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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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própria ou 
por determinação do órgão regulador e fiscalizador, ob­
servados o regulamento do respectivo plano e demais 
disposições legais e regulamentares.
Parágrafo único. Fica facultada às entidades fechadas a 
garantia referida no caput por meio de fundo de solvên­
cia, a ser instituído na forma da lei.
I jüí 6.435, de 1977
Nos termos tio artigo 84, da Lei n° 6.435, tle 1977, era facultado as 
ent idades abertas de previdência pr ivada com fins lucrat ivos recebei 
letroeessões tle resseguros tio Instituto tle Resseguros tio Brasil, desde que 
Iivrssetn suas reservas tecnicamente conslituítlas e cobertas, no al ivo, i om
90 - C o m e n t á r i o s à L ei d e P r e v id ê n c ia P r iv a d a
depósitos ou investimentos, satisfazendo as condições adequadas de segu­
rança, rentabilidade e liquidez, e desde que fossem autorizados pelo órgão 
regulador.
A retrocessão é a operação de que se socorre o ressegurador para 
repassar ao mercado segurador nacional ou internacional os excessos de 
responsabilidade que ultrapassaram seus limites de capacidade de indeni­
zar. Desta forma, para a retrocessão, pressupõe-se a contratação de resse­
guro, o qual não tenha sido suficiente para abarcar a cobertura de seguro, 
e, portanto, de indenizar, que lhe toi transmitida. A retrocessão corresponde 
a um resseguro do resseguro.
- Lei Complementar n° 109, de 2001
O artigo 11, da Lei Complementar n° 109, de 2001, faculta às enti­
dades de previdência complementar contratar resseguro a fim de assegurar 
os compromissos assumidos junto aos participantes e assistidos de planos 
de, benefícios. Tal contratação poderá partir de iniciativa própria ou de 
(jeterminação do órgão regulador e fiscalizador, observados o regulamen­
to do respectivo plano e demais disposições legais e regulamentares.
Trata-se de disposição inovadora, na medida em que menciona am­
plamente a possibilidade de contratação de resseguro, tanto por entida­
des abertas quanto por entidades fechadas de previdência complementar. 
Tal como mencionado anteriormente, a Lei anterior versava sobre a 
retrocessão e não, do resseguro - ainda que uma pressuponha a existên­
cia do outro —, c a faculdade era conferida única e exclusivamente para as 
entidades abertas.
O resseguro é a operação pela qual o segurador, com o fito de dimi 
nuir sua responsabilidade na aceitação de um risco considerado excessivo 
ou perigoso, cede a outro segurador uma parte da responsabilidade e do 
prêmio recebido. No âmbito da previdência complementar, a expressão 
resseguro quer-nos parecer referir-se à operação mediante a qual a entidad. 
de previdência complementar transfere parte ou a totalidade ck\su;is i es 
ponsabilidades perante os participantes, com companhias s c g u t a d o i ,is 
Assim, estar-se ia diante de um seguro para plano d<^benclícios, N ã o
obstante, a fim de manter a nomenclatura utilizada pela Lei Complemcn 
tar n° 109, de 2001, faremos alusão ao termo resseguro.
A contratação do resseguro tem por objetivo proporcionar condições 
à entidade de previdência de cumprir com as obrigações assumidas em 
favor dos participantes e beneficiários dos planos de benefícios, evitando 
que eventual desequilíbrio econômico-financeiro ou atuarial possam 
impactar nos benefícios previdenciários contratados pelo participante.
Desta forma, a previsão expressa da Lei Complementar sobre essa 
possibilidade corresponde a uma segurança ao participante para ingresse> 
em plano dn-henefícios. mitigando riscos de comprometimento dos beue 
lícios assegurados, eventualmente decorrentes da insuficiência estrutural e 
|>atrimonia1 da entidade de previdência complementar.
Em outras palavras, se, para o participante, a possibilidade mencio 
nada no artigo 11, da Lei Complementar n° 109, de 2001, significa um 
maior conforto para que os recursos por ele aplicados sejam direcionados 
Itara seu benefício futuro, ainda que para tanto seja necessária a contrataçíu> 
de resseguro; para a entidade de previdência complementar, ela representa 
uma alternativa a ser adotada, caso seja verificada a inviabilidade de cum 
pi ir com as obrigações garantidas aos participantes.
Interessante notar que o resseguro poderá ser contratado desde que 
cm lusivamente destinado a cobrir os compromissos firmados pela en tida 
de de previdência junto aos participantes e beneficiários, não sendo possí 
vel sua contratação para quaisquer outros fins. Em nossa visão, os
i oiii|)t'omissQS a que se referem o legislador são aqueles de carátei 
pieviilenciário, exclusivamente.
A contratação do resseguro, de acordo com o artigo 11 ora comenta 
d n , i levei á ser efetuado por iniciativa própria ou poderá ocorrer por deter 
niinaçao d o órgão regulador e fiscalizador. Assim, a entidade que se
■ (uoiitiai em situação que não lhe propicie cumprir as obrigações assc |u i
• ida aos par licipatiles ou que estiver na eminência desta situação, devei a , 
jun a. pipytdeuciar a contratação do resseguro.
N o s ( asos em que, mesmo encontrando-se em tal situacao, a etilida
tkl...... ......*.. . “ 1
C a p ít u l o II (A rts . 6o a 30 ) - ‘I I
92 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P rivada
e PREVIC - deverão determinar tal providência, de forma a resguardar os 
direitos dos participantes e de preservar a imagem do setor.
Vale observar que o regulamento do plano de benefícios deverá esta­
belecer os critérios e condições para contratação do resseguro ou, ao me­
nos, prever sua possibilidade, a fim de dar conhecimento aos participantes 
dos padrões a serem seguidos na hipótese de sua adoção e a sua finalidade.
Nada impede, porém, que o resseguro seja passível de contratação 
pela entidade, ainda que não haja previsão no regulamento do plano de 
benefícios. Isto porque, trata-se de procedimento previsto em Lei e que 
tem por finalidade justamente proteger os direitos dos participantes dos 
planos de benefícios.
O artigo 11 menciona ainda que a contratação do resseguro deverá ob­
servar as 11 demais disposições legais e regulamentam o que, a nosso ver, dizem 
respeito tanto à legislação e regulamentação que disponha sobre a contratação 
de resseguro pelas entidades de previdência complementar, quanto pela pró­
pria regulamentação do resseguro e da previdência complementar.
Neste sentido, vale citar a Resolução CN SP n° 119, de 2004, que 
estabelece regras a serem observadas pelas sociedades seguradoras e enti­
dades abertas de previdência complementar para a contratação de seguros 
e planos de benefícios por entidades fechadas de previdência complemen­
tar, bem como a Resolução C G PC n° 10, de 2004, que autoriza a 
contratação de seguro quanto aos riscos atuariais decorrentes da concessão 
de riscos devidos em razão de invalidez ou morte de participantes e assis­
tidos de planos de benefícios operados por entidades fechadas de previ­
dência complementar.
8.1. Fundo de Solvência
O parágrafo único, do artigo 11, determina a faculdade, para as enti­
dades fechadas, de que o cumprimento dos compromissos assegurados 
junto aos participantes possa ser garantido por intermédio da constituição 
de fundo de solvência, a ser instituído na forma da lei.
Em razão desta previsão sobre a constituição do fundo de solvên­
cia, para as entidades fechadas, muitos atuantes do setor de previdência
C a p ít u l o II (A r t s . 6o a 30 ) - ' ) !
complementar questionam a possibilidade de tais entidades contratarem 
resseguro, fundamentalmente pela inexistência de termo, no texto legal, 
que esclareça a constituição do fundo de solvência independentemente 
da faculdade de tais entidades contratarem resseguro, nos termos do caput 
do mesmo artigo.
Nossa visão, porém, é de que a constituição de fundo de solvência deve 
ser interpretada como uma alternativa adicional para cumprimento das obri 
gações assumidas pelos planos de benefícios,