios.
W ladimir Novaes M artinez8, ao interpretar o dispositivo em questão 
afirma que:
“Participante é a pessoa segurada, ou seja, o protegido pelo sistema 
supletivo que tenha aderido ao plano de benefícios da EPC \entidade de
7 “Art. Io. E facultada aos participantes que ingressarem a partir de l s de janeiro
de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário (...) a opção por 
regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos 
assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitam- se :i 
incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas.” (destacamos).
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previdência complementar\. No caso da EFPC , em pregado ou outro 
prestador de serviços à empresa (art. 31). Quando se tratar de instituição 
de associação de classe, será o associado.
Tal pessoa física não pode ser confundida com a pessoa jurídica que. 
patrocina, ainda que participe’ do empreendimento”.
Com efeito, por se tratar de regime previdenciário, a pessoa jurídica 
jamais poderia figurar como beneficiária das rendas ou do pecúlio asscgu 
rados por planos de benefícios.
A s, pessoas jurídicas, nos planos de previdência complementar, po 
dem figurar apenas como